Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Olá, pessoal! Último dia do ano, dia de todo mundo virar macumbeiro! (Menos os evangélicos... ) Fazer oferendas a Yemanjá, pular as 7 ondas, comer lentilha, uva, romã, vestir branco, etc... Mas será que funciona? Vamos analisar alguns destes costumes do ponto de vista esotérico.


Magicamente falando, não há nada nesta data que marque uma transição energética, como ocorre nos sabás - pontos de mudança das marés sazonais. Mas o efeito psicológico é enorme e criou uma egrégora própria, pois é inevitável não sentir nostalgia, reflexão, esperança, expectativa, etc, nesse dia. E como a magia é psicológica, ela realmente acontece para quem acredita.
As simpatias tradicionais são resquícios de feitiços antigos, dos quais restaram pouca ou nenhuma instrução precisa, apenas a lembrança de um ingrediente ou verso rimado. Assim, dificilmente o "Momentum of the Past" é acessado por pessoas comuns, isto é, aquela carga mágica acumulada por um feitiço ao longo do tempo quando é praticado por muitas pessoas. A pessoa deve possuir a chave mágica das sincronicidades que fazem o feitiço funcionar, deve entender quais os princípios ocultos envolvidos naquele ato e estar num estado mental propício para acessar a sua centelha divina, o que dificilmente acontece quando a pessoa está alcoolizada, no meio de uma multidão, com som alto e bagunça.

Assim também acontece com o uso das cores para atrair determinado sentimento ou atributo. As cores são uma forma de manifestação energética, possuem frequências específicas, análogas à energias sutis que vibram na mesma frequência em outros planos de existência. Assim, pelo Princípio da Semelhança, certas energias realmente são atraídas pela cor de roupas e acessórios, mas não é suficiente para causar mudanças reais na vida da pessoa quando ela usa aquela cor apenas na Virada e nem vê sentido naquele significado. Deve haver um impacto psicológico no ato de vestir aquela roupa e a crença de que a magia vai funcionar.

As sementes, não importando muito de que fruta sejam, carregam o simbolismo clássico do "semear e colher", bem conhecido de todos os bruxos que celebram a Roda do Ano e estão familiarizados com o mito de Kore/Perséfone e os Mistérios Agrícolas. A imagem mental do desejo, assim como a carga emocional, é transferido para o interior da semente... que deveria ser plantada na terra, e não ficar mofando na carteira até o fim do próximo ano. "Assim Abaixo, também Acima", plante no físico o seu desejo e ele se manisfestará na matéria, após passar pelos planos Mental (visualização clara e firme do resultado) e Astral (o desejo ardente, a expectativa e a emoção de que aquilo realmente aconteça).

7 ondas... 7 chakras... e você pula cada oportunidade de limpar seus centros de energia! O certo seria 7 imersões na água do mar, berço materno de nossa mãe Yemanjá, pedindo a ela que leve todas as energias desarmônicas de nossos sistemas energéticos. A água salgada, ou o banho de sal grosso equivalente, tem o poder de dissolver miasmas e energias densas da aura, é uma propriedade inata do sal, substância considerada no Ocultismo como incorruptível, naturalmente pura. Tanto que, quando um sacerdote ou sacerdotisa prepara a água sagrada para a purificação de um templo ou lugar de um ritual, ele(a) exorciza e abençoa a água, mas apenas abençoa o sal.
Quem inventou essa de pular as ondas devia estar com medo de se molhar e estragar a roupa.



Banhos de ervas e o uso de flores já traz uma base mágica real. Já postei aqui no blog sobre o Númen, a carga energética que as plantas e minerais carregam naturalmente, mas que precisa ser despertada conscientemente, pedindo ao Espírito da planta que permita o seu uso mágico para determinado fim. A colheita feita em uma hora astrológica e fase lunar favorável também é recomendada para maximizar os efeitos da erva.

Outras simpatias também trabalham no Princípio da Semelhança, como a de reunir 7 moedas e distribuí-las a parentes (você recebe de volta tudo o que emite, Príncipio da Ação e Reação também envolvido); o ato de subir numa cadeira ou superfície mais alta do que o chão, aspirando a níveis superiores de consciência. E assim por diante, com uma infinidade de rituais e magias simpáticas que podem funcionar se as Leis da Magia forem observadas. Quem se lembrar de outras simpatias, postem nos comentários e a gente continua analisando.

Seja por diversão, ou intenção verdadeira, faça suas mandingas, oferendas e simpatias. O importante é seguir suas crenças, respeitar a dos outros e fazer o que acha certo para conseguir o que deseja! Abençoados sejam e Feliz Ano Novo!

