Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Trecho do Capítulo VII: The Ravenous Tide and the Motif of "Otherworldly Rescue". de Artisson, Robin. The Secret History: Cosmos, History, Post-Mortem Transformation Mysteries, and the Dark Spiritual Ecology of Witchcraft. Black Malkin Press. 
Contextualizando: até aqui, o autor estava explanando sobre a natureza cíclica do Universo influenciada por grandes ondas ou marés de energia que afetam planetas inteiros e a influência obscura da última maré que atingiu o nosso planeta. Esta proporcionou inicialmente  um desenvolvimento tecnológico e a ascensão da civilização, progredindo porém em uma degenerescência generalizada da humanidade e a perda do contato com o mundo espiritual. Ele continua, falando das das tentativas das religiões em restaurar o estado de consciência anterior à esta Queda. No texto, ele cita algumas vezes o que chama de Espírito Mestre, que seria a Potência ou Entidade de grande poder que rege o mundo e a vida sobre ele, identificado geralmente pela figura de um Deus Cornífero. Em certo momento, ele cita o que chama de Indivíduo da Terra, que seria a Potência ou Entidade que vivifica a Terra, que poderíamos chamar de Mãe Terra.
Podemos ver facilmente em algumas religiões modernas e proeminentes vestígios do que poderia ser descrito como vestígios metafísicos e arqueo-psicológicos muito obscuros (e geralmente muito incompreendidos) de verdadeiros "esforços de resgate" primordiais que sabemos que não funcionam no presente para trazer qualquer reparação ou alívio metafísico ou espiritual autêntico a qualquer um (supondo que eles já o tenham feito algum dia). Qualquer que seja a graça distante que pretendessem, ou quaisquer sistemas simbólicos arcanos há muito desbotados que ainda pudessem conter, não são coisas compreendidas a fundo pelas pessoas envolvidas nessas religiões. No entanto, os vestígios destas velhas línguas simbólicas que ninguém compreende atualmente e de ícones espirituais que não podem falar a sua verdadeira língua aos povos modernos, ainda revelam as "trilhas" dos Espíritos que poderiam ter indicado um dia. 
Alguns podem se perguntar - e considero perfeitamente justificável - por que a compaixão ou o poder do Invisível não pode efetivamente alcançar muitos daqueles que pertencem a religiões modernas como o Cristianismo ou o Islã. A resposta está na forma como o Cristianismo e o Islã são completamente subjugados e escravizados por dogmas civis inquestionáveis. Suas religiões são consequências - talvez as principais consequências - da "necessidade de centralização política e social" da civilização, colocadas em uma perspectiva espiritual. Nenhuma instituição na Terra além do capitalismo global tem tanto investimento em apoiar o paradigma civilizado para todas as pessoas como essas duas religiões. O desenvolvimento central destas mesmas civilizações que escravizam almas seria suficiente por si só, mas essas poderosas religiões reveladas passaram por vários momentos perniciosos. Elas intencionalmente moldaram civilizações para temer e odiar a diversidade; elas apoiam agendas anti-sociais e anti-diversidade em todas as frentes. O Espírito Mestre deste mundo é denominado "diabo" tanto pelo Cristianismo como pelo Islã por causa de sua natureza selvagem e livre e sua recusa em se ajustar a concepções puras e não-ameaçadoras, e os espíritos livres do mundo selvagem e do Invisível são todos denominados demônios. O próprio conceito de "selvagem" está subjacente a uma metafísica sombria do mal nessas religiões, associada à teimosia, ao egoísmo e à desobediência. Mesmo as partes profundas verdadeiramente livres no núcleo de cada ser humano, cada instinto humano e cada coração humano são ditos lugares defeituosos e perigosos: possíveis covas para demônios e tentações às quais os seres humanos nunca devem prestar atenção. A própria natureza, associada ao divino feminino, está sujeita à propriedade, à opressão, ao controle violento e à violação pelas mãos das sociedades humanas, com a plena sanção do Deus da Bíblia e do Alcorão. E as mulheres humanas (não surpreendentemente) universalmente caem em semelhantes destinos obscuros  nas mãos de todas as sociedades nas quais o Cristianismo ou o Islã historicamente mantiveram qualquer autoridade controladora ou governante. 
