Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Olá, pessoal! Vocês sabem que amanhã é um dia muito especial, ocorrerá o alinhamento dos planetas, os polos magnéticos da Terra serão invertidos, Portais Estelares serão abertos depois de mais de 10 mil anos e o ciclo atlante de destruição se repetirá novamente... STOP! Espero que os leitores do Além do Físico não acreditem nessas conspirações e bobagens esquisotéricas e se concentrem no que realmente é importante: a Roda do Ano gira mais uma vez, trazendo as energias sazonais do sabá de Litha, o Solstício de Verão. 
Já abordei a parte teórica dessa celebração no post do ano passado, que conta com uma sugestão de ritual do livro "Dança Cósmica das Feiticeiras". Hoje trago para vocês o ritual que adaptei para a minha celebração no ano passado, enfocando o tema do Rei do Azevinho e Rei do Carvalho. Espero que gostem e façam bom proveito!

Ritual de Litha


Reunimo-nos neste dia com muita alegria para celebrarmos mais um girar da Roda. O Sol atingiu o máximo de seu calor e potencial, marcando o fim da maré crescente de poder, o fim do reinado do Rei do Carvalho. Todas as sementes plantadas são despertadas pelo calor do desejo divino, todas as flores desabrocham em júbilo pela vida que se manifesta em toda parte. As nuvens despejam chuvas torrenciais, mantendo o equilíbrio com o fogo solar. Mas na Natureza tudo é cíclico, tudo passa, tudo se renova. É tempo do Rei do Azevinho reclamar o trono que é seu por direito, o poder deve reclinar para a Terra repousar e garantir a continuidade do ciclo. E a Deusa, Senhora da Vida e da Morte, preside os Mistérios da Natureza; pois assim foi desde o princípio e assim será até o fim dos tempos. Festejemos então, em nome da Senhora das Rosas e do Deus Galhado.

Traçar o Círculo:
"Traço este Circulo mágico de poder para nos proteger neste ritual; aqui nada entra sem ser convidado e nada sai sem ser liberado. Traço um lugar fora do tempo e fora do espaço, Entre Mundos, para comungar com os Deuses e praticar a verdadeira magia. Que este Círculo Sagrado contenha o poder que elevaremos em seu interior, pelo que o consagro em nome da Deusa do Verão, Litha, e seu Consorte, o Cornífero. Que assim seja e que assim se faça pelo poder de minha palavra e dos Deuses."

Invocar os elementos.

Invocar a Deusa:
"Oh, Deusa da Abundância,
Senhora das Rosas Vermelhas,
Teu hálito doce é a brisa suave que ondula a relva,
E desperta as flores de seu sono tranquilo,
desabrochando em beleza e perfume
com o calor do desejo do Sol.
Oh Deusa Amada, venha para nosso ritual
dance conosco e celebre conosco.
Que possamos ser Um contigo,
para compreendermos os Seus Mistérios
e girarmos a Roda da Vida!
Deusa Litha, nós te invocamos!"

Invocar o Deus:
"Oh, Poderoso Deus do Sol,
Galhudo indômito dos bosques,
Teu desejo selvagem é o fogo solar
que aquece a Terra e provê a Vida.
Onde tua semente cai na terra,
os Pequeninos dançam nos anéis de cogumelos
no êxtase que atravessa mundos.
Oh Deus silvestre, venha para nosso ritual
dance conosco e celebre conosco.
Que possamos ser Um contigo,
para integrarmo-nos com com os ciclos da Natureza
e mantermos a Roda sempre Girando.
Rei do Carvalho e Rei do Azevinho, nós te invocamos!"
Encenação do mito:

