Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Númen Espiritual
Livro: Bruxaria Hereditária
Autor: Raven Grimassi


De acordo com antigos ensinamentos, em todos os objetos vive um poder conscien­te, conhecido como númen. Em algumas tradições não italianas, é referido como mana, embora na realidade mana não seja exatamente o mesmo que númen; os dois são semelhantes, exceto com relação à consciência. Mana é tradicionalmente visto como um tipo de energia bruta ou força, que pode ser recolhida e empregada com objetivos mágicos. Númen é uma força residente que é ao mesmo tempo energia e consciência. Númen tem uma percepção tanto de si mesmo quanto dos arredores; abriga um certo sentimento e é ele que responde dentro de um objeto quando se sente que é certo tocá-lo (aquilo que uma pessoa experimenta quando escolhe um cristal ou qualquer outro instrumento).
Quando os antigos ocultistas estabeleceram as correspondências mágicas, comu­mente associadas hoje a ervas e cristais, foi a emanação do númen especifico resi­dente que os induziu a fazer essas conexões. Esta é a razão pela qual plantas e cristais podem ter certas propriedades mágicas: é o poder de seu númen espiritual. É preci­so se comunicar com o númen, geralmente por meio de imagem visual e/ou sons (vibração), a fim de estabelecer o elo necessário para empregar seu poder, senão, tudo o que fica é um belo bloco de formação mineral ou uma perfumada pilha de material herbáceo morto. Em essência, o númen pode ser visto como uma centelha divina dentro da matéria; não é, entretanto, uma alma viva ou o próprio espírito, mas simplesmente um reflexo da consciência Divina. De certo modo, pode ser entendido corno uma impressão divina ou urna forma de energia contagiante, dei­xada pela mão da Fonte de Todas as Coisas. O Mana, por outro lado, é mais como urna radiação ou calor que emana do objeto — um vazio de ação independente e cujo efeito sobre outros objetos está limitado pela proximidade.
Uma das artes da Bruxaria é transmitir imagens mentais (formas de pensamento) ao númen; através disso, uma comunicação mágica se estabelece entre a Bruxa e o cristal ou erva etc. Feito isso, o objeto pode ser empregado de acordo com o desejo ou necessidade da Bruxa, como é costume com o lançamento de um feitiço e coisas simi­lares. No caso de ervas, é melhor começar com a semente e continuar com a imagem mental quando o broto aparece e a planta cresce totalmente. Deste modo, o númen da erva pode formar e condensar o efeito mágico necessário que se deseja dele.
Para a mágica do cristal, é preciso primeiro despertar o cristal antes de transmi­tir imagens mentais a ele, ou o efeito é enfraquecido e a carga é diminuída. Tradicionalmente, para despertá-lo deve-se bater no cristal três vezes com uma outra pedra (ou outro cristal), enquanto se olha para a lua cheia. O termo "desper­tar" neste contexto significa alinhar o cristal com a pessoa que o possui. Durante as cerimônias de iniciação, o iniciador pode bater no cristal do iniciante com seu pró­prio cristal três vezes e assim passar o poder para ele. Existe urna certa beleza em possuir um cristal que recebeu a carga do cristal de um iniciador (cujo cristal tam­bém a recebeu de outro e assim por diante).

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Synthema
Livro: Magia na prática para iniciantes
Autora: Brandy Williams

Synthema era o termo usado nos tempos helênicos para descrever os objetos que tinham o poder dos planetas trancados dentro deles. Atualmente reconhecemos que determinadas cores, pedras, plantas, animais e outros objetos contêm a energia dos planetas. Os Helenitas reuniriam um número de objetos que contivessem a energia do mesmo planeta, no desejo de recolher um tipo de massa crítica daquela força planetária, os synthema. Utilizamos esses princípios na criação dos trabalhos planetários hoje em dia. Por exemplo, se estou fazendo um trabalho do Sol, posso montar um altar, forrá-lo com um pano amarelo, colocar seis velas amarelas, acender um incenso de âmbar e usar uma joia de ouro.

