Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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BELTANE: É celebrado 31 de outubro no Hemisfério Sul e 01 de maio no Hemisfério Norte. Beltane, que pode ser traduzido literalmente como “Fogo de Bel” e é a celebração máxima do fogo.
Esta era a festa que celebrava o meio da Primavera e preparação para a chegada do Verão e consequentemente da fertilidade esperada para o próximo ano. Neste Sabbat eram escolhidos um homem e uma mulher para representar a Senhora e o Senhor da Primavera, em alusão a Deusa e ao Deus. O gado e as pessoas passavam pelo fogo para serem purificados, ao mesmo tempo em que a fumaça assegurava a fertilidade e bênçãos. Neste período o Deus atinge a força e a maturidade para se unir à Deusa e juntos
trazem calor, luz e germinação às sementes da terra que serão colhidas em Lammas.
É tempo de celebrar a vida em todas as formas. É o momento de dar boas-vindas ao Verão, momento de equilíbrio, no qual nos despedimos das chuvas e as colinas e vegetações atingem tons dourados.
A Deusa e o Deus, estão em plena vitalidade e amam-se com toda intensidade. É o momento da união entre os princípios masculino e feminino da criação, a união dos meios e de todos os poderes que trazem a vida à todas as coisas.
Um dos símbolos mais conhecido associado a este Sabbat é o Mastro de Beltane, que representa o falo do Deus. Ele sempre é ornado com uma fitas e uma coroa de flores, que representa o ventre da Deusa. As fitas multicoloridas são entrelaçadas pelos participantes, umas nas outras, até que todo o mastro esteja revestido por elas, representando a união da Deusa e do Deus. [Tradicionalmente, as fitas eram brancas e vermelhas, representando os fluidos sexuais masculino e feminino, respectivamente - símbolos da fertilidade. Obs. Hudson]
Outra das Tradições deste Sabbat é colher 9 gravetos de árvores diferentes e enfeitá-los com lindas fitas e flores, queimando-o no fogo enquanto fazemos um pedido.

TEMA DO SABBAT:




Beltane é um tempo para celebrar a nova vida em todas suas formas. É o tempo quando a Deusa e Deus estão unidos em matrimônio sagrado e quando sua relação se consome. Este ato representa a fertilidade dos animais e as colheitas para o próximo ano. Você pode decorar seu altar com uma tigela de flores flutuantes ou velas flutuantes. Pétalas de flor podem ser espalhadas pelo chão. Um ato ritual comum neste Sabbat é o Grande Rito. É o simbolismo da união entreos princípios masculino e feminino da criação, a união das duas forças que trazem vida a todas coisas. Este ritual geralmente é executado mergulhando um athame
em um cálice ou caldeirão pequeno com vinho, em sua forma simbólica.

SUGESTÃO DE RITUAL PARA PRATICANTES SOLITÁRIOS

A bruxa solitária, após lançar o círculo e invocar a presença da Deusa e do Deus,
poderia primeiro dançar e cantar, para elevar o poder das atividades mágicas, e depois enterrar
o poder numa vela apagada que estaria no caldeirão, no centro do círculo. A cantiga seria esta,
que escrevi há um ou dois anos atrás, ou algo criado por vocês:

Beltane
Danço o deleite
na noite de Beltane.
Liberando todos os sentidos,
danço para ser.
A flor e a chama
do rito amoroso
florescerão. O Sol
abraça a terra, brilhando.

