Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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A Roda do Ano gira novamente e encontramo-nos na época de fins e recomeços. Samhain, celebrado no Hemisfério Norte a 31 de outubro e no Hemisfério Sul a 1° de Maio, marca o Ano Novo celta - ocasião em que o véu que separa o mundo visível do invisível fica mais tênue e nossos antepassados e familiares desencarnados podem voltar para nos visitar. É a melhor ocasião para contatar o Outro Lado, não com tristeza e pesar, mas com esperança e a certeza de que a vida e a morte são etapas de um ciclo sem fim.
Samhain não é um sabá estritamente solene. Nesta ocasião, espíritos, fadas, duendes e uma infinidade de seres míticos também andam por nosso mundo, pregando peças e se divertindo às custas dos mal-humorados. Este aspecto da celebração é regido pelo Senhor do Desgoverno, um aspecto do Deus que não tem limites éticos ou morais, só preza a diversão e o prazer.
Neste ritual, os aspectos dos deuses serão o Deus Agonizante que parte para o Reino das Sombras, e a Deusa, já madura, prepara o seu ventre para receber a essência do Deus.
As tradições deste sabá são bem conhecidas de todos: as lanternas de abóboras, que originalmente eram de nabos, são entalhadas com caretas assustadoras com duplo propósito - iluminar a noite e guiar os espíritos para o ritual e amedrontar os curiosos, que de longe, veem cabeças grotescas flutuantes na escuridão da noite.
Além disso, é costumeiro preparar um grande banquete e deixar um lugar vazio à mesa em homenagem aos mortos. Oferendas são feitas, poemas lidos, lembranças rememoradas...
No aspecto agrícola, Samhain marca a terceira e última colheita. Tudo o que restasse nos campos depois dessa data não poderia ser colhido, pois pertencia aos espíritos e demônios. A neve cobre a terra, os animais hibernam e a vida parece se extinguir. A ida do Deus para o Submundo é uma metáfora para a vida que adormece sob a terra e que é acordada quando a Deusa desce aos domínios escuros. É o tradicional mito da Descida da Deusa, que tem tudo a ver com este sabá. Você pode lê-lo aqui.

Vou postar um ritual mais simples dessa vez, retirado do "Livro Mágico da Lua" de D.J. Conway. Qualquer ritual pode e deve ser modificado por quem o faz, a não ser aqueles antigos e tradicionais de um determinado grupo, que já adquiriram uma poderosa carga mágica. Se não quiser, não precisa invocar nenhum espírito. Explore outros simbolismos do Sabá, como o mito da Descida. Tem outro ritual, que postei ano passado aqui, confira.



Esse ritual deve ser executado dentro de um círculo aberto e consa­grado para sua própria proteção. Além de seus instrumentos de praxe, você necessitará de: um caldeirão, uma vela preta, um prato com pão e sal e urna maçã. Abra seu círculo como de costume. Invoque os elementos e os deuses.

Com seu bastão na sua mão de poder, bata no caldeirão por cinco vezes. Diga:

Deusa Obscura, Senhor da Morte, eu peço suas bênçãos.
Ergam o véu para que possa saudar meus ancestrais,
Amigos e família que partiram, para seus domínios.
Permita que apenas os que me querem bem penetrem neste circulo.

Toque o prato com pão e sal com o bastão. Diga:

O banquete está preparado. Dou as boas-vindas a todos os ancestrais que me queiram bem.
O véu é esta noite erguido para que uma vez mais possamos nos divertir juntos em amizade.
O pão da vida, o sal da Terra foram preparados como um banquete. Enquanto comemos, que nos recordemos da presença eterna dos Deuses,
E que possamos também nos lembrar de que o que chamamos de morte
Nada mais é do que uma  efêmera existência
No ciclo do nascimento e renascimento.

Apanhe um pedaço do pão, mergulhe no sal e coma. Qualquer sobra deve ser após o ritual deixada no lado de fora da casa ou enterrada. Acenda a vela preta dentro do caldeirão.

Este é um momento de lembrança de todos aqueles que partiram
Para os domínios da Mãe Obscura.

Pense em silêncio em seus familiares, amigos e animais que partiram desta Terra. Diga a seguir:

O fino véu foi erguido.
Meus ancestrais me visitam para a Festa dos Mortos.
Agradeço pela sua presença e palavras de conforto.

Apanhe a maçã. Diga:

Bela Donzela, você que solta a semente da vida,
Vida que aguarda, oculta no caldeirão sagrado.
Mãe fértil, seus poderes maduros cuidam da semente
Fecundando-a e ajudando-a a se desenvolver.
Mãe Obscura, seu caldeirão mágico é a fonte da morte e do renas­cimento,

Uma experiência que todos nós continuamente experimentamos.
Que eu não tema, pois conheço sua delicadeza.
Eis aqui o símbolo secreto da vida na morte e da morte na vida,
O oculto e místico símbolo da Deusa Tríplice.

Corte a maçã transversalmente para revelar o pentagrama oculto no meio. Incline sua cabeça na direção do altar e diga:

Meus mais profundos agradecimentos às Damas tríplices.
Que eu sempre caminhe em paz ao seu lado.

Coma parte da maçã. Ponha o restante fora de casa como oferta para os pássaros e animais. Quebre o círculo e diga:

Este ritual está encerrado, o círculo quebrado.
O poder sai pra se manifestar.
Apesar de sua luz se extinguir,
Sou abençoado pelo poder em expansão.

**********************  FELIZ SAMHAIN!  **********************


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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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