A lenda da Descida da Deusa é um dos textos mais sagrados da teologia Wiccana. Ele nos ensina o sacrifício do Ego para atingir a plenitude do Verdadeiro Self, despojado de todas as máscaras de poder, autoridade, posição social, personalidade, crenças, status, etc; evidenciado no mito pela Deusa despojando-se de todos os seus acessórios e vestimentas por exigência dos Guardiões. Também transmite o ensinamento sagrado da reencarnação, parte natural e inexorável do ciclo de Vida e Morte, Criação e Destruição - sendo o Amor a força que controla os Mistérios.
A Descida da Deusa, acredita-se que tenha sido adaptada por Gardner do mito original da Bruxaria Italiana, divulgada por Charles Leland. Abaixo, as versões originais do mito:




A Lenda Strega da Descida
A Lenda da Descida, direto da Strega. Assim como Kore vira Perséfone, Tana vira Anthea. Mas, no começo do mito, ela ainda é Tana. Dis é a face sombria do deus Janus de duas faces, é o Sol do Mundo Inferior.

"Tana, nossa Senhora e Deusa, queria resolver todos os mistérios, até o Mistério da Morte. E então ela viajou até o Mundo Inferior em seu barco, no Sagrado Rio da Descida. Então sucedeu que ela chegou diante do primeiro dos sete portais para o Mundo Inferior. E o Guardião a desafiou, pedindo um de seus ornamentos como pedágio, porque nada pode ser recebido sem que algo seja dado em troca. E em cada um dos portais à deusa foi solicitado que pagasse o preço da passagem, pois os Guardiães disseram a ela: "Dispa seus ornamentos, e deixe suas jóias, porque nada você deve trazer com você neste nosso reino."

Então Tana abandonou suas jóias e sua veste aos Guardiães, e foi amarrada como todos os vivos devem ser quando buscam entrar no reino da Morte e dos Poderosos. No primeiro portal ela deu seu cetro, no segundo sua coroa, no terceiro seu colar, No quarto seu anel, no quinto seu cinto, no sexto suas sandálias, e no sétimo seu vestido. Tana ficou nua e foi apresentada diante de Dis, e tamanha era a sua beleza que ele ajoelhou-se quando ela entrou. Ele deitou sua coroa e sua espada aos pés dela, dizendo: "Abençoados sejam seus pés, que a conduziram por esse caminho." Então ele levantou e disse a Tana: "Fique comigo, eu imploro, e receba meu toque sobre seu coração."

E Tana replicou a Dis: "Mas eu não amo você, por que você faz com que todas as coisas que eu amo, e com as quais me delicio, feneçam e morram?"

"Minha Senhora", replicou Dis, "É contra a idade e o destino que você fala. Eu não posso fazer nada, porque a idade faz com que as coisas envelheçam, mas quando os homens morrem no fim de seu tempo, Eu dou a eles repouso, paz, e força. Por um tempo eles moram na lua, com os espíritos da lua; eles então retornam ao reino dos vivos. Mas você é tão adorável, eu peço a você que não retorne, mas permaneça comigo."

Mas ela respondeu: "Não, porque eu não amo você." Então Dis disse: "Se você recusa a me aceitar, então você deve se ajoelhar perante o açoite da morte." A deusa respondeu a ele: "Se tiver de ser, que seja, melhor assim!" Então Tana ajoelhou-se em submissão diante da mão da morte, e ele a açoitou com mão tão terna que ela gritou: "Eu conheço a sua dor, e a dor do amor."

Dis ergueu-a e disse: "Abençoada seja, minha Rainha e Senhora." Então ele deu a ela os cinco beijos da iniciação, dizendo "Só através disso você pode alcançar o conhecimento e a alegria."

