Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Olá, sou Ramon, sou bruxo, e a partir de hoje estarei postando aqui no Além do Físico.


Com Lammas ou Lughnasadh, comemoramos as primeiras colheitas e a chegada do outono. Em nosso hemisfério é celebrado a 2 de fevereiro, e assinala o início do declínio do poder solar e do próprio Deus, que se torna um homem velho. Como Sabá centrado nos ciclos agrícolas, Lammas é importantíssimo, no sentido em que registra o sacrifício divino em prol da humanidade. O Deus doa sua força e seu poder, assumindo o papel de mantenedor e protetor da vida. O Deus é o fruto do ventre da Mãe, representa o trigo maduro pronto para o corte. Ele é ceifado, transformado em pão e consumido. Os produtos naturais, como o trigo e as uvas, são os maiores representantes desse momento místico, pois, transformados em pão e vinho, encarnam a essência do Deus sacrificado, oferecida no Sabá. Comer do pão e beber do vinho é o mesmo que ingerir a essência divina do Deus de Chifres, que deu a sua vida para nos prover de alimentos. O alimento sagrado e místico, compartilhado em comunhão no Círculo, é um dos mais antigos ritos da bruxaria, e que mais tarde foi usurpado pelo cristianismo.
Como tempo de colheita, devemos refletir que tal simbolismo se traduz em realizações tanto materiais quanto espirituais. Começamos a colher tudo aquilo que plantamos no início do ano crescente, agora transformado em realizações concretas e existenciais. Ao doar sua força e sua vida, o Deus enfraquece. Como uma época de enfraquecimento de poder, é o tempo ideal para realizarmos banimentos e afastarmos coisas indesejáveis, tanto em nível material quanto espiritual. O que desejamos ceifar de nossa existência? Trata-se de aproveitarmos a maré vazante do ano para fazermos com que determinadas coisas que não mais queremos sejam arrastadas pelo turbilhão natural de declínio.
Enquanto o Deus se transforma num homem velho, a Deusa, por sua vez, também se transforma numa mulher mais velha. A Natureza começa a enfraquecer, o calor do sol diminui, a exuberância da vegetação anterior cede lugar a uma paisagem mais amena, na qual se prevê ao longe a vinda do inverno.
 
Fonte: Wicca Gardneriana - Mario Martinez.

Sugestão de ritual
Na morte de Lammas, imaginem seu círculo, invoquem os elementos, o Rei e a Rainha. Por meio deles o tempo da colheita retornou. Agradeçam pelos primeiros sinais da colheita na vida e nos campos. Pois as duas coisas andam de mãos dadas, e como podemos frutificar se a Terra está desolada?
Quando se sentirem prontos a gerar poder, dancem no sentido dos ponteiros do relógio ao redor de uma vela apagada, posta dentro do caldeirão, no centro do seu círculo. A cantiga poderia ser assim:

Pelo Sol lamentamos
enquanto ele míngua.
As plantações permanecem.
Através do crespo milho,
a colheita é nascida,
e que a vida retorne.
Nossa Mãe Terra
traz à luz
a vida derramada
em calor e brilho.
Alternadamente, podem cantar algum poema selvagem e complexo de sua própria autoria.
Usem a vara para dirigir poder ao interior da vela. Ao acendê-la, digam: 
Agora deixe a luz iluminar, e a colheita amadurecer. Pois vivemos da terra, e apenas sua força e frutificação pode nos tornar ricos em saúde e fruição. Que o Sol brilhe em potência, em luz. Que o Sol derrame as bênçãos sobre a terra. Acendemos esta vela ao Sol.
Vocês devem ter uma tigelinha com óleo vegetal, de girassol ou qualquer outro, mas sempre o de melhor qualidade. Constitui uma oferenda. A tigela será de cerâmica simples ou de madeira. Consagrem o óleo, colocando-o de lado para a magia. Depois passem a tigela rapidamente pela chama da vela Lammas. Agora sentem-se de pernas cruzadas, perto do caldeirão, mirando fixamente o óleo. Todo óleo possui ligações simbólicas e práticas com o fogo, o calor, chamas, e assim com o Sol. E o Sol dá força e luz à Deusa-Mãe-Terra. Digam em voz alta:
Agora que o Sol derrama sua força sobre a Terra, que as plantações podem amadurecer, e que a colheita pode ser imensa, eu também ofereço minha força à Deusa, à Mãe Terra. Trago___ [por exemplo, minha intenção de proteger a Terra de piores danos, onde e quando puder].
 