Dentro dessa condição de plena adesão ao paradigma da civilização, sancionada por um falso glamour espiritual, adquirida através da violência e do imperialismo espiritual e sustentada por complexos sistemas de lavagem cerebral e controle, as chances de qualquer espírito compassivo poder romper em qualquer nível para a maioria dos cristãos ou muçulmanos são muito pequenas. Os ateus que eles deixam atrás de si, aquelas almas arruinadas de pessoas desviadas (com sabedoria) pela loucura a que estas religiões reveladas submeteram o mundo, são também rompidas de tal maneira que a sua comunhão com o mundo invisível é muito improvável. Os ateus são os cadáveres vivos deixados para trás pelas máquinas assassinas das religiões reveladas, que mutilam e assassinam almas tão prontamente e regularmente quanto cometem de fato assassinatos em alguns lugares. 
O Cristianismo e o Islã destruíram quase completamente os cultos e as religiões de Mistérios, embora seja seguro dizer que mesmo muitos dos mistérios sagrados da antiguidade tinham entrado em vários estágios de decadência nas últimas eras da maioria das civilizações pagãs. A maioria das portas antigas que levam de volta para as Florestas e Prados do Invisível foram fechadas desde então, e estão fechadas agora para sempre... ou pelo menos fechadas até que algo inesperado aconteça que possa induzir algumas das portas antigas a serem reabertas ou criar novas portas que possam se abrir. Tais ocasiões serão raras. 
Estou muito feliz em poder relatar (em meio a toda essa conversa um tanto sombria) que, graças à codificação de símbolos importantes e seus padrões de ação relacionados em certos contos e histórias antigos que temos a sorte de possuir algumas poucas chaves potentes para certas portas antigas ainda preservadas. A esses padrões de ação têm sido dadas formas de atualização ou expressão externa por parte de algumas pessoas esotericamente perspicazes que viveram antes de nós. A atividade sagrada de procurar e revitalizar essas preciosas chaves continua nas atividades de certas pessoas vivas hoje, inclusive eu e muitos dos maiores estudantes de feitiçaria e dos Mistérios que conheço, e sobre os quais eu confio firmemente. Certas pessoas antes de nós - os gigantes em cujos ombros certamente todos estamos - encontraram maneiras de regenerar essas forças potentes, mas escondidas. Alguns Mistérios - portais - ainda estão abertos. Além deles, encontram-se os raros campos verdejantes de outro mundo (aquele mundo que é a própria alma deste) e os espaços escuros e florestas sem fim daquela nossa estranhao lar, repleta de oportunidades para a sabedoria, a aquisição de poder e renovação para nossas almas. E precisamos disso; mais do que nunca. O conteúdo dos mistérios redescobertos e regenerados, que discutirei aqui logo que puder, são divididos por mim em dois "ramos", essencialmente divididos entre os mistérios relacionados com o próprio Espírito Mestre, e aqueles que mais propriamente caiam em maior afinidade com O Indivíduo da Terra (The Indweller of Earth). Eu acredito que ambos esses Poderosos interagiram diretamente ou através de seus agentes e daemons com seres humanos anteriores para lançar as fundações de muitos mistérios. Suas assinaturas estão claramente marcadas nos dois mistérios específicos de transformação de alma e destino que discutirei aqui. 
O Indivíduo do Mundo Ctônico, referido no texto como o Espírito Mestre ou apenas Mestre: entidade divina que vivifica o mundo superior terrestre e preside todas as formas de vida que respiram
O Indivíduo da Terra: entidade divina, a alma da Terra, que deu à luz todos os espíritos que nela vivem
Mas antes que possamos começar essas explorações (ou pelo menos olhar para minhas notas sobre o primeiro dos dois), temos de enfrentar uma questão que é reconhecidamente difícil de aceitar e processar em nossas mentes em nossos dias modernos. É a idéia da total incapacidade dos nossos estilos de vida moderna no que concerne à criação de qualquer forma de fundamento que possa nos tornar capazes de realmente compreender a essência completa dos Mistérios. Devemos compreender quão empobrecidas as nossas vidas ordinárias tornaram nossa compreensão básica da verdadeira sabedoria genuína, ou o que ela poderia significar em um sentido maior, mais expansivo ou mais profundo. Admitir que possamos ter grandes restrições ou deficiências nestas questões, é difícil para a maioria das pessoas processar. Entretanto, eu acho que poucas coisas poderiam ser mais importantes se nós estivermos comprometidos com a intenção de obter o tipo de transformações que nós realmente precisamos. Não importa quem nós somos; pela maneira como vivemos e por causa do show de horrores que nossas mentes e almas têm vivenciado, não é injusto dizer que estamos quase irremediavelmente perdidos perante a compreensão das profundidades sutis que descrevem a verdadeira natureza de nós mesmos e da nossa realidade. Sabedoria genuína e insights são tão raros para você ou para mim como encontrar um determinado grão de areia em uma praia em algum lugar. Não importa quão bem esse grão de areia possa ser descrito, e mesmo se tivessem permissão para olhar para uma imagem muito detalhada do mesmo, as nossas chances de encontrá-lo em uma pequena praia não seriam grandes. Imaginar que qualquer sabedoria que pudermos produzir  através de nossos próprios esforços solitários servirá para efetivamente desfazer os danos espirituais causados ​​por esta presente era obscura, ou que qualquer sabedoria que possuímos sozinhos ajudará a iluminar um caminho para nós através da escuridão do Mundo Invisível para além dos círculos deste mundo, é uma forma de loucura egocêntrica e orgulho vazio. A hubris da civilização é sua origem última. É uma postura que temos de aprender a despir se quisermos nos tornar o tipo de pessoa que pode real e genuinamente estar receptiva à ajuda que está lá fora, esperando por nós, no Invisível. Precisamos de aliados. Não podemos avançar sozinhos. 