E ele ensinou a ela todos os mistérios dele, e deu a ela o colar que é o círculo do renascimento. E ela ensinou a ele seus mistérios do cálice sagrado que é o caldeirão do renascimento.

Eles se amaram e uniram-se um com o outro, e por um tempo Tana morou no reino de Dis.

Pois há três mistérios na vida do homem que são: Nascimento, Vida, e Morte (e o amor contola eles todos).

Para sentir amor, você deve retornar no mesmo tempo e lugar que aqueles que você amou antes. E você deve encontrar, reconhecer, lembrar, e amá-los de novo. Mas para renascer você deve morrer e ser refeito em um novo corpo. E para morrer você deve nascer, mas sem amor você não nascerá entre sua gente.

Mas nossa Deusa se inclina a favorecer o amor, a alegria, a felicidade. Ela protege e guarda com carinho suas secretas crianças nessa vida e na próxima. Na morte ela revela o caminho para a comunhão dela, e na vida ela ensina a elas a magia do mistério do Círculo (o qual é colocado entre os mundos dos Deuses e dos homens)." 
A Lenda da Subida da Deusa
"Então veio o tempo, no Reino Escondido das Sombras em que Tana (Anthea) deu à luz a criança do nosso Grande Senhor Sombrio. E os Senhores dos Quatro Quadrantes vieram e olharam o Deus recém nascido. Então eles falaram a Tana da miséria do povo que vivia sobre o Mundo, e como eles sofriam em frio e escuridão. Então Tana pediu aos Senhores para levarem Seu filho ao Mundo, e então o povo rejubilou-se pois o Deus Sol havia retornado.

Assim sucedeu que Tana deu a Luz para o Mundo, e para suas muitas crianças. Então ela viajou de volta ao Mundo e foi recebida com grande celebração.

Então Tana viu o esplendor do novo deus quando Ele atravessava os céus, e ela O desejou. Mas a cada noite Ele retornava ao Reino Escondido e não podia ver a beleza da deusa no céu noturno.

Uma manhã a deusa levantou quando o deus ia ao Reino Escondido, e Ela banhou-se nua no lago sagrado de Nemi. Então os Senhores dos Quatro Quadrantes apareceram a Ele e disseram: "Olhe a doce beleza da Deusa da Terra." E Ele olhou pra Ela e foi fulminado por sua beleza e então Ele desceu sobre a terra na forma de um grande veado.

"Eu vim para brincar ao lado do seu banho.", Ele disse, mas Tana mirou o veado e disse: "Você não é um veado, mas um deus!" Então Ele respondeu: "Eu sou Faunus, deus da floresta. Quando eu fico sobre o mundo E também toco o céu e eu sou Janus o sol. Mas acima de tudo isso eu sou Tagni, o primeiro nascido de todos os Deuses!"
Tana sorriu e ergueu-se da água em toda a Sua beleza. "Eu sou Fana, deusa da floresta, e quando estou sobre você eu sou Jana, a deusa da lua. Mas acima de tudo isso eu sou Tana, primeira nascida de todas as Deusas!"

E Tagni pegou-A pela mão e juntos eles caminharam nos prados e florestas, contando os contos de seus antigos mistérios.Eles se amaram e foram Um e juntos eles governaram o Mundo. Ainda que sempre apaixonada, Tana sabia que o deus iria logo passar so Reino Escondido e a Morte retornaria ao Mundo. Então ela deveria descer e abraçar o Senhor Sombrio, e dar à luz o fruto de sua união.
As Streghe são as descendentes dos Etruscos, e os Etruscos vieram da Síria, na Mesopotâmia. O mito de Kore/Perséfone veio de Creta, e a civilização cretense começou como uma colônia de Mari (Suméria). Daí a semelhança entre essa lenda Strega e a lenda de Kore com o mito da Descida de Ishtar.  
Chave interpretativa:
7 chakras ligados a 7 corpos sutis ligados a 7 planos de existência.
Decifre você mesmo. 