Façam uma promessa sincera e soprem-na dentro do óleo. Visualizem a energia que emitem para o cumprimento desse voto. Vejam-no como um rio de ouro levado pelo seu hálito, que então se mistura ao óleo, carregando a corrente mágica de sua oferenda.
Depois andem ao redor do círculo, sempre para a direita, com o óleo até o altar.
Toquem-no na pedra ou pentáculo, assim oferecendo-o à Terra. Deixem a tigela sobre o altar e retornem ao caldeirão, sentados em silêncio, até estarem prontos para o próximo passo do ritual. Pensem na promessa; visualizem-na cumprida; e vejam as consequências frutificarem.
(Após findar o rito, joguem o óleo na terra do jardim.)
Agora retirem do altar a fruta silvestre, representando os primeiros rendimentos da colheita de suas vidas, urna indicação simbólica de esperança. Se for pintor, por exemplo, sua esperança seria a de produzir bons quadros. Se cultivar frutas, então seria literalmente uma colheita farta. Mas Lammas é também uma boa época para pensar sobre qualquer colheita a longo prazo, que se espere conquistar na vida. Vocês estão vendo alguns dos primeiros frutos?

Se não, suas esperanças precisam ser reavaliadas. Vocês se subestimam ou à vida? Sirvam o fruto caminhando da esquerda para a direita ao redor do círculo e a seguir sentem-se ao lado do caldeirão. Pensem na colheita e a visualizem. Que qualidades e que criação vocês esperam alcançar? Que "resultados" gostariam de obter na vida? Filhos? Feitiços bem-sucedidos para a cura da Terra? Sabedoria? Amor? A composição de música? Vistos nesta perspectiva, muitos dos problemas humanos revelam-se surpreendentemente irrelevantes. Pois a meditação Lammas mede os anseios diários contra um ideal de longo prazo.
Peçam em voz alta a colheita desejada, e coloquem o fruto no caldeirão, ao lado da vela.
Há talvez alguma razão para temer que a colheita enfim não se materialize. A maioria de nós, de certo modo, teme o fracasso. Por exemplo, uma pessoa pode querer pintar, mas não confia em seu talento; ou pode sentir-se culpada, já que a pintura rouba-lhe o tempo que poderia usar, nutrindo outros seres.
Peguem o athame na mão direita e com a outra retirem a vela e o castiçal do caldeirão.

Delicadamente, inscrevam as palavras (ou figuras simbólicas), expondo seus obstáculos, no dorso da vela. Use a ponta do athame. Não precisam ser perfeitamente gravados. O que conta é a intenção.
Digam: Enquanto a vela queimar e as palavras [ou figuras] desaparecerem, que minha___ [por exemplo, culpa] também se vá. Que se transforme, enquanto a cera se tornar chama, iluminação. Limpem a ponta do athame num pano, para retirar qualquer vestígio de cera.
Agora celebrem a colheita que chegou. Toquem música, dancem ou escrevam poemas, cantem, façam algo ou desenhem um quadro. O que fizerem, deverá ser feito com prazer.
Conscientizem-se de que aquilo que executarem com alegria e celebração, dentro do círculo, lhes dará maior criatividade na vida. Enterro e nascimento e pão; estes são os temas do Lammas, mas não é um tempo sombrio. Os primeiros frutos existem para ser degustados e para encorajar a esperança. São um sinal do que acontecerá na Grande Colheita.
A comunhão do Lammas é especialmente sagrada. Peguem um pão de fôrma (de preferência feito em casa, embora qualquer outro, de centeio, também sirva). Este é, ou será, o Pão da Vida, que cresce do sacrifício solar. É, essencialmente, a energia vital do Sol, renascida no pão.
Passem o pão pela chama da vela, depois carreguem-no ao redor do círculo (caminhando da esquerda para a direita), elevando-o em cada "quarto", e finalmente segurando-o bem alto acima do altar. Façam uma prece de consagração e invocação, algo assim:
 
Agora o Sol se desvanece, o milho será ceifado, o Deus morre. Ele é a própria vida e seu espírito penetra no milho e em todas as plantações e em todas as colheitas. Mudando, ele renasce, porque a 
vida nunca morre.
 
Cortem uma fatia do pão com seu athame. Antes de mastigá-lo, digam:
Eu, sacerdotisa (sacerdote) e Bruxa(o) como do Pão da Vida em benefício de todos os povos, para que todos sejam bem alimentados. Este é o Pão da Imortalidade. Embora tudo deva morrer, sei que por meio deste alimento renasceremos. De momento em momento, de ano em ano, de vida em vida, morremos e renascemos, transformados; não estamos separados nem, finalmente, sós. Pois este, o Pão da Vida, é o Pão da Comunhão.
 
Guardem o resto do pão para dividir com a família e os amigos.
Agora, consagrem e bebam o vinho.
Quando estiverem prontos, agradeçam à Deusa e ao Deus por terem abençoado o rito e agradeçam aos Espíritos Guardiães, dizendo, Salve e adeus. Abram o círculo. Vocês são sábios e abençoados. Comam o Pão da Vida com muita alegria.
Fonte: A Bruxa Solitária - Rae Beth
 

1 comentários:

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Qualquer coisa tenho telefones de contato.
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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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