Acendam a vela para o Sol. Este é o seu fogo de Beltane, o substituto para a grande fogueira
que vocês teriam queimado, em algum topo do morro, se vivêssemos em tempos mais abertos
e acessíveis. Atiçar o fogo de Bel é uma invocação ao Deus Sol a fim de trazer bênçãos e
proteção, para o ano vindouro. Este fogo, tradicionalmente, tem muitas propriedades curativas
e purificadoras. No passado, o gado era levado ao rescaldo para abolir as doenças. Mulheres
prenhes saltavam sobre a fogueira, se não estivessem em gravidez adiantada, a fim de
assegurarem um bom parto. Os viajantes pulavam o fogo, para garantir boa jornada. Pessoas
enfermas deixavam seus males nas chamas. Outras, simplesmente, faziam um pedido ao
saltarem. Casais poderiam pular o fogo juntos, para proteger a união e obter sorte no
casamento.
Ao acenderem a vela, tenham consciência do seu poder e significado. Pronunciem:
Acendemos esta vela ao Sol.
Depois, peguem uma travessa com terra. Abençoem-na em nome da Deusa. Coloquem
as mãos sobre ela e digam: Abençoamos, consagramos e separamos esta terra, em nome da
Deusa Tríplice. Que seja sagrada esta terra, dedicada à mapa. Pois a terra é da Deusa,
sendo seu corpo sagrado. (Não esqueçam que a Deusa não é somente da Lua, mas da Terra e
da mais longínqua estrela. Ela é a Deusa Tríplice do Círculo do Renascimento, a Mãe de Toda
a Vida.) Decorem a terra com flores.
Agora, tomem uma vara de madeira (que não seja cortada de árvore viva, pois nenhum
mal deve ser causado às florestas pelos bruxos). Na verdade, vocês deveriam tê-la entalhado
anteriormente, na forma bruta de um falo, mas uma vara simples, descascada, também é
válida. O falo de madeira deveria ser, é claro, de um tamanho e formato apropriados. A vara,
por outro lado, pode ser qualquer uma de comprimento tradicional (das pontas dos dedos ao
cotovelo) e mais ou menos meia polegada de diâmetro. Vocês devem tirar-lhe a casca, e
umedecê-la com óleo vegetal. Embora não seja diretamente fálica, depois ela retém todo o
simbolismo da paixão e as qualidades do Sol. O carvalho é a melhor madeira, mas a aveleira
também serve. Abençoem-na em nome do Rei do Dia, o jovem ardente, o Rei da Vida, o Rei
da Floresta. Passem a vara rapidamente pela chama da vela, o fogo Bel, para que absorva a
magia, carregada de poder. Coloquem a vara sobre a terra e fiquem segurando-a:
Como a vara é para a terra
assim o macho é para a fêmea
e o Sol ao nosso mundo em flor.
Juntos, trazem a felicidade
Que o Deus da Vida propicie_____
[Nomeie algo desejado, por exemplo: paz na Terra.]
Que a Deusa cumpra seus desejos.

Sentem-se em silêncio, imaginando o florescer daquilo que desejam. Vocês não poderão,
claro, trazer sozinhos a paz à Terra. Mas nenhum dos dois pedidos ficará sem efeito. Os
feitiços e invocações de muitas bruxas, todas trabalhando em temas como este, eventualmente
frutificam, porque a vida representa paz. Deixem a terra e a vara sobre o altar ou em frente a
ele. Caminhem no sentido dos ponteiros do relógio, três vezes ao redor do círculo, depois em
espiral, até o centro. Andem compassadamente, com graça, meditando. Sentem-se ao lado da
vela acesa, permitindo-se usufruir a paz. Olhem a chama com profundidade.

A próxima etapa é diferente, dependendo se se refere a um homem ou uma mulher.
Para mulheres, imagine (visualize) um botão de rosa vermelho em seu ventre. O ventre é sempre a
fonte de seu poder criador, esteja grávida de filho, de uma idéia, de uma obra de arte ou de
uma intenção. Feche os olhos. Imagine a luz da vela penetrando no seu ventre, para que o
botão da rosa abra e floresça. Segure essa imagem viva por um tempo, sentindo o aroma, as
pétalas sedosas, o florescer e o colorido desta rosa inteiramente aberta dentro de você. Sinta a
força, o poder e suas totais capacidades de florescimento. Diga:

Sou mulher,
forte para conceber e criar,
para dar à luz e cuidar.
Como sou filha da Deusa
e abençoada por Deus, posso_____
[Aqui nomeie o que deseja trazer à vida, usando sua criatividade. Por exemplo,
trazer curas aos outros ou escrever um livro, ou realizar qualquer outra coisa
boa que lhe ocorra.]
Sinta a força e o vigor criativo em seu útero, o centro do ser feminino. Veja o poder
canalizado, como foi descrito. Abra os olhos, a rosa está sempre dentro de você.