 Os Guardiões são parte fundamental da teologia secreta da Wicca, um aspecto muito misterioso e incompreendido da religião, principalmente para praticantes solitários. Poucos livros tratam do assunto, apenas Raven Grimassi dá uma noção geral sobre esses seres em seus livros Bruxaria Hereditária, The Ways of Strega e Os Mistérios Wiccanos. É deste último que retirei o texto abaixo. Para aqueles que não estão familiarizados com o assunto, ESTUDEM o texto, não apenas leia-o. Obs.: ao longo do texto, alternam-se as formas "guardiões" e "guardiães", ambas são corretas.



"[...]Então Diana dirigiu-se aos pais do Principio, às mães, aos espíritos que existiam antes do primeiro espírito[...]"
Charles Leland
Aradia - Gospel of witches

Neste livro, abordo as visões wiccanas acerca dos seres conhecidos como Guardiões. Apresento alguns aspectos das crenças wiccanas não compartilhados pelos Strega.
O fator-chave é que os guardiões, qualquer que seja o nome cultural empregado, já eram conhecidos na Mesopotâmia muito antes de italianos ou celtas virem a saber de sua existência.
Os Guardiães formam um conceito comum à maioria das tradições wiccanas, apesar de serem vistos de modo diferente pelos diversos sistemas da Wicca. Analisaremos suas mais antigas formas, remontando aos primitivos Cultos Estelares, bem como o moderno conceito dos guardiões como Regentes Elementais, conforme adotado em muitos sistemas wiccanos atuais. Entre os bruxos do sul da Europa, os Guardiães são conhecidos como Grigori, particularmente pelos bruxos Tanárricos da Itália, também chamados de Bruxos das Estrelas. A Tanarra preservou os antigos Mistérios Estelares, e é através de sua doutrina que podemos compreender quem realmente são os Guardiões num senso mais elevado. O fato de os antigos segredos estelares terem sido preservados na Itália fica evidente nos escritos de Américo Vespúcio. Ele descreve, com perfeição, a constelação do Cruzeiro do Sul e menciona que ele seria visível a partir da antiga Mesopotâmia.
Sua descrição foi escrita muito antes que qualquer navegante ocidental tenha navegado suficientemente ao sul para que pudesse avistar toda a constelação. Também foi escrita antes que qualquer ocidental pudesse saber que a constelação é completamente vista a partir da Mesopotâmia em tempos antigos.
No folclore da Itália, os Antigos são citados num antigo mito da Strega, no livro de Leland de 1890. Nessa lenda, encontramos as palavras: "Então Diana dirigiu-se aos pais do Princípio, às mães, aos espíritos que existiam antes do primeiro espírito..." Esses espíritos são os Grigori, também conhecidos em algumas tradições como Os Antigos.
Os Guardiães formam uma antiga raça que evoluiu para além das necessidades da forma física. Segundo as Doutrinas de Misteriosas, eles viviam, há um tempo, sobre a Terra e podem muito bem ser a origem da lenda da antiga Atlântida ou da Lemúria. Em algumas lendas, diz-se que os Guardiões teriam se originado das estrelas. Pode até ser possível que eles tenham uma ligação com o Antigo Egito. Nas doutrinas de mistério do Egito, uma das frases-chave para acessar o templo era: "Apesar de ser um filho a Terra, minha raça vem das Estrelas".
Nos antigos Cultos Estelares da Mesopotâmia, havia quatro Estrelas "Reais" (conhecida como Senhores), as quais eram chamadas de Guardiães. Cada uma dessas estrelas "regia" um dos quatro pontos cardeais comuns à astrologia. Esse sistema único deve datar aproximadamente 3000 a.C.. A estela Aldebaran, quando assinalava os equinócio vernal, mantinha a posição de Guardião do Leste.Regulus, determinado o solstício de verão, era o Guardião do Sul. Antares, assinalando o equinócio de outono, era o Guardião do Oeste. Fomalhaut, marcando o solstício de inverno era o Guardião do Norte.
Torres com símbolos dos Guardiões foram erigidas como forma de culto, e seus símbolos eram ali depositados como forma de evocação.