Desde o início dos tempos, a Deusa da Lua e das Estrelas despertou amor e desejo no Deus Galhudo das Florestas. Assim como Ela se mostra de muitas maneiras, o Deus tem duas faces: o Rei do Carvalho e o Rei do Azevinho. Irmãos e rivais, em luta eterna pela atenção da Deusa.
Encontramo-nos no Solstício de Verão, o calor chega ao ápice, na máxima expressão de Vida na Terra. O Rei do Carvalho tem governado até então, na maré crescente do ano. A Deusa aprecia a abundância de vida e cores na Natureza, deseja em seu íntimo que sempre fosse assim. Mas Ela é a Senhora dos Mistérios da Vida, da Morte e do Renascimento; Ela sabe que os ciclos são essenciais para a evolução de todos os tipos de vida e a manutenção do equilíbrio natural. Assim sendo, Ela vai ao encontro do Rei do Carvalho, no interior da mais densa das florestas, onde carvalhos milenares imperam dominantes.
Uma onda de poder e emoção vibra quando se encontram, a familiaridade d’Aqueles que se amam mais do que é possível imaginar.
- Minha Amada Deusa! É o maior dos prazeres receber a sua visita! A que devo tamanha honra?
- Meu estimado companheiro, sabes que tão bem quanto eu o motivo de minha vinda. Preciso lembrá-lo de seu dever. Seu reinado se aproxima do fim, você precisa deixar o trono.
- Mas Minha Deusa, não vê como a floresta pulula de vida enquanto reino? Há alimento farto para todos os animais, eles se reproduzem e são felizes! Porque eu deveria deixar que tudo isso acabasse?
- A Vida se mantém em ciclos: Nascimento, Crescimento, Maturidade, Reprodução e Morte. A tua semente repousa em meu ventre, para garantir que você esteja vivo e forte para reinar no próximo ano. Se assim não fosse, você não existiria, e a Natureza adormeceria num sono eterno, sem jamais despertar.
- Mas juntos nós podemos fazer com que tudo isso dure para sempre. Imagine como seria fabuloso um mundo em que o amor e o prazer são os únicos sentimentos existentes, onde a dor da Morte nunca fosse sentida!
- Se assim fosse, outros espíritos nunca teriam a chance de experimentar a Vida, não haveria sentido para a reprodução, tudo se tornaria estático e desprovido de significado. Os Mistérios da Vida e da Morte devem ser experimentados por todos os meus filhos, pois esse é o caminho para chegarem até a mim.
As palavras da Deusa eram carregas de tamanha sabedoria e profundidade ancestrais que os olhos do Rei do Carvalho se encheram de lágrimas de compreensão.
- Tens razão, como sempre, Amada Deusa. Enfrento o meu Destino de frente e cumpro meu dever perante a Senhora. Que venha o meu rival!
Calmo, silencioso e taciturno, o Rei Azevinho surgiu entre as folhas. Seu olhar era firme, seus lábios cerrados pareciam esboçar um sorriso incompreensível, resistente, único.
O Rei do Carvalho se pôs de pé no mesmo instante. Saudaram-se cordialmente, pois apesar de serem rivais, eram irmãos e estavam cientes de seus deveres.
Deram início ao combate. Eles se igualavam em força e determinação. O Rei do Carvalho estava no auge do seu poder e seus galhos eram fortes e resistentes, mas o Rei do Azevinho esteve se preparando nos últimos seis meses, seus galhos eram finos, mas muito ágeis.
A luta se prolongou por algum tempo, pode ter sido minutos, ou exaustivas horas. Naquele bosque o tempo passava de um modo peculiar. De repente, num movimento fluido e rápido, o Rei Azevinho fere fatalmente o Rei Carvalho. Este cai, e é amparado pela Deusa.
Ela não chora, sente-se orgulhosa por seu filho e amante ter se sacrificado para manter a Vida. Mas seus olhos brilham marejados quando o espírito imortal do Deus parte para o Oeste, o Outro Mundo, onde aguardará até que esteja pronto para renascer como a Criança da Promessa.
Ela se levanta e olha para o Rei do Azevinho. Trocam um olhar intenso, em que se pode discernir reverência, admiração, comprometimento... e amor. Ele é face mais sombria de seu amado, mas com ele compartilha uma intensidade inexplicável, que não se traduz pelo contato físico apenas, mas pela sabedoria conquistada através de Eras.
Ele assume seu lugar no trono e Ela o coroa com uma guirlanda de azevinho, de folhas verdes viçosas e frutos escarlates. Dali a algum tempo, quando o Outono e o Inverno chegassem, aquelas seriam as únicas cores visíveis na floresta, além do branco majestoso da neve.
O Sol já havia se posto a Oeste e logo a Lua apareceria a Leste, então ela partiu para o céu, vestindo seu manto negro salpicado de estrelas e coroado pelo disco de prata. A Roda havia girado mais uma vez...

O facilitador do ritual agora executa a peça dramática da luta entre as forças da Luz e das Trevas. O talo de erva-doce representa os poderes da Luz e a arruda representa os poderes das Trevas. Segure os dois talos na forma de um X diante de você. Começando pelo quadrante leste, caminhe em volta do Círculo e termine no norte, diga: NO DIA DO SOLSTÍCIO AS FORÇAS DE LUZ E ESCURIDÃO LUTAM ENTRE SI PELO EQUILÍBRIO DO UNIVERSO. EMBORA A LUZ TENHA ATINGIDO O AUGE DE SEU PODER, HOJE COMEÇA O REINADO DAS SOMBRAS. O REI DO CARVALHO É DESTRONADO PELO REI DO AZEVINHO.
No final, quebre o talo de erva-doce e levante o de arruda, em sinal de vitória. Diga: ABENÇOADO SEJA O PODER DA LUZ, QUE MANTÉM A VIDA.
ABENÇOADO SEJA O PODER DA ESCURIDÃO, QUE MANTÉM O EQUILÍBRIO E TRAZ REPOUSO.