Hudson

Para quem não o conhecia, assim como eu, apresento-lhes Krampus, o Papai Noel qliphótico, ou o anti-Papai Noel.

Krampus é uma criatura mitológica que acompanha São Nicolau durante a época do Natal, segundo lendas de várias regiões do mundo. A palavra Krampus vem de Krampen, palavra para "garra" do alto alemão antigo. Nos Alpes, Krampus é representado por uma criatura semelhante a um demônio. Enquanto Papai Noel dá presentes para as crianças boas, o Krampus avisa e pune as más crianças. Tradicionalmente, rapazes se vestem de Krampus nas duas primeiras semanas de dezembro, particularmente no anoitecer de 5 de dezembro, e vagam pelas ruas assustando crianças e mulheres com correntes e sinos enferrujados. Em algumas áreas rurais, a tradição também inclui surras aplicadas pelo Krampus, especialmente em garotas.
As fantasias modernas de Krampus consistem em uma Larve (máscaras de madeira), pele de ovelha e chifres. A manufatura das máscaras artesanais demanda um esforço considerável, e vários jovens em comunidades rurais competem nos eventos do Krampus.
Em Oberstdorf, no sudoeste da parte alpina da Baviera, a tradição do der Wilde Mann ("o homem selvagem") é mantida viva. Ele é como o Krampus (exceto pelos chifres), veste peles e assusta crianças (e adultos) com suas correntes e sinos enferrujados, mas não é um assistente de São Nicolau.



A figura Krampus remonta à tradições germânicas pré-cristãs. Ele também compartilha características com os sátiros da mitologia grega . A Igreja Católica primitiva desencorajava celebrações com base em criaturas selvagens com formas de bode, e durante a Inquisição foram feitos esforços para eliminá-las. Contudo, as figuras de Krampus persistiram, e pelo século 17 Krampus havia sido incorporado nas celebrações cristãs de inverno, ao lado de São Nicolau.
Acredita-se que a tradição de vestir-se como Krampus surgiu como parte de um ritual de passagem de rapazes para homens. Eles seriam enviados para a floresta/montanhas com não muito mais do que um pequeno saco de provisões - semelhante a muitas tradições de passagem ainda encontrados em várias partes de todo o mundo. Ele volta para a aldeia depois vestido como Krampus, incorporando o espírito selvagem que trouxe consigo após este período vivendo como um animal selvagem na floresta. A tentativa de assustar as crianças era um teste de coragem para as crianças da aldeia, e também parte do seu processo de amadurecimento para demonstrar a sua bravura frente ao homem com chifres vindo das montanhas.

Embora Krampus tenha muitas variações, a maioria compartilha algumas características físicas comuns. Ele é peludo, geralmente marrom ou preto, e tem os cascos fendidos e chifres de um bode. Sua língua pontiaguda pende para fora da boca.

Krampus carrega correntes, para simbolizar a ligação do diabo pela Igreja cristã, as quais ele balança dramaticamente. As correntes são por vezes acompanhadas de sinos de vários tamanhos. Também proveniente de origem pagã é o açoite, um feixe de ramos de bétula que Krampus carrega e bate nas crianças ocasionalmente. O açoite têm significado em ritos de iniciação pagãos. Os ramos de bétula são substituídos com um chicote em algumas representações. Às vezes Krampus aparece com um saco amarrado a suas costas, onde carrega as crianças diabólicas para afogá-las, comê-las ou levá-las para o inferno.

Em algumas versões, Krampus tem uma conotação sexual, semelhante a dos sátiros, e é dito que perseguia mulheres peitudas. 



Krampus é uma releitura de uma entidade pagã conhecida como Percht ou Perchta.  Bartl,  Ruprecht, Knecht Ruprecht, são alguns dos muitos outros nomes de Krampus. Perchta era uma deusa pagã da região alpina, que aparece em duas formas: ou sedutora belíssima, branca como a neve, ou como um demônio em trapos.  A ela cabia a vigilância dos animais no início do inverno e a visita às casas para se certificar de que a fiação da lã estava sendo feita corretamente.  Seu dia festivo era o dia 6 de janeiro e sua festa foi incorporada às festas da Epifania no calendário cristão.