Tais torres eram chamadas de Zigurates (montanhas cósmicas), e crê-se que possuíam 270 pés de altura. Em parte, serviam de primitivos observatórios astronômicos, e eram construídas com sete terraços representando os sete planetas conhecidas na época. Durante os "Ritos de Chamada", os símbolos dos Guardiões eram traçados no ar usando- se tochas ou bastões rituais, e seus nomes secretos eram pronunciados.


Um zigurate é uma forma de templo, criada pelos sumérios e comum para os babilônios e assírios, pertinente à época do antigo vale da Mesopotâmia e construído na forma de pirâmides terraplanadas.
Nos Mitos Estelares, os próprios Guardiões eram deuses que protegiam o Céu e a Terra. Sua natureza, bem como seu "nível", eram alterados pelos sucessivos cultos Lunares ou Solares que substituíram os Cultos Estelares. Os gregos acabaram por rebaixá-los a Deuses dos quatro ventos, e os cristãos a principalidades do ar. Sua conexão com as estrelas é vagamente associada no conceito cristão de anjos celestes.
Os cabalistas os organizaram como Arcanjos, que deduzo derivarem do anterior conceito hebreu de uma ordem de anjos conhecida como "Os Guardiães”. De acordo com essa crença, os Guardiões eram governados por quatro grandes Guardiões chamados Michael, Gabriel, Raphael e Auriel. Sem dúvida, os hebreus emprestaram todo esse conceito de culturas circunvizinhas de natureza Estelar e Lunar. A religião dos hebreus era altamente eclética na antiguidade.
Em muitas tradições da Wicca, esses Seres Antigos eram os guardiões dos Planos Dimensionais, protetores do círculo ritual e testemunhas dos ritos, mantidos ao longo das eras. Cada um dos guardiões rege uma "Torre de Vigia", que atualmente é um portal assinalando os quatro quartos do ritual. Em tempos remotos, uma "Torre" era uma unidade militar de defesa de combate, e uma "Torre de Vigia" era uma unidade de defesa, semelhante à Guarda Nacional.
Originalmente, os Guardiões eram "deuses inferiores" que cuidavam da terra e do céu. Entre os bruxos italianos, os Guardiões eram os que guardavam as quatro entradas do Reino de Asteris, lar dos deuses na mitologia Strega. Na Wicca moderna, eles são geralmente concebidos como regentes dos Reinos Elementais, conhecidos como os Senhores das Torres de Vigia. A tradição da Antiga Wicca acreditava que eles fossem deuses conhecidos como "Os Antigos", que guardavam os portais para o Outro Mundo.
Fora da estrutura da Wicca, os Guardiões são mais facilmente associados ao conceito judaico-cristão dos "anjos da guarda". No velho Testamento(Daniel 4:13-17) há uma referencia aos Irin, ou Guardiões, os quais são aparentemente uma ordem anterior de anjos ( no antigo folclore hebreu, os Irin constituíam uma alta ordem de anjos que integrava o supremo conselho de Julgamentos na Corte Celestial). Nos livros Apócrifos de Enoque e Jubilees, os Guardiões são mencionados como anjos caídos originalmente enviados à Terra para ensinar lei e justiça aos homens. No Livro secreto de Enoque, os Guardiões (daí por diante chamados de Guardiões) são listados como anjos rebeldes que seguiram Sataniel em uma guerra celeste.
Gustav Davidson, em seu Dictionary of Angels, apresenta os Guardiães como uma alta ordem de anjos, aqui também conhecida como Guardiães. Segundo as tradições Rabínicas e Cabalísticas, os "bons" Guardiões habitam o Quinto Paraíso, enquanto os "maus" Guardiões viviam no Terceiro Paraíso. Os Guardiões do Quinto paraíso são regidos pelos arcanjos Raphael, Michael, Uriel e Gabriel. No Apócrifo do Gênesis, diz-se que Noé era filho de um Guardião que dormiu com Bat-Enosh, sua mãe.
Em The dictionary of angels, os guardiães são listados como os Anjos Decaídos que instruíram a humanidade nas antigas Artes. As associações mais comuns encontradas em diversos textos sobre medieval acerca dos Guardiões é a que segue:

