Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Estou entrando num campo ideológico extremamente delicado ao tentar abordar estes dois temas em conjunto, já posso prever as críticas, veladas ou explícitas, de muitos bruxos mais conservadores; mas este blog é destinado a todos os assuntos esotéricos e por isso tenho espaço para tal. (Os links redirecionam para outras postagens do Além do Físico).

Mediunidade pode ser definida como a capacidade psíquica de intermediar contato com o plano espiritual e seus habitantes através de quaisquer sentidos, com seu campo de percepção ampliado. Pode se dar através da clarividência, clariaudiência, telepatia, empatia, intuição, sonhos, visões do futuro, ou o meio mais comum, incorporação (ou canalização). É necessário aqui esclarecer esse termo, que é muito mal interpretado: incorporação. Nenhum espírito, ser ou inteligência pode 'entrar' no corpo de ninguém, pois dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, na mesma frequência. O espírito se liga ao(s) chakra(s) e/ou corpo(s) sutil(is) do médium que lhe proporciona maior afinidade para a manifestação. Ele cria cordões psíquicos temporários, através dos quais influencia diretamente nos órgãos dos sentidos do médium. O mais comum é que o espírito se ligue através do plexo solar, chakra esplênico ou chakra sexual - o que proporciona uma manifestação mais rudimentar, bem física. Ligações com os chakras superiores, como o laríngeo e o terceiro olho, proporcionam visões, audições ou comunicação mais a nível telepático.
Resumindo, cada chakra está ligado a um tipo de mediunidade.
Pois bem, o trabalho mágico de um bruxo concentra-se em desenvolver os seus chakras para consequentemente desenvolver os dons intrínsecos a eles. Um bruxo deve ser capaz de ver espíritos, energia, chakras e outros elementos da dimensão astral, deve ouvir vozes de conselheiros ou entidades da Presença Oculta, deve receber e transmitir pensamentos por telepatia, deve sentir impressões psíquicas de objetos, pessoas e lugares, e entre outras coisas, um bruxo deve ser capaz de entrar em transe e intermediar contato com quaisquer seres do astral. Alguns têm aptidão especial para um dom, mas os outros podem ser desenvolvidos através do treinamento até um patamar razoável. Um dos facilitadores do desenvolvimento mediúnico é o vegetarianismo, que refina as energias das auras das impurezas densas contidas na carne.
Pois bem, qual é a diferença entre um bruxo e um médium? Bem poucas... mas vamos analisá-las.



A palavra médium tem significados bem diversos no Brasil e na Europa e EUA. Lá, médium é sinônimo de uma pessoa com habilidades parapsíquicas, sem conotação religiosa ou espiritual necessariamente implicadas. Por isso não é estranho autores estrangeiros utilizarem os termos "transe mediúnico", "habilidades mediunicas", etc. num livro de bruxaria.
Mas no Brasil, médium é uma pessoa que tem mediunidade, mas para desenvolvê-la precisa ser de uma religião que trabalhe nesse campo, como o Espiritismo, a Umbanda, o Candomblé, etc. E a habilidade mediúnica é necessariamente relacionada com espíritos.
No estudo espírita, as habilidades de um bruxo seriam denominadas anímicas, porque são próprias de seu espírito, não dependem de fatores externos.
Além disso, há dois tipos de médium: o natural e o de prova. O primeiro e mais raro é aquele que tem a mediunidade como resultado natural de sua evolução, tem a percepção ampliada porque ao longo de muitas vidas a desenvolveu. O segundo tipo, que representa a grande maioria, é aquele indivíduo que recebeu a habilidade mediúnica (temporária) como meio de resgate kármico.
Mesmo nessas definições, percebe-se grande semelhança entre um bruxo e um médium natural. Com dogmas e limitações religiosas a parte, um bruxo é um médium natural! Na maioria da vezes, quem é bruxo nessa vida, já o foi muitas vezes em outras épocas, pois o Caminho é muitíssimo antigo.
Nas formas mais antigas e/ou tradicionais da Arte, desenvolvia-se a mediunidade do mesmo modo como se desenvolve os outros dons. Por exemplo, num ritual fechado, de um coven bem estruturado, há o que se chama "dar Voz aos deuses". O Alto Sacerdote ou mais comumente a Alta Sacerdotisa, invoca o Deus ou a Deusa para se manifestar através de seus sentidos, e assim inspirado, a mensagem divina é transmitida. No Samhain, se o grupo dispor de um médium de incorporação (canalização), os espíritos ancestrais podem ser convidados a se manifestar (vide "Oito Sabás para Bruxas", casal Farrar). É óbvio que se trata de um fenômeno que acontece através dos mesmos mecanismos ocultos que explicam as manifestações em um centro espírita ou gira de Umbanda.


Na Antiguidade Clássica, as pitonisas gregas eram médiuns de incorporação ou de efeitos físicos, pois canalizavam as mensagens e previsões divinas através do transe ou permitiam o fenômeno da voz direta (em que um espírito, ser ou no caso, deus, pode materializar a sua voz de forma a ser audível por todos).
Xamãs e druidas igualmente eram capazes de incorporar espíritos e deuses, se e quando necessário.
Na mitologia grega, Hécate é um dos psicopompos (ente cuja função é guiar ou conduzir a percepção de um ser humano entre dois ou mais eventos significantes - o plano físico e o plano astral), a deusa que representa a mediunidade.
Eu particularmente, sou um bruxo (inclusive de vidas passadas) e tenho mediunidade (como dito por vários médiuns que já consultei), que embora não desenvolvida, manifesta-se de forma considerável. Na minha prática, os limites entre minhas habilidades desenvolvidas através do treinamento mágico e a sensibilidade mediúnica, se existem, são tão sutis que não pude perceber. Acho perfeitamente conciliável as duas coisas, embora me confunda as vezes de qual fonte está vindo a informação.
Como deixei claro no início, esta é a minha visão pessoal do tema. Estou aberto à discussões e perguntas. Até mais, caros leitores!

Hudson

3 comentários:

Que demais!!! Eu sempre quis saber mais sobre a mediunidade e tal.
Mas, vc poderia postar algumas técnicas pra se treinar? Por favor :)
BLesses

Treina-se mediunidade, no conceito estrangeiro de habilidades psíquicas, do mesmo modo como se treina para ser um bruxo. Já a mediunidade como vista no Brasil, e principalmente a de incorporação, precisa de um treinamento em uma das religiões espiritualistas. Nessa visão de mediunidade, é necessário uma espécie de desbloqueio das habilidades por parte do mundo espiritual, por isso não é possível conseguí-lo sozinho.
Mas os poderes psíquicos podem ser treinados sozinho, vou criar uma página aqui no blog, onde ficarão exercícios de desenvolvimento psíquico. Até lá, pode me contatar através do link da barra lateral que eu já te mando.
Obrigado por comentar!

Obrigada pelo texto, sou praticante de bruxaria mas também já trabalhei como mestre de incoporação em centro espírita e estava meia receosa em juntar a mediunidade com prática mágica,mas as informações aqui passadas me deram mais segurança.

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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