Além do Físico

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Quando digo que sou pagão - que acredito em um Deus e uma Deusa, e em vários outros deuses; as pessoas costumam ficar boquiabertas, descrentes e dão pouco crédito à minha crença religiosa. Dizem: "Como pode não acreditar em Deus?! Deus é tudo!". Mas eu acredito em Deus! Só tenho uma forma diferente de fazer contato com a divindade.
Para bruxos e ocultistas, Deus é geralmente tido como "A Fonte" ou o "Grande Imanifesto". É a origem de todas as energias, formas, pensamentos e seres - que existem, existiram ou virão a existir. Mas para nós, essa Fonte não é necessariamente antropomórfica (semelhante aos humanos) e consciente. Sendo assim, é muito difícil estabelecermos contato mágico-espiritual com um Ser tão abstrato, sem nome, sem face, sem correspondências mundanas.
No entanto, metaforicamente falando, a Fonte original se dividiu em dois grandes rios (o Deus e a Deusa, polarizando todos os aspectos divinos em dois grandes grupos) e estes subdividiram-se em vários riachos e regatos (os diversos Deuses e Deusas de todas as Eras). Isso aconteceu justamente através da necessidade humana de estabelecer um contato mais direto com Deus - a mente coletiva da humanidade moldou os deuses com base em aspectos divinos preexistentes e tornou-os tão reais quanto qualquer santo católico, por exemplo.
Sabendo então que todos os deuses são reais e que apresentam existência dinâmica nos planos superiores (sutis) de existência, podemos passar à parte da invocação.
Invocar algo - um deus, uma qualidade, uma energia - é trazer para dentro de si este aspecto e, por correspondência, despertá-lo em seu próprio espírito. Isso é possível graças às Leis Herméticas, que explicam como estamos conectados ao Todo e somos emanações da Grande Mente Universal.
Depois de assimilarmos essa energia em nosso espírito, podemos então evocar (trazer para fora) os deuses em nossos rituais. Na Antiguidade, os Sacerdotes, Sacerdotisas e Pitonisas, dedicados à deuses específicos, utilizavam uma técnica semelhante à que vamos aprender, e canalizavam a sabedoria do deus, podendo fazer profecias e realizar grandes atos mágicos. É similar à incorporação mediúnica, os processos metafísicos envolvidos são os mesmos, só o que muda é a consciência maior que o mago tem e a categoria superior do ser invocado.
Mas para termos sucesso em uma invocação, é essencial conhecermos a fundo o aspecto da divindade com a qual vamos trabalhar. Isso é feito através da leitura dos mitos.
O magista deve memorizar cada e todo aspecto do deus em particular que ele esteja assumindo, incluindo os aspectos físicos encontrados em diversas gravuras de livros e esculturas, como as posturas, armas, emoções do "panorama" todo, quaisquer números associados com a deidade também são importantes. Quem são os inimigos do Deus, amantes, amigos e família? O magista precisa questionar seu conhecimento e estar apto a ser testado às pressas em qualquer aspecto do Deus em questão.
O segundo passo é reunir correspondências físicas para sintonizar a sua aura com a energia do Deus(a). Incensos, ervas, totens animais, cores de velas, símbolos, cristais... faça a seleção com base nos mitos e tabelas de correspondência, mas utilize o que fizer sentido para você. O importante é alcançar o estado mental apropriado para a invocação, e não apenas fazer oferendas suntuosas para "convencer" o deus(a) a  aparecer.


Trata-se de uma técnica complexa, que demanda um grau mágico de desenvolvimento mínimo para funcionar - concentração em períodos longos de tempo e visualizações complexas. Através dessas ferramentas e com o auxílio das correspondências, o corpo astral do magista será moldado para assumir a forma divina desejada.
Tenho recebido perguntas de leitores que têm ideias equivocadas a respeito da magia. Acham que é 8 ou 80. Na minha opinião, o maior "perigo" da magia é ela não funcionar, e o segundo é ela funcionar e fugir ao seu controle. Não adianta se iludir com feitiços e técnicas avançadas e trabalhar arduamente com o único propósito de dominá-las. Com o desenvolvimento mágico gradual, elas são o bônus, e não o objetivo. Se você não estiver pronto para esta técnica, utilize a invocação simples que estava acostumado a fazer. A parte da pesquisa dos mitos contribuirá com inspiração para escrever versos de invocação, e você conseguirá acessar a energia da divindade por correspondência, mas em escala menor.

Em minha experiência pessoal, só usei a assunção de formas divinas duas vezes, e a sensação é maravilhosa. A primeira foi com Tisífone, uma das Fúrias Gregas, que trouxe grande vigor ao meu ritual; e a segunda foi com Anúbis, deus egípcio dos mortos, que me ajudou a guiar espíritos perdidos. Nas outras ocasiões, a invocação simples foi suficiente para ter a assistência divina necessária no ritual.

Todo esse "esforço" trará recompensas. Aquilo que você obtém de um ritual é diretamente proporcional ao seu empenho em realizá-lo. Os ritos precisam de poder para funcionar, palavras em hebraico, grego ou latim e gestos cabalísticos não bastam. As invocações bem feitas trarão o poder de um deus ou deusa para o seu ritual e aumentará consideravelmente a sua efetividade. Além disso, com a assunção de uma forma divina, você bebe diretamente daquele aspecto da Fonte e adquire grande sabedoria. Depois de experimentar esta técnica, você pode despertar aspectos insuspeitados da sua psíque. Magistas e bruxos recebem inspiração para novos rituais e técnicas com a ajuda dos deuses de modo semelhante.

Como o post ficou extenso, postarei a técnica separada logo que possível. Enquanto isso, mãos à obra! Pesquisem sobre os deuses e redescubram seus mitos!


Fontes consultadas: 
Bruxaria Noturna - Konstantinos.

collegium.org.br/lux/assuncao-de-formas-deus

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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