Araquiel: ensinou os signos da Terra.
Armaros: ensinou como solucionar encantamentos.
Azazel: ensinou a arte os cosméticos.
Barqel: ensinou astrologia.
Ezeqeel: ensinou o conhecimento das nuvens.
Gadreel: ensinou a confecção de armas de guerra.
Kokabeel: ensinou os mistérios das estelas.
Penemue: ensinou a escrita.
Sariel: ensinou o conhecimento da Lua.
Semjaza: ensinou encantamentos herbais.
Shamshiel: ensinou os signos do Sol.

São esse mesmos anjos os mencionados como filhos de Deus no Gênesis. De acordo com a mitologia cristã, seus “pecados” espalharam violência pela Terra, e como resultado o mundo foi destruído. Isso, obviamente, é um relato bíblico que pouco tem a ver com as crenças wiccanas.
Richard Cavendish, em seu livro The Powers of Evil, faz alusão á possibilidade de os gigantes mencionados no Gênesis 6:4 serem os Titãs da mitologia grega. Ele lista os Guardiões como os Anjos Caídos que os magos chamam em sua magia cerimonial.
Leia Genesis 6: 1-7 para obter mais informações sobre a referência bíblica. Apesar da discutível precisão das informações apresentadas em muitos livros de Cavendish, ele estabelece alguns paralelos interessantes e ainda menciona que os Guardiões recebiam essa denominação por serem estrelas, "olhos da noite".
São Paulo, no novo testamento, refere-se aos Anjos Decaídos como as "principalidades: " Pois não lutamos contra carne e osso, mas contra as principalidades, contra os poderes[...]contra as hostes espirituais da danação em Lugares Elevados". Foi também São Paulo que se referiu a Satã como " O príncipe de poder no ar", fazendo assim a conexão entre satã(ele próprio ligado a "uma estrela", em Isaías 14:12-14) e Seres etéreos, pois estes posteriormente passaram a ser conhecidos como Demônios e como principalidades do Ar.
O tema foi posteriormente desenvolvido por um teólogo francês do século XVI chamado de Sinistrari, que fala de seres existentes entre os humanos e os anjos.
Eles os chama de Demônios e os associa às naturezas elementais da terra,do ar,do fogo e da água. Esse não era,entretanto, um conceito novo, mas era ensinado por algumas seitas gnósticas nos primórdios do cristianismo.
Clemente de Alexandria, influenciado pela cosmologia helenística, atribuiu o movimento das estrelas e o controle dos quatro elementos a seres angelicais. Sinistrari atribuiu corpos fogo, ar, terra e água a esses seres, e concluiu que os Guardiões eram feitos de fogo e ar. O cardeal Newman, escrevendo em meados do século XIX, propôs a existência de certos anjos nem totalmente bons, nem totalmente maus, mas apenas "parcialmente caídos" dos céus. Isso aparentemente apoia o texto de Davidson, o qual posiciona os Guardiões em dois "Céus" diferentes.
Muitas tradições wiccanas modernas encaram os Guardiões como Regentes dos elementos, "Senhores"dos quatro Elementos da Criação:
Terra, Ar, Fogo e Água. Acredita-se que esses Elementos sejam energizados pelas criaturas espirituais conhecidas como Elementais. No elemento terra, vivem os Gnomos; no ar, os Silfos; no fogo as Salamandras, e na água, as Ondinas.Essas raças elementais possuem cada qual seu Regente.O da erra é Gob,do ar Paralda, do fogo Djin e o da água é Necksa.Em algumas tradições wiccanas, como a Alexandrina, antigos nomes de deidades romanas são usados para identificar os deuses do quatro ventos: Boreas, Eurus, Notus e Zephyrus.
Em parte, o uso atual dos elementais associados ás torres de vigia tem a origem nos trabalhos do Dr. John Dee e sua pesquisa acerca da Magia Enoquiana. Na magia Enoquiana, há uma grande ênfase no quartos elementais e nas Torres de Vigia. Alguns acham que Gerald Gardner incorporou esses elementos à Wicca através do seu contato com Aleister Crowley. Crowley estava profundamente envolvido em Sistemas de Rituais e Magia que incorporavam ensinamentos Enoquianos e Egípcios. Entretanto, a presença desse aspecto na Antiga Religião na verdade provém de uma teologia mágicka muito anterior.