Para homens, você deve imaginar uma chama luminosa. Esta queima no seu centro sexual, um
ponto à base do estômago, pouco acima da linha do pêlo pubiano. É sua força masculina, sua
energia que pode se elevar através do corpo, para ser liberada como a doação, o poder
fertilizante, em qualquer forma, ou talvez a potência que impregna, gerando um filho ou filha.
É a força que abençoa e concede, energia curativa e criadora como o brilho solar. Visualize o
jardim onde está sentado em frente a uma roseira, as rosas em botão. (Se preferir, pode ser
madressilva, ou roseira silvestre, na floresta). Diga:

Sou homem,
e na minha paixão está a beleza,
no meu calor, a vida.
Sou o filho da Deusa,
abençoado pelo Deus,
E assim ofereço minha força
e vitalidade para_____
[Aqui nomeie a área da vida, o lugar, a criatividade ou compromisso que
escolheu.]

Visualize a luz fluindo torrencialmente de você para a rosa em botão que, sobre o pé, vai
abrindo. Sua chama declina, pelo esforço. Perde-se muita energia, a chama baixa ainda mais.
Espere e contemple, até que uma luz rosada flua da flor ao corpo. Ao seu toque, um pouco
acima da linha do pêlo púbico, a chama ressurge. Ela queima mais alto e com mais força que
anteriormente. Abra os olhos. A chama está sempre dentro de você, doando-se às formas que
escolher e a seguir rebrilhando.
Depois disso, vocês deveriam ficar sentados por uns minutos. Seria um erro erguer-se
abruptamente. Quando estiverem prontos, podem levantar-se, pular sobre a chama da vela,
fazendo um pedido.
Este é o Rito Beltane para a bruxa solitária; ou um modo de praticá-lo. É um tempo de
prazer e também de mistério. Um pilriteiro; a caça do veado branco; a caça do amor; o
florescer das flores e a floresta—tudo isto faz parte do rito. Sejam felizes em seu florescer, e
que o verão lhes traga alegria.


FONTES: Wicca para Todos, Claudiney Prieto
A Bruxa Solitária - Rae Beth

E Feliz Samhain para os que rodam pelo Norte. Feliz Halloween para os que se divertem sem compromisso religioso!

Como complemento para o post anterior, transcrevo agora a técnica do livro Reiki Essencial, de Diane Stein, que ensina um exercício de circulação energética que se ancora na Linha de Hara.




O caminho do movimento da energia na Órbita Microcósmica é a base e o princípio para os exercícios do Ki no Reiki. Estes são feitos em estado de meditação, corno na cura a distância, mas com a energia concentrada interiormente. Comece voltando sua atenção para o umbigo eu Hara. Quando o aquecimento (Ki) começar, desloque-o mentalmente em direção ao períneo (Hui Yin, chakra da raiz), atrás dos genitais e, então, para cima, ao longo da coluna vertebral. Pare um momento na altura dos rins (Ming-Men), então, suba com a energia do Ki vagarosamente até o topo da cabeça (glândula pineal e chakra da coroa). Siga o fluxo de energia, não force. Conserve essa energia no chakra da coroa por até dez minutos, então, faça com que desça em direção à testa (pituitária, terceiro olho). Faça a energia fluir pela frente do corpo até o umbigo/Hara novamente; conserve-a nessa região até que a sensação de calor se concentre inteiramente; depois, repita o circuito até se aproximar do chakra da raiz. Faça isso diversas vezes. Com prática, aumente o número de órbitas percorridas por sessão para 36.
Quando se sentir à vontade nesse exercício, passe a fazer a ligação com as pernas e com a Terra. Do umbigo, dirija o fluxo de energia para o Rui Yin (raiz); então, dividindo-o em dois canais, envie o Ki pela parte de trás das coxas até a parte de trás dos joelhos. Daí, a energia flui para baixo, ao longo da parte posterior das pernas até a planta dos pés. O ponto K1 (Yung-Chuan), na planta de ambos os pés, é onde estão localizados os chakras nessa região. Esse ponto é chamado de Fonte Borbulhante, e é a ligação elétrica do corpo com a energia da Terra. Quando a planta dos pés se aquecerem, faça a energia fluir para os dedões e, então, para a parte superior dos pés e para os joelhos, extraindo a energia da Terra. Continue a elevar a energia interiormente pela parte de fora das coxas e de volta para o Hui Yin, atrás dos órgãos genitais.
Faça o fluxo de energia voltar pela coluna vertebral e ramificar-se novamente para os braços quando chegar ao ponto central entre os ombros. Transmita o Ki pela parte interna dos braços até o centro das palmas, o local de onde o Reiki flui durante a cura. Concentre-se na sensação; então, siga com o fluxo ao longo do dedo médio e volte com a energia pela parte externa dos braços. Quando chegar aos ombros, volte ao circuito principal e faça essa energia subir pela coluna e pelo pescoço rumo ao chakra da coroa novamente. Continue com o circuito de energia ao longo do canal central, voltando ao Hara.
Quando terminar o circuito de energia, complete a meditação da Orbita Microcósmica, integrando a energia. Isso é extremamente importante e deve ser feito ao final de todas as sessões, independentemente de você ter realizado um ou muitos circuitos. Com a energia estacionada no ponto inicial e final do Hara, coloque o punho rapidamente sobre a região do umbigo. Realize movimentos giratórios, com um diâmetro de no máximo quinze centímetros. As mulheres realizam o movimento no sentido anti-horário, 36 vezes, e, então, 24 vezes, no sentido horário. Os homens fazem o movimento 36 vezes no sentido horário, e 24 vezes no sentido anti-horário. Isso integra e concentra a energia, prevenindo a sobrecarga elétrica e o mal-estar.