Deusa germânica Perchta
FONTES: Artigos do Wikipédia e consulta do artigo do blog Peregrina Cultural 

Como vocês podem perceber, Krampus é fruto de uma tradução limitada e maniqueísta de uma tradição pagã preexistente feita pela Igreja Católica. Originalmente carregava muita semelhança com o Deus Cornífero pagão, principalmente no seu aspecto de Senhor do Desgoverno, como visto na época de Samhain - o "Trickster", aquele que prega peças. Ele simbolizava a ação fatídica da Natureza sobre as plantações, destruídas pelo frio rigoroso e entregue aos espíritos do campo após o tempo certo da colheita.
Imbuído de uma carga moralizante, é incorporado nas festividades natalinas cristãs como mais um lembrete de que o pecado leva ao inferno e todos devem se submeter às leis da Igreja...


 Olá pessoal! Achei um vídeo interessante no Youtube e venho compartilhar com vocês. São duas paixões minhas: Química e Bruxaria! O vídeo faz uma introdução sobre a Inquisição, explica quais são os princípios ativos dos ingredientes usados em poções pelas bruxas medievais e desvenda o mistério dos vôos sabáticos. Vale a pena dar uma conferida:



Olá, pessoal! Vocês sabem que amanhã é um dia muito especial, ocorrerá o alinhamento dos planetas, os polos magnéticos da Terra serão invertidos, Portais Estelares serão abertos depois de mais de 10 mil anos e o ciclo atlante de destruição se repetirá novamente... STOP! Espero que os leitores do Além do Físico não acreditem nessas conspirações e bobagens esquisotéricas e se concentrem no que realmente é importante: a Roda do Ano gira mais uma vez, trazendo as energias sazonais do sabá de Litha, o Solstício de Verão. 
Já abordei a parte teórica dessa celebração no post do ano passado, que conta com uma sugestão de ritual do livro "Dança Cósmica das Feiticeiras". Hoje trago para vocês o ritual que adaptei para a minha celebração no ano passado, enfocando o tema do Rei do Azevinho e Rei do Carvalho. Espero que gostem e façam bom proveito!

Ritual de Litha


Reunimo-nos neste dia com muita alegria para celebrarmos mais um girar da Roda. O Sol atingiu o máximo de seu calor e potencial, marcando o fim da maré crescente de poder, o fim do reinado do Rei do Carvalho. Todas as sementes plantadas são despertadas pelo calor do desejo divino, todas as flores desabrocham em júbilo pela vida que se manifesta em toda parte. As nuvens despejam chuvas torrenciais, mantendo o equilíbrio com o fogo solar. Mas na Natureza tudo é cíclico, tudo passa, tudo se renova. É tempo do Rei do Azevinho reclamar o trono que é seu por direito, o poder deve reclinar para a Terra repousar e garantir a continuidade do ciclo. E a Deusa, Senhora da Vida e da Morte, preside os Mistérios da Natureza; pois assim foi desde o princípio e assim será até o fim dos tempos. Festejemos então, em nome da Senhora das Rosas e do Deus Galhado.

Traçar o Círculo:
"Traço este Circulo mágico de poder para nos proteger neste ritual; aqui nada entra sem ser convidado e nada sai sem ser liberado. Traço um lugar fora do tempo e fora do espaço, Entre Mundos, para comungar com os Deuses e praticar a verdadeira magia. Que este Círculo Sagrado contenha o poder que elevaremos em seu interior, pelo que o consagro em nome da Deusa do Verão, Litha, e seu Consorte, o Cornífero. Que assim seja e que assim se faça pelo poder de minha palavra e dos Deuses."

Invocar os elementos.

Invocar a Deusa:
"Oh, Deusa da Abundância,
Senhora das Rosas Vermelhas,
Teu hálito doce é a brisa suave que ondula a relva,
E desperta as flores de seu sono tranquilo,
desabrochando em beleza e perfume
com o calor do desejo do Sol.
Oh Deusa Amada, venha para nosso ritual
dance conosco e celebre conosco.
Que possamos ser Um contigo,
para compreendermos os Seus Mistérios
e girarmos a Roda da Vida!
Deusa Litha, nós te invocamos!"