Nos ensinamentos misteriosos da Wicca, existem dois conjuntos de portais num círculo: os portais elementais e os portais dos Guardiões.
No diagrama aqui apresentado podemos notar um círculo dentro de outro círculo : A seção entre os círculos e chamada de O Mundo entre os Mundos.Partindo de uma perspectiva metafísica, essa dimensão deve existir para as energias magickas e rituais possa fluir entre os mundos. É aqui que os Portais Elementais são utilizados, pois representam os pontos de acesso ao Plano das Forças (Plano Elemental), que existe entre as Dimensões Física e Não-Física (Astral).
Imediatamente após os Portais Elementais, exatamente do outro lado do corredor, ficam os Portais dos Guardiões. Enquanto os Regentes Elementais protegem os portais entre este Mundo e o Plano das Forças,os Guardiões protegem os pontos de acesso direto ao plano Astral. É ali que os aspectos da Baixa Magia (elemental) e da Alta magia (astral) se manifestam. A Baixa magia é mais simplista, enquanto a Alta magia é mais ritualizada. Essencialmente, essa ideia é a diferença entre Xamanismo e Magia Cerimonial.


Minha intenção em apresentar essas associações é mostrar alguns exemplos de como um tema central pode ser dividido e transformado. Atualmente, mesmo entre as tradições da Arte,existe muita confusão dos Guardiões. Alguns sistemas os veem como Regentes elementais, Semideuses,Guardiões,Mestres Espirituais ou Inteligências Planetárias. Todos esses conceitos indubitavelmente são aspectos dos Guardiões. Estes são também associados aos anjos judaico-cristãos,mas tais associações são tão distorcidas e tendenciosas que servem apenas para tornar ainda mais nebuloso o assunto.