O sistema de chakras é conhecido pelo mundo inteiro e todos os espiritualistas conhecem sua teoria básica e os 7 principais centros de energia do duplo etérico, os chakras da linha Kundalini. Mas sobre isso há material abundante na internet. Hoje vamos falar de um complexo de chakras quase desconhecido para o público em geral, são os chakras da Linha de Hara. Transcrevo a seguir, material de Diane Stein, dos livros Equilíbrio Energético Essencial e Cura Psíquica com Guias Espirituais. Quando for usada a primeira pessoa (eu), é a autora que faz as observações. Meus comentários estão entre colchetes [ ].

O corpo emocional tem um conjunto de chakras altamente desenvolvido, que funciona numa vibração de energia mais elevada do que os da Linha de Kundalini. Ele é chamado de Linha de Hara e contém treze chakras dispostos ao longo de uma linha vertical que passa pelo centro do corpo. A energia dos chakras da Linha de Hara se move para baixo, na parte da frente, e para cima, na parte de trás. Embora estejam em outro nível energético, eles situam-se entre os chakras da Linha de Kundalini. Seus dois canais de energia, quando conectados por meio da prática do Ch'i Kung ou da Ioga, formam um círculo chamado de Grande órbita Cósmica, que atravessa o corpo. Na Índia, onde são chamados de Ida e Pingala, esses canais são erroneamente associados à Linha de Kundalini.

Os chakras da Linha de Hara são os seguintes, de cima para baixo.


 Em primeiro lugar, o Ponto Transpessoal ou Estrela da Alma, que equivale, no corpo emocional, ao chakra Coroa do corpo etérico. Esse ponto, de aparência transparente situado acima do chakra da Coroa e do corpo físico, é uma conexão com a Alma Profunda e com todos os nossos componentes energéticos além dos níveis físico/etérico. Embora a energia que ele contém tenha sido reduzida, é maior do que a do chakra da Coroa - mas menor do que a de muitos sistemas energéticos localizados além dele. A energia do Ponto Transpessoal amplia nossas fronteiras em direção a todo o universo e expande nosso ser até o nível da Alma Profunda e em direção a uma espiritualidade mais profunda do que o chakra da Coroa pode nos oferecer.Alguns agentes de cura atribuem este chakra ao corpo etérico, como uma extensão da Linha de Kundalini, mas ele na verdade está num nível inteiramente diferente.

A seguir, descendo na Linha de Hara, vêm os chakras da Visão, um par de pequenos pontos atrás de cada olho, que têm coloração prateada ou cinza. Eles são parte do sistema de visão psíquica, juntamente com o chakra do Terceiro Olho, no corpo etérico, e com os chakras da Luz, no corpo Mental. Além disso, os chakras da Visão também permitem que algumas pessoas usem seus olhos como lasers na cura psíquica. Mesmo que o Terceiro Olho esteja aberto, a recepção de imagens através da visão psíquica requer a abertura e desobstrução desses chakras.

