Além do Físico

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"As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley, é um dos meus romances preferidos e o é também para muitos bruxos e pagãos. A lenda de Rei Arthur, recontada pelo ponto de vista das grandes mulheres da história - Morgana, Viviane, Igraine, Raven, Morgause -, seguidoras da Deusa, fascina o leitor desde as primeiras páginas com sua magia única. A autora, apesar de não ser seguidora da Arte, pesquisou muito e através das obras de Gardner, Margaret Murray, Starhawk e o contato com sacerdotes e sacerdotisas, recriou uma forma de paganismo admirável, cheia de sabedoria mágica nas entrelinhas.
Como o post ficou maior do que eu esperava, vou postar os trechos dos livros na íntegra em outra página, para não saturar esse post. Não é essencial a leitura dos trechos para entender o artigo, mas recomendo e acho que vão gostar. Organizei-os em ordem de prioridade, o primeiro e mais completo deles é suficiente para o que vamos discutir aqui. Leia AQUI.
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A Visão, no livro, é o termo usado para se referir às percepções extrassensoriais que se manifestam como a visão de eventos passados, presentes e futuros, sonhos proféticos, intuição, a capacidade de se comunicar remotamente com outras pessoas, etc. Ela se manifesta nos descendentes do sangue das Fadas, o Povo Pequeno.
Podemos dizer que a Visão é todo meio de acessar informações por meios ocultos, uma capacidade inata para certas pessoas, resultante de um aprimoramento psíquico que foi   transmitido entre descendentes de uma raça pura.

Em nossa realidade, o fator hereditário não é mais essencial para garantir capacidades ocultas, visto que raças puras são praticamente inexistentes e a mistura genética é muito grande, principalmente em países latino-americanos. Entretanto, certas condições fisiológicas predispõem uma pessoa à Visão, como a sensibilidade nervosa, a constituição física delicada, o desenvolvimento das glândulas pineal e pituitária, etc
Hoje em dia, uma pessoa com a Visão geralmente é um bruxo, médium ou xamã. Excluindo os casos de mediunidade de prova, que podem se manifestar a despeito de tudo o que foi dito aqui, falamos de uma capacidade psíquica natural e exercitada pela Vontade.

Além disso, um aspecto que era muito valorizado antigamente em aspirantes à Visão era a virgindade. No trecho de “A Queda de Atlântida”, Micon pergunta se Deoris é virgem antes de conduzi-la ao transe.
Principalmente nas mulheres, nas quais os chakras psíquicos são naturalmente mais ativos devido à polaridade lunar-passiva (sexual e frontal; Svadhishtana e Ajna), a virgindade permitia-lhes uma conexão muito mais fácil e profunda com os Planos Sutis, porque sua essência vibratória apresentava-se pura, sem cordões energéticos que as conectassem com outras pessoas nos níveis dos chakras citados. As sacerdotisas virgens e treinadas podiam canalizar energias de altíssimas frequências, como faziam as Vestais, e atuar como verdadeiras profetisas e receptáculos do Fogo Sagrado.
A perda da virgindade não acarreta perdas na sensibilidade mediúnica se a Visão foi desenvolvida antes dessa ocorrência. Magisticamente, a perda da virgindade é a troca íntima de energias Kundalini e não necessariamente o sexo em si. Qualquer intercurso sexual, entre pessoas de sexos distintos ou não, já acarreta essa troca de energias.
Por isso é recomendado em centros e terreiros que os médiuns não façam sexo pelo menos 24 horas antes dos trabalhos, pois as suas auras ficam impregnadas com as energias do parceiro e isso atrapalha a conexão com os espíritos e a incorporação. Depois desse tempo, o corpo reassume sua essência e dissipa as energias externas.

Essa sabedoria ainda é observada em rituais rosa-cruzes, com as meninas chamadas Columbas, e nas missas católicas, com os coroinhas. A Castidade funciona através de uma alquimia que transforma o desejo carnal e sexual em uma energia espiritual através do desenvolvimento dos chakras superiores e do controle dos chakras inferiores. Exemplos deste tipo de iluminação incluem os monges budistas, monges shaolins, os padres da Igreja, algumas santas e outros eremitas da literatura religiosa e ocultista.