Muitas pessoas, como já indiquei, rejeitam esta idéia de nossa insuficiência pessoal muito furiosamente. Eles afirmam que eles não acham que o problema é tão ruim, e que eles são "mais felizes do que infelizes". E eu sempre lhes digo que é perfeitamente compreensível por que eles podem se sentir felizes no grau que eles alegam; no coração de cada pessoa está o poder de bem-aventurança da própria vida. É um poder muito forte; não é preciso muito para atraí-lo. Deixe sua guarda cair apenas uma vez, e ele pode brotar de muitas maneiras sutis. No fundo, não importa o quão miserável possamos vir a ser, há sempre essa coisa que se sente como esperança; há sempre a idéia, a possibilidade de que tudo estará bem no futuro. Esta é a presença do Divino em nós - e pode ser tudo o que realmente precisamos para sobreviver, a menos que nós apenas tenhamos nascido com muita sorte. Aqueles que realmente perdem toda conexão com esse sentimento e com o otimismo básico que conduz à vida tendem a morrer rapidamente de uma causa ou outra, na maioria das vezes suicídio. Mas mesmo se uma pessoa pudesse encontrar uma maneira de manter esse sentimento genuinamente esperançoso e feliz dia e noite, eles ainda se encontrariam muito freqüentemente fazendo coisas e sentindo coisas que realmente prefeririam não fazer ou sentir. E às vezes - é inevitável - feriremos as pessoas que mais amamos, o que não é algo que jamais queremos fazer. Nossos sentimentos de compaixão pelos outros são abalados e ineficazes por causa dessa grande impotência que sentimos: a impotência de estar tão completamente enredado no malformado mundo social humano. Aqueles que mais amamos, eles, também, vão nos decepcionar, de muitas maneiras. Os sistemas políticos também. Lamentamos muitas coisas; desejamos que tivéssemos conhecido tantas coisas em retrospectiva, depois que é tarde demais. Somos enganados pelos outros (quando deveríamos tê-los conhecido melhor) e, apesar dos nossos melhores esforços, a luta contra o medo e a incerteza ocupa muitas das nossas vidas. Mesmo se não estamos conscientemente fazendo isso, a maioria de nós está lutando diariamente uma batalha desesperada e perdida contra o medo, desilusão e incerteza. Ela surge em nossos sonhos inquietos, em nossa busca desesperada de mais e mais estimulação ou euforia, mesmo em detrimento de nosso bem estar e autodestruição final. 