O Chakra Corpo Causal é um chakra de recepção sonora localizado na nuca, no ponto de encontro entre o crânio e o pescoço. Ele faz parte do Complexo da Garganta, e sua cor pode ser de um azul-prateado ou violeta-avermelhado. Sua função é recebera comunicação proveniente de fora do nivél físico e manifestá-la ou traduzí-la em informação que seja útil na Terra. É um chakra importante na atividade de canalização [incorporação mediúnica] e na conversão de informações inconscientes em conscientes, como na psicografia e na cura com guias espirituais. Outros chakras de recepção e comunicação localizados em outros níveis alimentam o chakra do Corpo Causal, embora sempre com níveis reduzidos de energia. Esse centro é todo potencial (o Não-Vazio) e é o receptor das impressões provenientes do ponto transpessoal. Desse lugar a energia espiritual parte para os outros centros, "ligando e sintonizando o impessoal com o pensamento humano". O centro tem de estar ativado e equilibrado para poder levar a cabo a sua função de dar sustentação mental ao propósito de vida da pessoa.

O chakra do corpo emocional que equivale ao chakra do Coração é o chakra do Timo, às vezes chamado de Coração Superior, localizado acima do chakra do Coração da Linha de Kundalini. Sua cor é azul-piscina ou turquesa. Este centro fornece proteção para o coração e para o sistema imunológico, pois a glândula do timo e a imunidade a doenças são emocionalmente relacionadas. A dor emocional e a compaixão são as emoções principais para este chakra. Em seus níveis mais elevados, o chakra do Timo traz a energia do Cordão de Prata, na parte de trás do Complexo do Coração, para dentro do corpo emocional. Enquanto o chakra de Hara (ver a seguir) é o centro focal da encarnação terrestre, o chakra do Timo é o foco de nossa conexão com o que somos para além da Terra. Os Eus Energéticos, que entram pelo Cordão de Prata, fundem-se com o corpo emocional por meio deste chakra.

 O chakra do diafragma está localizado entre o timo e o chakra do Hara, na altura do músculo do diafragma, logo acima do plexo solar. Sua cor é verde-limão. Duane Packer e Sanaya Roman, em seus vídeos Awakening Your Light Body, mostram nesse local uma abóbada membranosa de energia que designam pelo som seminal "mumin". A abóbada é um filtro que separa as energias espirituais das materiais, deixando passar apenas as mais sutis. A ativação desse centro provoca a eliminação e a desintoxicação de todos os bloqueios à consecução do propósito de vida da pessoa. É uma limpeza de toda a Linha do Hara.

O chakra do Hara é um centro conhecido desde longa data n Ch'i Kung como tan tien ou Mar de Ch'i, e se localiza cerca de seis centímetros abaixo do umbigo, acima do chakra da barriga do plano da Kundalini. Sua cor é castanho-alaranjado mas, durante a cura, ele pode tornar-se mais escuro, chegando mesmo a aquecer-se e avermelhar-se. O centro do equilíbrio físico fica nessa parte do corpo. No Ch'i Kung todo trabalho energético começa e termina nesse centro, que é a fonte da encarnação e o lugar da qual a força vital flui para o resto do corpo. O chakra do Hara liga a vontade de viver com a vivificante energia terrestre que provém do chakra da Terra. Diz Barbara Ann Brennan: "Foi com vontade, e somente com ela, que você tirou um corpo físico do ventro da sua mãe, a terra. É também nesse centro que as agentes de cura vão buscar forças bastantes para regenerar o corpo, contanto que plantem a linha hárica bem fundo no ventre da terra, no seu núcleo em fusão."