Para realmente compreender os Guardiões, devemos apenas analisar sua função na Wicca como religião. Nosso primeiro encontro com tais entidades geralmente ocorre quando criamos um círculo ritual no qual praticamos os ritos . Chamamos ou evocamos os Guardiões, para que protejam o círculo e testemunhem o ritual. A proteção de um círculo ritual dispensa explanações, mas por que os rituais devem ser testemunhados?
Ao responder a essa pergunta, consideremos as relações existentes entre um wiccano e os Guardiões. Quando alguém é iniciado, essa pessoa é levada diante dos quartos onde os Guardiões foram invocados. O iniciado é então apresentado ao Guardião e seu nome na Arte é revelado. Esse é o primeiro passo na união que esta prestes a acontecer. Dali por diante, o iniciado é "protegido" e cuidado. Essa união serve também como salvaguarda, pois todo ato de magia praticado por um wiccano é observado e notado pelos Guardiões. Os Guardiões protegem os portais para os reinos astrais e podem permitir o estabelecimento de um ato de magia na substância astral, dispensar a carga. Eis o porquê de certos gestos e sinais evocativos, como o pentagrama, terem sido criados, para "anunciar" um praticante iniciado (ou seja, um que tenha jurado não fazer mau uso das Artes). Há um elo bem definido entre os "poderes" de um wiccano e seu relacionamento com os Guardiões.
Segundo a sabedoria Wiccana, são os Guardiões que auxiliam o crescimento espiritual de um wiccano, "escoltam-no" ao próximo plano após a morte física. Nada é jamais oculto dos Guardiões, e por fim um wiccano pode vir a conhecê-los como os "Temíveis Senhores do Mundo Exterior" ou como "Poderosos Guardiões”. Não devemos ver essa situação como aquela na qual as entidades irão "pegá-lo" se você não for "bom”, mas sim como uma certeza de que o Karma será devidamente encaminhado.
Entre muitos Neo-wiccanos, há uma tendência a desprezar os conceitos de bem e mal e ver as coisas simplesmente como causa e consequência. Essa nova filosofia surgiu a partir da rejeição aos ensinamentos judaico-cristãos no que tange a satã e ao inferno. Contudo, a grande maioria das antigas religiões personificava tipicamente o mal em seus mitos; esse é um conceito realmente antigo, anterior ao cristianismo.
Muitos Neo-wiccanos encaram o Karma simplesmente como uma energia de ação e reação e desprezam o antigo conceito de Intervenção divina, bem como o papel dos Guardiões como "Senhores do Karma".
Stewart e Janet Farrar, em seu livro The Witches’ Way, provavelmente relatam do melhor modo o possível papel dos Guardiões em discussão sobre os Senhores do Karma:

Temos falado do Karma como um processo praticamente impessoal, desencadeado pelas inexoráveis leis de causa e efeito. E é seu princípio básico de ação. Isso não significa que não haja intervenções, ou que aqueles por vezes chamados de Senhores do Karma sejam meros observadores. Entidades mais elevadas de muitas espécies existem e atuam nos planos não-materiais, intermediários entre a humanidade e a força criativa máxima, como todas as religiões reconheceram.

Janet e Stwart Farrar, The Wicthes’ Way

Como vimos na primeira parte deste texto, os Guardiões eram associados a certas estrelas, as quais assinalavam os solstícios e equinócios, sendo, se desejar, os marcos dos passar do ano.Numa escala maior,os Guardiões regiam as "estações" do Céu. É importante lembrar que os Guardiões são Seres Estelares, e não Lunares. Sua associação a um culto Lunar é óbvia numa escala mundana. As estrelas são associadas à noite(como a Lua), pois compartilham os céus.
O Sol está aparentemente solitário no firmamento (ao menos na maior parte do tempo). Os cultos Estelares e Lunares são mais antigos que os Cultos Solares, que posteriormente adotaram(e adaptaram) os Ensinamentos Internos dos anteriores.
O antigo folclore revela que os Guardiães possuíam, a um tempo corpos e matéria física, mas evoluíram para além dessa necessidade de expressão física muito antes do surgimento da humanidade.Eles se tornaram Seres de Luz, e este é provavelmente um dos primeiros paralelos entre os Guardiães e os Anjos.Ainda assim, esses Seres de Luz eram associados às estrelas mesmo antes dessa associação,pois as antigas lendas dizem que os Guardiães vieram das estrelas.Nos primeiros Cultos Estelares, tal associação era tão forte que os Guardiões eram considerados estrelas que haviam descido à Terra.
De seu culto original como semideuses, os Guardiões passaram a ser honrados como uma raça espiritual que cuida dos mundos.Entre eles, vimos o que passaram a ser.Atualmente ,nós os vemos como Guardiões das entradas e saídas dos mundos que se conectam ao plano físico.Conhecemo-los também como os Guardiães da Antiga Sabedoria e Guardiães da Arte.

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Advertência

O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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