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Mais uma vez a Roda do Ano gira, em seu ritmo inexorável e eterno... Deixo com vocês um verbete da Enciclopédia de Bruxaria, de Doreen Valiente, sobre Yule.





YULE

O Yule é a palavra anglo-saxônica para o festival do solstício de in­verno. Nossa celebração do Natal é composta de várias tradições diferen­tes, celtas, romanas e saxãs, com seu conceito total posteriormente adaptado para o Cristianismo.

O festival celta dó solstício de inverno era chamado pelos druidas de Alban Arthan, de acordo com a tradição dos bardos. Era nessa época que o Chefe Druida cortava o visco sagrado do carvalho, um costume que existe até os dias de hoje, com o uso do nosso visco como urna decoração de Natal. O Visco é geralmente proibido nas igrejas no Natal, por causa de suas associações com o paganismo. No entanto, em York Minister existia um costume diferente no passado, que Stukeley, o escritor do século XVIII sobre o Druidismo, observa: "Na Véspera do Dia de Natal eles levam o Visco até o Altar da Catedral e proclamam uma liberdade pública e universal, o perdão e a liberdade de todos os tipos de inferioridades, inclusive das pes­soas más nos portões da cidade, em direção às quatro divisões do Paraíso.".

Esse costume era sem dúvida uma lembrança dos druidas. York é uma cidade muito antiga, conhecida dos romanos corno Eboracum.

A ideia de organizarem o festival no solstício de inverno, para cele­brar o renascimento do sol, era tão universal no mundo antigo que os cris­tãos adaptaram a festa popular transformando-a em urna celebração do nascimento de Cristo. Ninguém sabe ao certo quando foi o dia do nasci­mento de Cristo, mas, ao celebrarem essa festa no meio do inverno, Cristo foi misticamente identificado com o Sol.

Os romanos celebravam o solstício de inverno com um festival alegre chamado Saturnalia. O solstício de inverno acontece quando o Sol entra no signo de Capricórnio; e Saturno, o governante de Capricórnio, supostamen­te também era o regente da antiga Idade de Ouro do passado, quando a Terra vivia em paz c era fértil, e todos eram felizes. Por isso nessa época do ano as casas eram decoradas com os ramos de árvores e arbustos ver­des, todos os trabalhos eram suspensos e as distinções sociais eram tempo­rariamente esquecidas na atmosfera das festividades. Os servos c os escravos ganhavam um banquete, e os mestres os serviam à mesa. As pessoas trocavam presentes, e o Satumalia passou a ser uma palavra usa­da para se referir a um divertimento alegre e cheio de contentamento.

Os saxãos pagãos celebravam a festa do Yule com muita cerveja e com fogueiras ardentes, de que nossa Acha de Natal é a última lembrança. Essa comemoração é a equivalente festa em locais fechados do meio do inverno das fogueiras ao ar livre da Véspera do Meio de Verão. Sua natu­reza ritual fica evidente pelo fato de que havia um antigo costume, "de sorte", de guardar um pedaço da lenha do Yule para acender o fogo do Natal do ano seguinte.

A palavra Yule, de acordo com Bede e várias outras autoridades dos tempos antigos, é derivada da antiga palavra escandinava Ltd, que significa urna roda. Nos antigos Almanaques Clog, o símbolo de urna roda era usado para marcar o Yuletide (época natalina). A ideia por trás disso é que o ano gira como uma roda, a Grande Roda do Zodíaco, a Roda da Vida, da qual os raios são as antigas ocasiões rituais, os equinócios e os solsticios, e os "qua­tro dias cruzados" do Candlemas, May Eve, Lammas e Halloween. O sols­tício de inverno, o renascimento do Sol, é um ponto de giro particularmente importante.

Por isso as bruxas modernas celebram o Natal com um grande dese­jo; somente elas o reconhecem como o Yule, um dos grandes festivais da Natureza dos antigos. Elas deploram o materialismo em busca de dinheiro que faz com que todos os sentimentos de felicidade do Natal sejam trans­formados em meros assuntos comerciais.

Alban Arthan, o Satumalia, Yuletide ou Natal, o festival do meio do inverno era uma festa tradicionalmente alegre. Com o renascimento do Sol, o provedor de calor, de luz e de vida, as pessoas tinham algo real que as podiam causar alegria, e todos os tipos de costumes antigos cheios de alegria, enrai­zados em um passado distante pagão, prosperavam no interior da Inglaterra.

As pessoas naquela época não tinham formas de entretenimento mecânicas, como o cinema, o rádio ou a televisão. Elas criavam suas pró­prias diversões, c mantinham antigos costumes porque de fato desfrutavam deles. O Natal durava 12 dias inteiros, ninguém voltava a trabalhar até a segunda-feira seguinte. Em muitos lugares, para certificarem-se de que todas as atividades de inverno eram celebradas, um Senhor da Anarquia era apontado, um tipo de rei imaginário da alegria.

É importante dizermos que o reinado do Senhor da Anarquia come­çava no dia do Halloween e terminava no Candlemas. Ambas essas da­tas são de Grandes Sabá; no Halloween, o Deus de Chifres, o principio da morte e da ressurreição, passa a existir no início da estação do inverno celta, enquanto no Candlemas os primeiros sinais da primavera aparecem.

As plantas verdes das decorações natalinas eram as folhas de arbus­tos, heras, viscos, o louro de perfume adocicado e o alecrim, alem de ramos verdes das árvores. No Candllemas, todas elas tinham que ser recolhidas e queimadas, ou diabinho passariam a assombrar a casa. Em outras palavras, nessa época uma nova maré de vida começava a fluir pelo mundo da natu­reza, e as pessoas tinham que se livrar do passado e olhar para o futuro. A limpeza da primavera era um ritual da natureza original.

As antigas peças com mímicas, que eram e em alguns lugares ainda são parte das festividades natalinas do Yuletide

Eles lutam e o cavaleiro das sombras cai, mas o vencedor imediata­mente demonstra que ele venceu seu irmão; a escuridão e a luz, o inverno e o verão, são complementares um do outro. Assim vem adiante o misterioso "Médico", com sua garrafa mágica, que faz reviver o homem morto, e tudo termina com música e festa. Há muitas variações locais dessa peça, mas a ação é substancialmente a mesma em todas elas.


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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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