O chakra do períneo é de um castanho-avermelhado profundo. Os estudiosos do Reiki II o conhecem como Hui Yin; para as praticantes indianas de meditação e ioga, é o cadeado da raiz; para a acupuntura e o Ch'i Kung é o "portal da vida e da morte". Esse ponto energético está localizado (no corpo emocional, bem entendido) entre os orifícios da vagina e do ânus [ela escreve para mulheres, mas o ponto é o mesmo nos homens]. Ele é o portal energético pelo qual o Ki da Terra entra no corpo - subindo pelas pernas, passando pela vagina e sendo em seguida armazenado no chakra do Hara, para ser distribuído. É o lugar onde as intenções e propósitos de vida se ativam e ancoram realidade no plano físico. A posição Hui Yin, na qual a vagina e o ânus se fecham [no caso dos homens, somente este último] a fim de trancar o chakra do períneo, provoca a ativação e a depuração da energia da Linha do Hara em todo o sistema hárico.

Há um par de chakras menores, localizados atrás dos joelhos, são chamados de chakras do movimento. Sua coloração é verde-folha ou bronze. Ele orienta a pessoa nos caminhos da vida.
Um par de centros castanhos nas solas dos pés, chamados de centros de ancoragem, enraízam a Linha do Hara no Ki da Terra e estabelecem o propósito da pessoa nos movimentos da manifestação física.

A linha energética nascida no ponto transpessoal desce verticalmente pelo corpo e penetra na Terra. Barbara Ann Brennan não considera esse terminal como um chakra, mas eu o considero como tal e dei-lhe o nome de chakra da Terra. Katrina Raphaell o chama de Estrela da Terra e o localiza vinte centímetros abaixo dos pés. Sinto, porém, que ele pode localizar ainda mais fundo, até onde a pessoa for capaz de ancorar-se na terra e ligar-se à intenção de estar aqui. Quanto à sua cor, vejo-o de um negro brilhante. É um centro que no Ch'i Kung também é conhecido como Ki da Terra, ou seja, a energia vital que a pessoa abosrve do centro da Terra. Tanto o ponto transpessoal quanto o chakra da terra se situam além do físico, acima e abaixo dele, como pontos de ancoragem da Linha do Hara.
Todos os centros da Linha do Hara são identificados no Ch'i Kung e na acupuntura [omiti as correspondências nessa transcrição].

Além do chakras, a própria Linha do Hara é composta por um fluxo de energia. Um dos canais sobe do chakra do períneo para as costas, passa pelo alto da cabeça e desce pelo rosto até o lábio inferior. Na acupuntura e no Ch'i Kung denomina-se esse canal de "Vaso Governador". O segundo fluxo energético começa no lábio inferior, desce pela frente do corpo e termina no períneo ("Vaso da Concepção"). Canais auxiliares conduzem a energia das pernas e dos braços para esses canais principais. Os dois canais são postos em contato quando se coloca a língua no céu da boca e contrai-se o períneo. A movimentação de energia nesse circuito envolve a circulação do Ki (força vital) através dos canais conectados e dos chakras da Linha do Hara. É o que se chama de Órbita Macrocósmica ou Grande e Pequeno Ciclo Celestial, e é a base da disciplina do Ch'i Kung.



Se for copiar o texto, tal como está aqui (pois fiz adaptações e pequenas modificações), além de citar as fontes originais, mencione este link e forneça acesso direto para essa página.



No Havaí dos tempos antigos_ e, de certa forma, também no Havaí dos dias de hoje_ as pessoas eram muito próximas da natureza. É claro que isso não é nada surpreendente. Os cultivadores de inhame precisavam conhecer intimamente as fontes de água doce, as melhores rochas para a utilização de terraços, o ciclo de crescimento de suas plantas e as fases da Lua. Os pescadores tinham de conhecer as plantas corretas para fazerem redes e cestos, os hábitos e os comportamentos dos peixes que pescavam e as características do clima que cada vento e cada nuvem traziam.
Os artesãos necessitavam de um conhecimento abrangente das pedras e das madeiras_ tanto como ferramentas quanto como material a ser trabalhado. Os herboristas deveriam estar familiarizados não apenas com o aspecto e as qualidades de centenas de plantas, como também com as características curativas dos peixes, do sal, do barro. E os navegadores nômades tinham de conhecer os segredos dos ventos, das ondas, das nuvens, dos pássaros, do Sol, da Lua e das estrelas. Os havaianos, porém, estavam muito mais do que ligados à natureza em termos de conhecimento e de proximidade. Eram, na verdade, vizinhos numa comunidade viva.