A mente é surpreendentemente resiliente; é brilhante em recontar as coisas para fazer até mesmo a pior situação mais palatável, mais suportável. Dizemo-nos que muitas das dores constantes que sofremos simplesmente existem porque "é assim que as coisas têm de ser" ou "é apenas uma parte normal da vida". Tomamos a posição "dura e madura" - rejeitando os tipos de coisas que eu estou dizendo aqui dizendo alguma variação de "cresça homem! A  vida é difícil, mas o objetivo é suportar, adaptar e superar essas coisas! Ninguém jamais disse que era para ser tudo fácil! "Embora seja verdade que a vida sempre teve desafios e sempre terá, a quantidade de desafios estranhos e artificiais que nós viemos a normalizar e aceitar como" apenas as coisas da maneira como são "é louco, e estamos simplesmente errados em assumir que é tudo normal. A vida como a encontramos atualmente não é naturalmente destinada a ser o que se tornou: tão cheia de estresse, angústia, ruído, pressa, imbelicidade e perdas. Mas nós temos essas vertentes particulares de negação com as quais nos apegamos com grande devoção, pelo bem compreensível que é a nossa própria sanidade. Nós tomamos lugar em certas histórias que talvez não devêssemos, histórias destinadas a atuar como abrigos para a crônica dolorosa do nosso mundo e de nossas vidas. Mas a dor do mundo, as lágrimas do mundo são muito grandes. Por "mundo", eu sempre quis dizer o mundo social humano, não o "Mundo" com um M maiúsculo - não o Mundo natural, o mundo espiritual. Uma das maneiras de interromper ou quebrar este sistema de negação constante e inteligente é nos render ao desejo egocêntrico de evitar a admitir a fraqueza. Se pudermos fazer isso, admitir o pouco que realmente sabemos sobre as verdades mais profundas de nós mesmos e deste mundo, e admitir a nossa incapacidade de fazer muitas coisas, já vai resolver muito dessa dor que abraçamos, então novas possibilidades se abrirão para nós: novas possibilidades da mente e da alma. É a minha crença sincera de que o Espírito Mestre e muitos poderes no Mundo Invisível desejam trazer clareza sobre nós e nos levar a uma paz duradoura. Ele e Eles querem nos restaurar a uma condição de sabedoria mais profunda e muito menos dolorosa. A "deriva existencial" que normalizamos é um sintoma de uma doença, não um aspecto simples, natural e normal da vida. Os poderes Ancestrais querem que sejamos poupados da loucura. Eles têm o poder de ajudar e têm o motivo para ajudar: fazem parte da nossa grande cadeia de relações ancestrais. Nós compartilhamos a mesma vida que eles manifestam. Os Antigos querem ajudar em nosso alívio e recuperação da sabedoria. Eles não querem que estejamos sob controle de toda essa insanidade de uma maneira tão desequilibrada e inconsciente como nos tornamos. Mas essa insanidade é uma função de um padrão temporal mais sombrio que nenhum de nós, nem mesmo eles, quis que acontecesse ou se tornasse real. É apenas uma maré que vem de vez em quando. Não há necessidade de procurar culpar alguém por isso. Talvez "marés escuras" como aquela que nos assedia agora já aconteceram muitas vezes antes. Seja qual for o caso, enfrentamos nosso desafio com esta, agora. E nós temos mais coisas a nosso favor, espiritualmente falando, do que podemos perceber. Antigas tentativas por parte d’Eles em nos alcançar em um nível mais profundo foram feitas ao longo da história civilizada, para que a vida não tivesse que ser tão unilateral e dolorosa, mas o mais importante, para que a morte não tivesse que ser tão incerta e terrível. Como conseqüência do dano da alma que todos nós sofremos, a morte é incerta e aterrorizante para a maioria das pessoas, e as Estradas do Além, que costumavam levar ao nossos lares ancestrais e círculos de fogo, agora se estendem para a névoa de  “não sabemos onde”. Para muitos dos mortos, cada um deles carregando seus próprios medos, raivas, ódios, limitações e feridas na alma para a profundidade de seu ser, o caminho para o Além é um lugar incerto e confuso. Às vezes, a pista pode desaparecer completamente. Temos esperança de que o nosso Self Ancestral que acompanha a maioria de nós através da vida e até a morte agirá como guia quando morrermos; mas os Mistérios vêm a nós neste ponto, e com eles vem uma oferta de mais ajuda e uma aliança mais extraordinária. Eles vêm com ofertas de ajuda em tempos de maior necessidade ou crise, e seríamos tolos, de fato, para não aceitar essas antigas mãos ajudantes tão prontamente oferecidas. Temos poderes aliados no Invisível que querem nos ajudar. Nem todos os poderes no Invisível se preocupam com o nosso bem-estar, mas alguns o fazem, em alto grau. Certos poderes, é claro, estão se aproveitando para nos predar, mastigando ruidosamente nossa força vital nestes tempos feridos. Esses Poderes amam tragédia - shows como o nosso que sangram tanta força vital. Outros Poderes são indiferentes. Os Poderes que realmente cuidam, se importam porque somos parte de sua grande família. Temos laços antigos que há muito tempo descartamos no esquecimento sob o poder embriagador da respiração e o pela amnésia induzida pela narrativa civilizada. Então, o Espírito Mestre emerge e faz esta coisa muito importante...

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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