Invocar o Deus:
"Oh, Poderoso Deus do Sol,
Galhudo indômito dos bosques,
Teu desejo selvagem é o fogo solar
que aquece a Terra e provê a Vida.
Onde tua semente cai na terra,
os Pequeninos dançam nos anéis de cogumelos
no êxtase que atravessa mundos.
Oh Deus silvestre, venha para nosso ritual
dance conosco e celebre conosco.
Que possamos ser Um contigo,
para integrarmo-nos com com os ciclos da Natureza
e mantermos a Roda sempre Girando.
Rei do Carvalho e Rei do Azevinho, nós te invocamos!"
Encenação do mito:

Desde o início dos tempos, a Deusa da Lua e das Estrelas despertou amor e desejo no Deus Galhudo das Florestas. Assim como Ela se mostra de muitas maneiras, o Deus tem duas faces: o Rei do Carvalho e o Rei do Azevinho. Irmãos e rivais, em luta eterna pela atenção da Deusa.
Encontramo-nos no Solstício de Verão, o calor chega ao ápice, na máxima expressão de Vida na Terra. O Rei do Carvalho tem governado até então, na maré crescente do ano. A Deusa aprecia a abundância de vida e cores na Natureza, deseja em seu íntimo que sempre fosse assim. Mas Ela é a Senhora dos Mistérios da Vida, da Morte e do Renascimento; Ela sabe que os ciclos são essenciais para a evolução de todos os tipos de vida e a manutenção do equilíbrio natural. Assim sendo, Ela vai ao encontro do Rei do Carvalho, no interior da mais densa das florestas, onde carvalhos milenares imperam dominantes.
Uma onda de poder e emoção vibra quando se encontram, a familiaridade d’Aqueles que se amam mais do que é possível imaginar.
- Minha Amada Deusa! É o maior dos prazeres receber a sua visita! A que devo tamanha honra?
- Meu estimado companheiro, sabes que tão bem quanto eu o motivo de minha vinda. Preciso lembrá-lo de seu dever. Seu reinado se aproxima do fim, você precisa deixar o trono.
- Mas Minha Deusa, não vê como a floresta pulula de vida enquanto reino? Há alimento farto para todos os animais, eles se reproduzem e são felizes! Porque eu deveria deixar que tudo isso acabasse?
- A Vida se mantém em ciclos: Nascimento, Crescimento, Maturidade, Reprodução e Morte. A tua semente repousa em meu ventre, para garantir que você esteja vivo e forte para reinar no próximo ano. Se assim não fosse, você não existiria, e a Natureza adormeceria num sono eterno, sem jamais despertar.
- Mas juntos nós podemos fazer com que tudo isso dure para sempre. Imagine como seria fabuloso um mundo em que o amor e o prazer são os únicos sentimentos existentes, onde a dor da Morte nunca fosse sentida!
- Se assim fosse, outros espíritos nunca teriam a chance de experimentar a Vida, não haveria sentido para a reprodução, tudo se tornaria estático e desprovido de significado. Os Mistérios da Vida e da Morte devem ser experimentados por todos os meus filhos, pois esse é o caminho para chegarem até a mim.
As palavras da Deusa eram carregas de tamanha sabedoria e profundidade ancestrais que os olhos do Rei do Carvalho se encheram de lágrimas de compreensão.
- Tens razão, como sempre, Amada Deusa. Enfrento o meu Destino de frente e cumpro meu dever perante a Senhora. Que venha o meu rival!
Calmo, silencioso e taciturno, o Rei Azevinho surgiu entre as folhas. Seu olhar era firme, seus lábios cerrados pareciam esboçar um sorriso incompreensível, resistente, único.
O Rei do Carvalho se pôs de pé no mesmo instante. Saudaram-se cordialmente, pois apesar de serem rivais, eram irmãos e estavam cientes de seus deveres.
Deram início ao combate. Eles se igualavam em força e determinação. O Rei do Carvalho estava no auge do seu poder e seus galhos eram fortes e resistentes, mas o Rei do Azevinho esteve se preparando nos últimos seis meses, seus galhos eram finos, mas muito ágeis.
A luta se prolongou por algum tempo, pode ter sido minutos, ou exaustivas horas. Naquele bosque o tempo passava de um modo peculiar. De repente, num movimento fluido e rápido, o Rei Azevinho fere fatalmente o Rei Carvalho. Este cai, e é amparado pela Deusa.
Ela não chora, sente-se orgulhosa por seu filho e amante ter se sacrificado para manter a Vida. Mas seus olhos brilham marejados quando o espírito imortal do Deus parte para o Oeste, o Outro Mundo, onde aguardará até que esteja pronto para renascer como a Criança da Promessa.
Ela se levanta e olha para o Rei do Azevinho. Trocam um olhar intenso, em que se pode discernir reverência, admiração, comprometimento... e amor. Ele é face mais sombria de seu amado, mas com ele compartilha uma intensidade inexplicável, que não se traduz pelo contato físico apenas, mas pela sabedoria conquistada através de Eras.
Ele assume seu lugar no trono e Ela o coroa com uma guirlanda de azevinho, de folhas verdes viçosas e frutos escarlates. Dali a algum tempo, quando o Outono e o Inverno chegassem, aquelas seriam as únicas cores visíveis na floresta, além do branco majestoso da neve.
O Sol já havia se posto a Oeste e logo a Lua apareceria a Leste, então ela partiu para o céu, vestindo seu manto negro salpicado de estrelas e coroado pelo disco de prata. A Roda havia girado mais uma vez...