O Pulsar da Natureza

Para os havaianos comuns dos tempos antigos, nobres ou plebeus, toda a natureza tinha vida: além, é óbvio, das plantas e dos animais, também estavam vivos as rochas, as montanhas, os vales, as nuvens, as estrelas, o vento, a chuva e tudo o mais. E a natureza não só tinha vida, como era tão consciente quanto os seres humanos. Portanto, a fim de manter um bom relacionamento com qualquer elemento da natureza, os homens tinham de tratá-los com respeito, como se fossem vizinhos humanos. A partir de sua experiência, as pessoas sabiam que, na maior parte das ocasiões, a única demonstração de respeito necessária era um simples reconhecimento: cumprimentar o pescador ou o tecelão que morava ao lado, ou o Sol que aquecia a pele, ou a Lua que iluminava o caminho à noite; uma flor para a namorada ou uma queda d'água por sua beleza; uma canção ou dança ao seu chefe ou à chuva revigorante, e um presente àqueles cujo auxílio, apoio ou proteção era necessário_ um porco para o kahuna lapa'au porque curou uma criança, uma galinha ao homem que ajudou na construção da casa, um colar de flores para enfeitar a canoa que ajudava na pesca e algumas frutas chamadas ohelo para satisfazer Pele, o espírito do vulcão.
Este pensamento é denominado, em geral, animismo, nome que se refere à ideia de que tudo está "animado" por uma alma ou espírito que pode existir independente de sua forma material. O animismo era uma filosofia profundamente arraigada e difundida em todo o mundo numa certa época; ainda podemos encontrar traços modernos disso no costume de se dar nome aos carros e aos barcos, às luas e às montanhas. Não chega a representar adoração, apenas a consciência de uma presença espiritual.
Para os havaianos, um espírito tendia a permanecer com uma única forma ao longo de toda a sua existência, a não ser que fosse um espírito especialmente forte. Os espíritos das rochas continuariam a ser espíritos de rochas, mesmo que se tornassem outras pedras. Os espíritos das árvores também tendiam a permanecer aos mesmos. Nos humanos, os espíritos tinham uma tendência a continuarem humanos. Pele, o espírito do vulcão, poderia assumir a forma de uma mulher, jovem ou velha, bem como de lava liquefeita, e Kamapua'a, a alma do porco, conseguia se tornar chuva, grama, ou o peixe chamado humuhumunukunukuapua'a. Ainda assim, a única forma de o havaiano comum se comunicar com os espíritos da natureza era através do reconhecimento, das oferendas e das orações.