Acenda o fogo ritual, dizendo:
“Acendo os fogos do verão em honra aos poderes da Luz, para que espantem toda a negatividade, o ódio, a amargura e a mágoa, para que quando as Trevas dominarem, possamos descansar em paz, na espera do renascimento.”

Os participantes do ritual passam através do fogo, fazendo um pedido e deixando seus medos para trás.
Agora os participantes começam uma dança deosil pelo círculo, cantando:

“Dance para o Sol em glória,
Dance para a passagem do Rei do Carvalho,
Dance para o triunfo do Rei do Azevinho–
Dance, Senhora das Rosas, dance -
Dance, Senhora do Verão, dance -
Dance, Senhora da Vida, dance .”

Enquanto cantam e dançam elevem o poder num cone, para libertar os poderes da luz. Pegue um pouco de erva-doce e jogue no fogo ritual, dizendo:

“Liberto o poder da Luz, a força crescente,
Pela qual exorto você, ó Sagrado Éter de nosso mundo.
Que esteja livre de todo o mal e negatividade.
Eu o exorto para o bem de toda a vida neste nosso mundo.”

Continue dançando por mais alguns instantes, sentindo o poder da luz ser liberado no éter.
Agora todos descansam e se preparam para entrar em transe e fazer uma viagem livre.
Pensem no que está dando satisfação às suas vidas. A música? O amor? Um passeio pelo campo solitário? Livros? O jardim? Se são muitas as coisas, pensem nelas como um todo. Pensem especialmente sobre alguma visão de prazer que possam ter sentido ao beber o vinho. É o destino do Deus Solar, e o de vocês também, que será transformado pelo prazer. Vamos dizer que, para um de vocês, a maior satisfação atual é o aprendizado deste trabalho de bruxaria. Para outro, é um novo relacionamento. Você está amando. Cada um deve pensar nisso (ou no que melhor lhe aprouver), sentindo a energia de sua paixão que sobe como uma chama e leva às mudanças.Visualizem essas mudanças. Imaginem-nas como se já tivessem ocorrido. Procurem ver suas vidas no futuro. Pensem nas medidas que precisam tomar para a concretização destes passos; ou melhor, procurem vislumbrar, intuitivamente, o que devem fazer. Em silêncio façam suas promessas à Deusa a respeito dos passos necessários.

Quando todos voltam do transe, o facilitador do ritual prossegue com a benção dos Bolos e Vinho.
Aponta o athame para a taça e diz:
"Assim como a Lança está para o Graal, o Athame está para o Cálice. Masculino e feminino, Sol e Lua, Céu e Terra, Deus e Deusa... juntos na mais bela união do amor! Abençoado seja este vinho com a essência sagrada do Deus de Chifres e da Deusa das Três Faces!" - Introduz a lâmina no cálice.

Aponta a varinha para os bolos:
"A essência da Vida se transforma, mas carrega sempre o calor do desejo do Sol. Abençoado seja este alimento, que veio da Terra para nos sustentar!" - Traça um pentagrama de invocação da Terra.

Partilham-se as bebidas e alimentos, troca-se impressões sobre o ritual e permite-se a todos um momento de descontração.

Despedida do Deus:
"Ó Deus Cornífero,
Rei do Azevinho a partir de então,
agradecemos-lhe pelas bençãos deste ritual e pela alegria em celebrar mais um girar da Roda.
Abençoado seja tu, que mantém o equilíbrio da Natureza e nos sustenta.
Despedimo-nos de ti com alegria e gratidão, podeis partir deste Círculo."

Despedida da Deusa:
"Ó Deusa do Prazer,
Senhora das Rosas do Verão.
agradecemos-lhe pelas bençãos alcançadas
neste ritual e pela alegria em celebrarmos mais um girar da Roda.
Abençoada seja tu, que governa os Mistérios da Vida e da Morte, sempre em harmonia.
Despedimo-nos de ti com alegria e gratidão, podeis partir deste Círculo."

Despedida dos Elementos e abertura do Círculo.

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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