O facilitador do ritual agora executa a peça dramática da luta entre as forças da Luz e das Trevas. O talo de erva-doce representa os poderes da Luz e a arruda representa os poderes das Trevas. Segure os dois talos na forma de um X diante de você. Começando pelo quadrante leste, caminhe em volta do Círculo e termine no norte, diga: NO DIA DO SOLSTÍCIO AS FORÇAS DE LUZ E ESCURIDÃO LUTAM ENTRE SI PELO EQUILÍBRIO DO UNIVERSO. EMBORA A LUZ TENHA ATINGIDO O AUGE DE SEU PODER, HOJE COMEÇA O REINADO DAS SOMBRAS. O REI DO CARVALHO É DESTRONADO PELO REI DO AZEVINHO.
No final, quebre o talo de erva-doce e levante o de arruda, em sinal de vitória. Diga: ABENÇOADO SEJA O PODER DA LUZ, QUE MANTÉM A VIDA.
ABENÇOADO SEJA O PODER DA ESCURIDÃO, QUE MANTÉM O EQUILÍBRIO E TRAZ REPOUSO.

Acenda o fogo ritual, dizendo:
“Acendo os fogos do verão em honra aos poderes da Luz, para que espantem toda a negatividade, o ódio, a amargura e a mágoa, para que quando as Trevas dominarem, possamos descansar em paz, na espera do renascimento.”

Os participantes do ritual passam através do fogo, fazendo um pedido e deixando seus medos para trás.
Agora os participantes começam uma dança deosil pelo círculo, cantando:

“Dance para o Sol em glória,
Dance para a passagem do Rei do Carvalho,
Dance para o triunfo do Rei do Azevinho–
Dance, Senhora das Rosas, dance -
Dance, Senhora do Verão, dance -
Dance, Senhora da Vida, dance .”

Enquanto cantam e dançam elevem o poder num cone, para libertar os poderes da luz. Pegue um pouco de erva-doce e jogue no fogo ritual, dizendo:

“Liberto o poder da Luz, a força crescente,
Pela qual exorto você, ó Sagrado Éter de nosso mundo.
Que esteja livre de todo o mal e negatividade.
Eu o exorto para o bem de toda a vida neste nosso mundo.”

Continue dançando por mais alguns instantes, sentindo o poder da luz ser liberado no éter.
Agora todos descansam e se preparam para entrar em transe e fazer uma viagem livre.
Pensem no que está dando satisfação às suas vidas. A música? O amor? Um passeio pelo campo solitário? Livros? O jardim? Se são muitas as coisas, pensem nelas como um todo. Pensem especialmente sobre alguma visão de prazer que possam ter sentido ao beber o vinho. É o destino do Deus Solar, e o de vocês também, que será transformado pelo prazer. Vamos dizer que, para um de vocês, a maior satisfação atual é o aprendizado deste trabalho de bruxaria. Para outro, é um novo relacionamento. Você está amando. Cada um deve pensar nisso (ou no que melhor lhe aprouver), sentindo a energia de sua paixão que sobe como uma chama e leva às mudanças.Visualizem essas mudanças. Imaginem-nas como se já tivessem ocorrido. Procurem ver suas vidas no futuro. Pensem nas medidas que precisam tomar para a concretização destes passos; ou melhor, procurem vislumbrar, intuitivamente, o que devem fazer. Em silêncio façam suas promessas à Deusa a respeito dos passos necessários.

Quando todos voltam do transe, o facilitador do ritual prossegue com a benção dos Bolos e Vinho.
Aponta o athame para a taça e diz:
"Assim como a Lança está para o Graal, o Athame está para o Cálice. Masculino e feminino, Sol e Lua, Céu e Terra, Deus e Deusa... juntos na mais bela união do amor! Abençoado seja este vinho com a essência sagrada do Deus de Chifres e da Deusa das Três Faces!" - Introduz a lâmina no cálice.

