Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Mabon,  ou Equinócio de Outono,  é comemorado entre 21 e 23 de março [este ano, em 20 de março]. Marca o fim das colheitas que irão garantir a sobrevivência durante os meses de inverno.  As noites e os dias se igualam novamente e a Deusa e o Deus são anciãos,  apesar dela ainda trazer no ventre o fruto de sua união sagrada.  O Deus prepara-se para a morte,  enquanto a Deusa assumirá uma fase de recolhimento,  durante a qual aguardará a vinda da Criança da Promessa.
           É o tempo final de escoamento das forças energéticas,  mas num nível mais perigoso.  Utilizar as energias de declínio em Mabon requer muita prática na Arte.   A origem dos ritos de Mabon é muito antiga e é quase certo que os celtas o tenham assimilado  através  de contatos com os gregos.  Nas antigas lendas de Perséfone,  encontramos ecos longínquos desse simbolismo.  O Mito da Descida da Deusa também nos remete a antigas celebrações realizadas em Eleusis,  onde a Deusa descia às profundezas da terra para encontrar o Deus,  surgindo novamente mais tarde para conceber o Filho da Promessa,  que renascia como a garantia do retorno da fertilidade e da vida.
          O período de recolhimento traduz-se no próprio recolhimento da força da Natureza. As árvores começam a perder suas folhas,  os campos novamente estão sem vida,  e o clima torna-se mais frio.  Tal recolhimento deverá ser observado também em nosso interior,  e devemos nos preparar para encararmos um novo e duro ciclo de declínio e morte.

SUGESTÃO DE RITUAL

A Deusa é a Dama da Abundância. Seu caldeirão, sua cornucópia, produz todas as coisas boas, uma abundância de bênçãos. O Deus é o Rei da Colheita. Sua união é frutífera e faz tudo sobre a Terra.
Vocês poderiam iniciar o equinócio do outono decorando a sala e o altar com flores e frutas da estação. Lancem o círculo e invoquem a Dama e o Rei de toda a Abundância. Uma vela apagada deve estar no caldeirão, ao centro. Ao redor da base da vela, espigas de milho. Acendam a vela, pronunciando:


Abençoados agora ao equinócio de outono, tempo da espiral dupla, da torção sobre o fio do destino, ao ponto silencioso na noite escura, onde há o renascimento da luz e da vida. Assim, todos viajam ao reino do inverno. E a colheita, o grão ceifado, nos sustenta por meio da estação, contendo as sementes que serão plantadas na primavera. Pois o círculo da vida não se quebra. Acendemos esta vela ao Sol minguante.


Caminhem sete voltas para a esquerda (na direção contrária aos ponteiros do relógio), ao redor do caldeirão. Em seguida em espiral, na direção do centro. Ajoelhem-se ou sentem-se de pernas cruzadas ao lado do caldeirão. Retirem dele as espigas de milho, dizendo:

Os tempos minguantes trazem a colheita.
Ao final, existem os frutos.
Enquanto viajamos pelo inverno, reino da morte,
os frutos da vida nos sustentam
e contêm as sementes
da vida nova. O mistério é visto,
em toda parte revelado, mas selado
no silêncio e na escuridão.

Olhem o milho. Fechem os olhos e procurem senti-lo como a essência do Sol e da Terra, contendo a vida nova. Aqui, na colheita, estão as sementes do próximo ciclo. Como são revelados os mistérios? Perguntem à Deusa e ela lhes indicará, se quiser. Vocês podem ter visões de ciclos, círculos, ou da escura viagem sublunar e, de volta outra vez, uma jornada labiríntica. Peçam para compreender o propósito disso, ou, dentro disso, o verdadeiro propósito da criação. Se vocês forem abençoados com o entendimento, já é uma colheita interior. Agradeçam por tudo que virem, abram os olhos. Levando o milho, caminhem sete vezes no sentido dos ponteiros do relógio, espiralados ao redor do círculo.
Coloquem as espigas sobre o altar. Mais tarde, elas podem ser amarradas com uma fita vermelha e penduradas, durante o inverno, em algum lugar da casa. Em frente ao altar, pronunciem:

Celebramos o ganho, os frutos
e toda a abundância da Terra,
dançando a espiral que sai e a espiral que entra.
Cada final é seguido de um começo.
Pausem, por momentos, e continuem:
O joio interno
nas sementes que crescerão
escondido está até a primavera,
O anel inquebrável do renascer.
A colheita sustém
até vir de novo a primavera.
Estação dadivosa,
as sementes permanecerão.

