Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

Pesquisar





 A história da Bruxaria Ancestral que vou partilhar com vocês, a pedidos de leitores, é talvez mais mítica do que fatídica, mas é a versão que se disseminou na comunidade bruxa. Vários escritores tentaram estabelecer datas e locais, para atestar as informações aqui expostas, mas sempre há divergências. Por isso, não vou me ater a datas ou informações muito específicas, fazendo um esboço geral a partir das versões que conheço, sem copiar trechos de livros. Vocês poderão encontrar informações mais exatas nos livros: "Mistérios Wiccanos", "A Dança Cósmica das Feiticeiras", "Wicca Gardneriana", etc.

As raízes da Bruxaria, em seu sentido mais amplo, podem ser encontradas na Pré-História, no Período Paleolítico, quando a espécie humana ainda era nômade e lutava por sua sobrevivência. A primeira forma divina que surgiu, por volta de 40 000 a.E.C (antes da Era Comum) foi a de uma Deusa primitiva da fertilidade, tanto da Terra, quanto dos homens - as conhecidas Vênus (de Savignano, de Willendorf, etc). Elas foram encontradas em várias partes da Europa e sempre com as mesmas características marcantes de seios e coxas grandes, barriga proeminente de gravidez e curvas fartas.


 Era uma associação mágica que os seres humanos fizeram entre a origem da vida como um todo vindo de uma figura feminina, já que eram as mulheres que davam a luz, num ciclo de mistérios imcompreensíveis - que mais tarde integrariam os Mistérios Femininos e os Mistérios de Sangue. Naquela época ainda não se conhecia a participação masculina na reprodução.
Pouco tempo depois, os humanos associaram à Deusa também o papel de Ceifadora, Senhora da Morte, que os levava novamente para o útero primal da Terra. Mais tarde, com o surgimento dos Mistérios Agrícolas, essa prática evoluiria para os costumes funerários.
Muito tempo depois, quando a caça se tornou essencial para a sobrevivência das tribos, o caçador foi identificado como uma figura de força e habilidades mágicas. As primeiras práticas de magia surgiram nessa época, quando os homens desenhavam animais nas paredes das cavernas com sangue, criando um elo mágico entre presa e predador. Então, o animal entrava em simbiose psíquica com o caçador e magicamente se entregava em sacrifício, como se presididos por uma força sobrenatural que garantisse a sobrevivência dos homens e o equilíbrio natural. Era o Deus Cornífero, que começava a aparecer no imaginário coletivo da humanidade. Os caçadores passaram a usar chifres e peles de animais, para se camuflarem e se identificarem magisticamente com as presas. É a imagem que teremos do Deus Cernunnos, encontrada no Caldeirão de Gundestrup:

Os sacerdotes passaram também a limpar os ossos dos animais e enterrá-los, com a intenção mágica de fazê-los renascer e prover alimento para a tribo.
Mais tarde, quando as mulheres - responsáveis pela coleta de frutos e grãos - começaram a enterrar os restos de alimento, perceberam que no lugar brotavam novas plantas, que dariam origem a mais frutos. Foi a origem da agricultura, uma revolução na pré-história, que determinou o início das primeiras tribos sedentárias, e mais do que isso, o surgimento de um importante sistema de crenças: a ciclicidade da vida, a reencarnação. Se os restos de frutos e grãos, quando acolhidos pelo ventre fértil da Terra, voltavam a viver, isso também deveria acontecer com os humanos e animais. Iniciou-se então a prática de sepultamento dos mortos. As cavernas não eram vistas como abrigo, mas como aberturas mágicas que conduziam aos mistérios da Deusa da Terra. Eram usadas para rituais e sepultamento, numa associação mágico-religiosa que sobreviveu até no Catolicismo, com santas veneradas em grutas.
Percebe-se que dois cultos coexistiam na Pré-História, já chegando ao Neolítico. Um de orientação feminina e lunar, da Deusa; e um de orientação masculina e solar, do Deus de Chifres (que portava chifres de Veado, depois de Touro, e então chifres de Bode, demonstrando a evolução mágica da caça para a agricultura e pecuária). As mulheres que conviviam juntas não demoraram para perceber que os ciclos da Lua eram paralelos aos seus ciclos menstruais, e passaram a se reunir durante o período da Lua de Sangue, partilhando seus mistérios em reclusão.
Essa situação permananeceu em equilíbrio até que surgiram os povos indo-europeus, por volta de 3500 a.E.C: guerreiros, violentos, de orientação solar; que, interessados em dominar territórios e outros povos, esmagaram aqueles que eram pacíficos adoradores da Deusa Lunar. Isso provocou a reclusão de seus cultuadores para as florestas, e suas práticas religiosas se tornaram secretas, sob a luz do plenilúnio.
A fusão dos dois cultos, acredita-se, ocorreu quando o sacerdote solar casou-se com a sacedotisa lunar, unificando inclusive povos adversários e dando origem a um culto misto, que mais se assemelha com a Wicca Moderna. Essa ocorrência situa-se mais ou menos na região do Mediterrâneo, dando origem posteriormente às civilizações etrusca, grega, romana, etc.
Com as invasões bárbaras, entre eles, o povo celta absorveu grande parte dessa cultura mágico-religiosa dualista e mais tarde, quando ficaram reduzidos ao território da atual Grã-Bretanha, isolada do resto da Europa, personalizaram o culto (desenvolvendo os cultos funerários, identificando seres mágicos na Natureza - as fadas - e aspectos diferentes da Deusa e do Deus), conservando-o até a o princípio da Idade Média - quando toda a Europa já estava cristianizada, com alguns remanescentes no Norte e na Grã-Bretanha.
A partir daí, a história já é conhecida da maioria das pessoas. Ocorre a Inquisição, cerca de 40 a 50 mil pessoas são executadas, muitas das quais nem eram pagãs, e a Bruxaria passa a ser um culto demoníaco e marginal, que sobrevive no segredo das práticas familiares mais tradicionais e renasce no século XIX, com Gardner.

Para maiores informações a respeito da Bruxaria Antiga, acessem o blog www.a-bruxaria.blogspot.com.br , de meu amigo Dhyllan, que não mede esforços para compartilhar informações exclusivas da Arte.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Advertência

O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

Minha foto
Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

Postagens populares

Seguidores

Visitas

Qual a sua relação com o Mundo Não-Físico?

Google Analytics Alternative