Aponta a varinha para os bolos:
"A essência da Vida se transforma, mas carrega sempre o calor do desejo do Sol. Abençoado seja este alimento, que veio da Terra para nos sustentar!" - Traça um pentagrama de invocação da Terra.

Partilham-se as bebidas e alimentos, troca-se impressões sobre o ritual e permite-se a todos um momento de descontração.

Despedida do Deus:
"Ó Deus Cornífero,
Rei do Azevinho a partir de então,
agradecemos-lhe pelas bençãos deste ritual e pela alegria em celebrar mais um girar da Roda.
Abençoado seja tu, que mantém o equilíbrio da Natureza e nos sustenta.
Despedimo-nos de ti com alegria e gratidão, podeis partir deste Círculo."

Despedida da Deusa:
"Ó Deusa do Prazer,
Senhora das Rosas do Verão.
agradecemos-lhe pelas bençãos alcançadas
neste ritual e pela alegria em celebrarmos mais um girar da Roda.
Abençoada seja tu, que governa os Mistérios da Vida e da Morte, sempre em harmonia.
Despedimo-nos de ti com alegria e gratidão, podeis partir deste Círculo."

Despedida dos Elementos e abertura do Círculo.

Ontem uma leitora do Além do Físico me perguntou se seria possível conciliar Espiritismo e Bruxaria, levando a essa encruzilhada que muitos praticantes encontram ao longo do Caminho - escolher apenas uma religião, crença ou prática e manter-se fiel à ela ou tentar experimentar todas as rotas possíveis simultaneamente...


Há algum tempo atrás eu seria taxativo e diria que é impossível. Ao longo da minha breve vivência na bruxaria, sempre via neófitos fazendo exatamente essa mesma pergunta aos Iniciados mais experientes e recebendo um grande e indiscutível NÃO.
Foi assim que decidi abraçar a Bruxaria de vez e deixar o Espiritismo, que havia sido uma boa base para mim até então, mas que não oferecia o que eu precisava. O mesmo aconteceu com uma Ordem da qual eu era membro e que, apesar de não ter fundamentos religiosos explícitos, me deixava desconfortável pelos pequenos atos e símbolos que carregavam intrinsecamente um teor religioso. Eu sentia que estava traindo os deuses e que o meu compromisso maior era com eles; então também a abandonei.
Assim, pratiquei a Bruxaria exclusivamente por dois anos e estava em casa... até o último inverno. Essa é a época do ano que eu mais gosto, mas que devido à aparente falta de movimento e ação físicos, traz à tona um monte de questionamentos espirituais, assim como foi também no inverno anterior. Quem acompanha o Além do Físico há mais tempo acompanhou essa fase, a qual eu chamava de "Ordálias Iniciáticas". É um termo utilizado no Ocultismo, na Bruxaria teria seu equivalente como a "Noite Negra da Alma", e na Kabbalah, o Abismo de Daath. Todos designam aquele momento em que o Iniciado, pensando ter alcançado a Iluminação, a plenitude de sua Caminhada, encontra um abismo e um dilema: pular dele, deixar para trás antigas convicções e falso moralismo e morrer ou dar meia volta e permanecer em seu porto seguro, sem arriscar. Em Ordens ocultas, esse processo é muito complexo e leva anos para acontecer, estou fazendo apenas um paralelo de uma situação semelhante, mas muito menos intensa.
Em minha "Noite Negra da Alma", eu senti um Vazio muito grande, uma falta de um não-sei-o-quê nos rituais, na minha prática pessoal. Percebi que estava no "modo automático" há muito tempo e que fazer rituais por fazer não satisfazia aos deuses e nem a mim. Então pulei do Abismo.