Voltando à referência do livro, Viviane pede que Morgana encha uma bacia  de metal com água de chuva e não fale com ninguém depois disso. Isso para que ela não tenha nenhuma interferência energética que poderia dificultar-lhe a Visão, ainda não desenvolvida. O metal é um excelente condutor energético, principalmente a prata, que se alinha às frequências magnéticas lunares e favorece o psiquismo. E a água da chuva também seria mais pura, pois não foi manuseada por ninguém e é melhor para ser magnetizada. Aliás, quanto mais gelada estiver a água, mais acentuada será sua capacidade de ser imantada de modo a refletir os Planos Ocultos. Entre 0ºC e 4°C seria o ideal.
Depois, Viviane pede que Morgana solte os cabelos e tire quaisquer joias e objetos metálicos, pois como já foi dito, metais são condensadores energéticos e poderiam interferir na Visão com as cargas que já trazem consigo. Esse é um cuidado essencial quando se trabalha com Psicometria (investigação psíquica de um objeto); qualquer contato entre o objeto visado e outros materiais ou pessoas pode interferir no diagnóstico do médium.
Quanto aos cabelos, eles atuam como antenas psíquicas, pois a cabeça é uma região de muita concentração energética. É análogo ao princípio físico do poder elétrico das pontas: as cargas tendem a ser descarregadas através de extremidades condutoras pontiagudas.
Viviane então joga na bacia algumas ervas que estimulam a Visão.
Em outro trecho do livro, quando Igraine tenta invocar a sua Visão, são citadas as seguintes ervas: lavanda, rosa silvestre, junípero e aveleira.
A rosa silvestre é regida pela Lua e portanto carrega seu magnetismo e exalta a intuição.
As outras três são ervas regidas por Mercúrio, planeta que governa as operações mágicas. A aveleira favorece a aquisição de conhecimento e proteção espiritual, além de ser uma ótima madeira para a confecção de varinhas, pois é muito sensível às correntes etéricas e astrais. O junípero favorece as visões, a clarividência, abre a mente inconsciente e protege, além de ser um ótimo purificador quando queimado como incenso, destruindo miasmas e afastando entidades maléficas. A lavanda fortalece a mente, purifica e tonifica a aura e afasta entidades malignas.

Por último, Morgana pergunta se viu alguma coisa, pois não se recorda de nada. Isso se deve à profundidade do transe que atingiu e a falta de experiência com a Visão. É comum no começo do treinamento de um vidente que suas impressões sejam vagas ou confusas e de que ele não esteja consciente delas depois de voltar à consciência desperta, porque não aprendeu ainda a focar-se  em uma única frequência e é atingido por todos os lados pelas marés astrais. É importante que tenha uma pessoa a lhe guiar nas primeiras experiências, para garantir que ela saia do transe em segurança. Uma interrupção abrupta pode causar um choque energético violento, fazendo com que a pessoa fique desacordada – uma vez que seu corpo astral se desprendeu do físico e não foi acoplado adequadamente. Em operações mágicas desse tipo, sem a devida proteção, também se corre o risco de ataques provenientes do Astral. Essa era a preocupação do sacerdote Rajasta, quando percebeu o que Micon pretendia fazer, sem a segurança de um Templo ou Círculo.
A contemplação da água é apenas um dos vários modos de se acessar a Visão. Podem ser utilizados cristais de quartzo transparente, principalmente em formatos esféricos (as famosas bolas de cristal!); espelhos; um pedaço côncavo e circular de vidro, com a superfície interna pintada de preto; e várias outras ferramentas que refletem a luz e podem levar a um estado hipnótico. Na verdade, estes objetos são desnecessários para uma pessoa treinada, que pode ver diretamente com seu olho interior.
Hudson de Pádua Lima

Fontes consultadas na pesquisa:

* Para os trechos ilustrativos:
BRADLEY, Marion Zimmer – As Brumas de Avalon
– A Queda de Atlântida
* Para as propriedade mágicas das ervas:
MONTEIRO, Adriano Camargo – Sistemagia.
 *Os aspectos mágicos da virgindade:
Comentários do site Teoria da Conspiração, de Marcelo Del Debbio.

3 comentários:

Já que vc falou da virgindade, há alguma razão ou sentido para que o ato sexual seja considerado um pecado em algumas religiões?

Parabéns pelo blog!!

Na Babilônia, o culto à Ishtar/Inanna ocupava grande destaque na sociedade daquela época. As famílias nobres enviavam suas filhas aos templos, onde serviriam como Virgens Vestais, e depois sacrificariam sua virgindade ritualisticamente no ritual do Hiero Gamos, uma iniciação. A partir daí eram chamadas Harlots - prostitutas sagradas (aquelas que se prostram diantes de Ishtar).
Elas eram muito valorizadas e seu dote era muito grande. As moças que perdiam sua virgindade profanamente não podiam se tornar Harlots e seu dote era bem menor. Daí já surge o valor de ser virgem.
Isso foi deturbado na Idade Média, com o conceito de "prima noche", no qual o senhor feudal tinha o direito de ter a primeira noite com qualquer noiva que fosse se casar, ecos do antigo ritual de Hiero Gamos.
Sem falar em toda a baboseira judaico-cristã que condena o sexo e rebaixa a mulher. Talvez porque o sexo é sagrado, e é um meio de se alcançar a Iluminação e porque as mulheres expressam o seu poder "aterrorizante" através da sexualidade, manipulando até os homens mais endurecidos pela guerra ou tentando os clérigos... É pra manter o status quo.

As brumas de Avalon,um dos meus livros preferidos,O livro é excepcional..mas já o filme contaminado com uma visão cristã...esse livro me tirou o preconceito em relação a religião da Deusa.Comecei a estudar e até tentei ser adepto...mas ñ deu,uma visão linda,mas ñ a que eu procurava,mas linda!

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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