Repitam as duas últimas linhas como uma cantiga. Dancem movendo-se para a direita, alegremente, construindo um poder criativo, a dança da vida (não convém usar vestes largas por causa da chama nua). Coloquem a energia da terra em três cordões ou fitas que serão postas dentro do caldeirão. Trancem os cordões, no comprimento suficiente para ser usado como um colar. Depois amarrem as pontas, criando um círculo.
Enquanto trançam, visualizem a tecedura da rica colheita deste ano, e qualquer coisa ou tudo que dê esperança de vida sobre a Terra. Citem, ao tecer, as vitórias, mesmo as pequenas e simples, sobre questões ambientais; um livro que os inspirou; uma mudança na opinião pública quanto à exploração dos recursos naturais; uma guerra finda; um esforço criativo, bem-sucedido, alcançado por alguém ou por um grupo; uma conquista justa ou uma resolução de conflito sobre a Terra. Estas são as sementes do novo. São as estrelas do Círculo do Renascimento.Enquanto atam as pontas e completam o círculo, digam: O círculo é inquebrável. A vida nunca morrerá.
Ergam a trança fechada acima do altar, depois depositem-na. Mais tarde deve ser guardada num lugar seguro até o equinócio da primavera, quando poderá ser enterrada e, assim, magicamente, entregue à Terra, para o seu prosseguimento. Sentem-se em silêncio por algum tempo e pensem no feitiço que lançaram. Visualizem a Terra saudável. Visualizem a continuidade da vida. Quando estiverem prontos, retornem ao altar e agradeçam à Deusa e ao Deus por suas colheitas pessoais, pelo que colheram em suas próprias vidas. Coloquem uma oferenda — talvez um poema ou desenho que realizaram — sobre o altar. Então visitem os quatro "quartos", como fizeram no equinócio da primavera. Desta vez, tragam oferendas a cada "quarto", para agradecer.
No "quarto" leste, meditem a respeito da colheita de suas idéias, seus conceitos e realizações. Fechem os olhos e pensem em todas as novas idéias que tiveram no ano passado. Agradeçam aos Espíritos Guardiães do Ar e, a seguir, coloquem um punhado de incenso em brasas de carvão ou queimem mais incenso, em agradecimento.
Ao sul, cerrem os olhos e pensem em algum progresso, na saúde ou vitalidade, ou em algum sucesso, em aventuras, ou "pontos altos". Agradeçam quaisquer mudanças benéficas, depois untem a vela com óleo essencial, em oferenda. Derramem vinho ou caldo de maçã na água, como oblação. Ao norte, perscrutem e agradeçam as bênçãos manifestas que vocês colheram, os resultados físicos do trabalho feito em casa ou no jardim, artisticamente, criativamente, ou na sua profissão. Façam uma oferenda de pão e deixem no altar ao lado da pedra, ou sobre a travessa (ou pentáculo) com terra. No centro do círculo, ao lado do caldeirão, visualizem a maneira pela qual os elementos de sua vida se entrelaçam para criar a essência inteira do ser. Agradeçam por tudo que notarem ser uma nova integração em si próprios, em suas existências. Há algum princípio ou atividade que parece trancar o resto? Citem-no. Depois tirem o cordão branco de dentro do caldeirão. Como oferenda, ate-o com cinco nós, um para cada "quarto" e um para o centro, o ponto silencioso. Amarrem as pontas do cordão e guardem também para a primavera.
Meditem por instantes a respeito das perdas e ganhos em suas vidas. O que parece estar fugindo? Este é o tempo de soltar, com agradecimentos pelo que aquilo significou; ou propositalmente atirem fora o que não precisam mais, a bagatela. Mas sua colheita, pela qual agora mesmo agradeceram, contém as sementes do ciclo seguinte. Sintam o equilíbrio.
Após a comunhão, o círculo fica "aberto mas não rompido". Depois, abandonem o lugar entre os mundos e sigam na direção do outono.
FELIZ EQUINÓCIO DE OUTONO!


FONTES: Wicca Gardneriana - Mario Martinez
A Bruxa Solitária - Rae Beth

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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