E renasci com uma consciência muito mais ampla e menos preconceituosa. Voltei a frequentar centros espíritas ocasionalmente, iniciei o curso prático de Apometria, onde comecei a desenvolver minha mediunidade, comecei a estudar Ocultismo com mais liberdade e até passei a utilizar um ritual que antes nunca teria aceitado praticar: o Ritual Menor do Pentagrama (RMP). É o ritual mais básico e conhecido na Magia, carregado de simbolismo que eu julgava como judaico-cristão, mas que agora vejo como arquétipos universais que podem ser acessados por todos.
Agora eu devo dizer como conciliar tudo isso de uma forma mais ou menos coerente, e não como uma salada mista confusa, tornando-se um "esquisotérico". O primeiro requisito é abrir seus horizontes conscienciais, despir-se de todos os preconceitos e de coisas que você ouviu falar que é errado. As pessoas tem a mania de dizer sempre "isso é errado, isto é certo!", no maniqueísmo que caracteriza a sociedade judaico-cristã em que vivemos. Preto ou branco, não há o cinza. Claro que há! Há maravilhosos e infinitos tons de cinza a serem explorados. Certo ou errado são conceitos absolutamente subjetivos, suscetíveis à análises parciais sob alguma ótica específica. A não ser que essa pessoa realmente passou pelo Abismo, e nem digo o pequeno Abismo que experimentei, mas aquele real experimentado em Ordens Iniciáticas, ela tem preconceitos e julgamentos falhos, como qualquer outro. Então, ouça seu coração, seu espírito e ali estará a SUA verdade.
O segundo requisito é saber interagir com as egrégoras de forma metódica e racional. Isso significa não misturar práticas ou crenças. Cada uma é coerente e verossímel em si mesma (pelo menos até certo ponto e não vou entrar no mérito das "religiões" da salvação), cada uma se liga ao Divino de forma distinta, mesmo que no caminho utilizem-se das mesmas energias e arquétipos, apenas com nomes e aparências diferentes. Assim, é preciso dedicar à cada dia uma prática e naquele momento esquecer de todas as outras. Vestir as roupas ou paramentos específicos, realizar as purificações de cada sistema, invocar os deuses de determinado panteão... são as formas de se conectar com uma egrégora. Para interagir com outra, é necessário despir-se da anterior, das vestes físicas e espirituais, e então fazer os procedimentos equivalentes naquele sistema.
Mesmo que Ogum, São Jorge, Ares, Marte, Hórus, etc. expressem a mesma energia masculina, marciana e ativa da Guerra e do Fogo, cada um está revestido das caracterizações culturais próprias e são contatados de maneira diferente.
Eu receava que, seguindo vários caminhos ao mesmo tempo, a Presença Oculta que me acompanha se distanciaria em reprovação. Mas pelo contrário, já pude constatar que uma das sacerdotisas que participam de meus rituais é a mesma guia que me assiste nos trabalhos apométricos.
O terceiro requisito é o estudo. Tão importante quanto os outros, ou até mais, o estudo é que possibilita a ampliação da consciência e o entendimento das correspondências mágicas entre arquétipos, símbolos e rituais, que é a chave para a conciliação harmônica de sistemas diferentes. Para tal, recomendo a Kabbalah Hermética, que tem foco principalmente na Árvore da Vida, um diagrama extremamente rico e versátil que pode explicar toda a vivência humana, seu inconsciente coletivo, suas religiões e deuses.
E por fim, faço uma ressalva. A coerência. Sejamos coerentes e admitamos que para tudo há um limite e no meu entender, não há meios possíveis de se conciliar religiões que claramente são opostas, como por exemplo, Evangelicalismo e Bruxaria. Defender o contrário é sofrer o inevitável choque de egrégoras e perturbações espirituais, além da instabilidade na fé pessoal. Assim, desejo sorte aos que passam pela mesma situação e a Benção dos Antigos!

Hudson

Uma forma-pensamento é uma imagem mental criada pela mente. Ela recebe substância no material astral etéreo e é animada pela consciência intrínseca do que nela seja invocado. Essa é a base metafísica do auxiliar mágico ou familiar do bruxo. Em essência, as formas-pensamento são compostas por uma combinação de energia gerada pelo corpo físico e imagens mentais criadas pela mente (concentração/visualização).

A forma-pensamento deve ser constantemente alimentada com energia para que continue sua existência nos estágios iniciais da criação. O perigo aqui é que, se a forma não recebe energia do seu criador, ela poderá obtê-la de outra fonte nos Planos. Isso não é recomendável, uma vez que ela pode ser possuída por uma consciência que habite os Planos (ou um espírito preso à terra), ou pode ainda tornar-se uma espécie de íncubo ou súcubo. No último caso, ela atrairá energia de seu criador e pode trazer fadiga ou até mesmo doença. Portanto, quando uma forma-pensamento é gerada, ela deve sê-lo de modo que determine a duração de sua existência e o método de seu fim.

Através da criação de formas-pensamento, uma pessoa pode transmitir influências, estabelecer proteção temporária a um lugar, objeto ou pessoa, e criar um auxiliar útil no plano mental ou astral (as esferas de influência). O procedimento básico para a criação de uma forma-pensamento simples é a que se segue:

1- Confeccione ou compre uma estátua ou imagem que corresponda à natureza que deseja que sua forma-pensamento possua (por exemplo, um lobo para proteção). Deixe a estátua oca e preencha-a com areia ou líquido. Pode-se ainda depositar um pequeno recipiente com líquido na base da estátua.

2- Posicione a estátua diante de você e sente-se numa posição confortável [só pra lembrar, respirar, concentrar, estender raiz pra Terra, entrar em alfa são coisas que sempre se faz, e que, quando não são ditas, são pressupostas. Não se faz magia sem isso. A seguir, visualize uma esfera de luz sobre a sua cabeça. A cor da luz deve simbolizar a natureza do efeito que deseja.

3- Mentalmente, atraia a luz à sua cabeça e deixe-a diretamente entre suas sobrancelhas. Concentre-se profundamente na estátua e em sua natureza. Use a Respiração Ódica e a técnica de Informação para fortalecer a forma-pensamento.

4- Dê à forma-pensamento um nome que seja apropriado ao trabalho que ela efetuará pra você. Diga em voz alta: "Eu o nomeio___".

5- Instrua verbalmente a forma-pensamento, dizendo a ela quando trabalhar (hora do dia e da noite), onde trabalhar, por quanto tempo, e quando terminar. A seguir, instrua-a a extinguir sua existência em um determinado dia e hora. Não prolongue a existência de uma forma-pensamento por mais de sete dias.

6- Liberte a forma-pensamento, instruindo-a a prosseguir. Diga-lhe para retornar à estátua quando precisar de mais energia, e quando não estiver trabalhando como instruído. A cada dia, você deverá alimentar a forma-pensamento ao transmitir energia à estátua (com a Respiração Ódica).

7- Quando chegar a hora de extinguir a forma-pensamento, remova lentamente o líquido ou a areia da estátua, derramando-o num buraco cavado no solo. Ao esvaziar a estátua, sinta a forma-pensamento dissolvendo-se e dissipando-se. Por fim, afirme verbalmente que a ligação está agora rompida e que a forma-pensamento está dissolvida. Esse passo é vital; não o omita.

Fonte: Mistérios Wiccanos - Raven Grimassi

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Como deve ter percebido, o método de criação de formas-pensamento tem as mesmas bases ocultas para a criação do Templo Astral. Na verdade, uma forma-pensamento pode ser criada para proteger o seu Templo, tornando-se o seu Guardião.
Sugiro que faça este ritual num Círculo Mágico completo, recomendo também a Verdadeira Invocação, ou seja, a assunção de uma forma divina para empoderar a forma-pensamento. Note que há duas maneiras de se criar formas-pensamento, uma é a descrita aqui, em que o poder é reunido e concentrado de uma só vez, e a outra, em que um ritual é repetido periodicamente, sempre nos mesmos dias, geralmente por um grupo de pessoas. Esse segundo método, na verdade, ocorre expontaneamente com muitos grupos que se reúnem regularmente com algum propósito específico, e acabam criando formas-pensamento sem o saberem. Mas como estamos fazendo isso de forma proposital, e na maioria das vezes, sozinhos, temos que aproveitar para reunir o máximo de energia possível no ritual de criação. Assim, utilize quaisquer técnicas de manipulação de poder com que esteja familiarizado para aumentar a potência da forma-pensamento, tais como magia sexual, correspondências astrológicas, ervas e cristais, etc. 
Também é possível utilizar a magia de Sigilos junto com a técnica de criação de formas-pensamento. Um sigilo pode ser a morada física da forma-pensamento, por exemplo.
As formas-pensamento assim criadas são muito semelhantes aos Familiares, servidores animais de magos e bruxas. A diferença é que os Familiares podem ter um período maior de existência, têm uma personalidade mais bem definida e uma amplitude maior de ação. Formas-pensamento não precisam necessariamente ter uma forma, e geralmente desempenham uma única função temporária. 
É importante destruir a forma-pensamento no prazo estipulado e não dar a ela uma forma que não precisa ter para a função que irá desempenhar. Por exemplo, uma forma-pensamento mensageira não precisa ter garras, caudas pontudas ou chifres... Se prolongar a existência dela além do necessário, a forma-pensamento começará a ganhar independência e precisará de cada vez mais energia, não importando de onde ela vem. Ela começará a vampirizar o criador e outros seres vivos para manter sua existência. É daí que surgem as lendas de íncubos e súcubos: formas-pensamento eróticas que "atacavam" à noite, alimentando-se de energia sexual.


Tal como um Patrono, em Harry Potter, uma forma-pensamento é criada pela Vontade e Imaginação do Bruxo e pode protegê-lo das criaturas das trevas...

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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