As Habilidades dos Xamãs

 
Entre os havaianos, contudo, havia algumas pessoas que tinham maior intimidade com a natureza_ eram tão íntimas que conseguiam conversar com os elementos, as plantas e os bichos, e tão sintonizadas que eram capazes de se transformar num animal, num vegetal ou num mineral e assumir as suas qualidades, conhecimento e habilidades. Alguns desses abençoados eram chamados de kupua, termo mais ou menos equivalente a xamã. Por dom e experiência, eram curandeiros, ainda que não se limitassem aos sentidos físicos da cura. Um mestre de habilidades xamânicas era chamado de kahuna kapua.
O mais famoso de todos os mestres xamãs havaianos era Maui Kupua, título frequentemente traduzido como "Maui, o Semideus", "Maui, o Prestidigitador", "Maui, o Mágico", ou "Maui, o Feiticeiro". Em todo o Pacífico, narravam-se as histórias de Maui, e apesar de variações locais, praticamente os mesmos acontecimentos são contados pelos ilhéus, separados por milhares de quilômetros de oceano e séculos no tempo.
Uma das histórias havaianas narra como Maui arrancou o segredo do fogo dos pássaros da ilha de Oahu. Há muito tempo, de acordo com a narrativa, apenas os frangos d'água sabiam como fazer fogo. Um belo dia, Maui se cansou de comer comida crua, e foi até o lugar em que habitavam os frangos d'água. Enquanto estavam todos distraídos, Maui capturou um pequeno pássaro e exigiu que lhe contasse o segredo do fogo. Primeiramente, o animal disse que o segredo estava em uma planta, depois noutra, mas Maui era esperto o suficiente para apertar o pescoço da ave enquanto testava cada resposta. Por fim,quando Maui estava tão enfastiado com essas respostas erradas que já estava prestes a torcer o pescoço do frango, o pássaro murmurou que o segredo estava numa árvore chamada hau. O xamã deu uma chance à ave e felizmente conseguiu fazer fogo ao esfregar dois pedaços de madeira dessa árvore. Mas ele estava tão irritado com o frango por ele ter enganado o sábio por tanto tempo que bateu na cabeça do pássaro com um tição. É por isso que, até hoje, os frangos d'água têm uma faixa de penas vermelhas na cabeça.
Essa história possui diversas explicações interessantes. Uma delas é a de que os frangos d'água vivem nos charcos onde crescem as árvores da madeira leve hau. Outra é a de que a palavra havaiana para frango d'água, alae, tem a conotação de "vermelho" e "nascer do Sol", termos que lembram o fogo. A árvore hau possui flores que ficam com uma tonalidade alaranjada no final da tarde, quando é necessário fazer fogueiras. Para nossos objetivos, o mais importante é que o xamã se comunicava diretamente com os animais para aprender algo de útil à sociedade humana. Uma leitura moderna provavelmente seria a de que os homens descobriram que o hau queimava intensamente quando atingido por um raio; os frangos d'água estariam incluídos na lenda por estarem associados com a área e pelo simbolismo de sua crista vermelha. Mas os xamãs diriam que era igualmente possível que alguém como o Maui se comunicasse diretamente com os pássaros e aprendesse os efeitos dos raios sobre o hau. Em outras histórias, Maui conversa com inúmeras espécies de pássaros, peixes, morcegos, árvores, com a água, com o vento e com o Sol, tanto para aprender com eles quanto para fazer com que esses elementos fizessem alguma coisa que ele queria.
No Havaí, existem muitas outras lendas mostrando as interações benéficas entre humanos e a natureza. A maioria das histórias é a respeito das corujas como protetoras, guardiãs e auxiliadoras. Em uma história de Oahu, um homem apanhara ovos de ninhos de corujas, mas se comoveu tanto com o choro da mamãe coruja que devolveu todos. Como gratidão, a ave prometeu ajudá-lo caso ele precisasse. O dia chegou quando o homem e sua família estavam sendo atacados por um chefe mau. Milhares de corujas voaram para ajudar o homem e expulsaram o inimigo. Até hoje, existem muitos lugares na área de Waikiki que celebram esse grande acontecimento.
Igualmente importantes na mitologia havaiana são as histórias de tubarões que protegem os homens contra outros de sua espécie, ajudam a pescar, alertam sobre as tempestades e salvam os nadadores que estão se afogando, e dos espíritos humanos especiais que se transformam em tubarões para serem auxiliadores de sua família humana. 

Como se Comunicar com a Natureza

Havaí
  Obviamente, a principal questão que surge é como as pessoas efetivamente conseguem se comunicar com a natureza, se você aceitar esse contato como possível. É bastante improvável que os frangos d'água, as corujas e os tubarões compreendam a linguagem humana, e quase inaceitável que entendamos a dos animais (afinal de contas, que língua fala um tubarão?). O que eu aprendi em meu treinamento de kupua pode lançar um pouco de luz sobre o que está por detrás das histórias dos xamãs que "falam" com os animais e os outros seres da natureza.
Muito embora as histórias sejam feitas para soarem como se os homens e bichos estivessem conversando normalmente, a comunicação é efetivamente muito mais telepática. Do lado dos humanos, isso inclui uma combinação de disposição, imaginação e, quem sabe, algumas palavras que ajudem a manter a concentração. Uma vez estava eu de pé no lanai de nosso centro em Kilauea, Kauai, a observar uma vespa do lado de dentro que batia a cabeça contra o vidro, tentando sair. Falei com a vespa para chamar a sua atenção (ou para concentrar a minha_ a escolha é sua) e, na mente, tracei um caminho brilhante da posição em que ela estava, passando em volta de uma coluna e indo para fora pela porta aberta a cerca de 3 metros do ponto em que o inseto se encontrava. Depois, disse-lhe que seguisse o caminho e ela estaria livre. No mesmo instante, a vespa alçou voo e seguiu exatamente pelo caminho que tracei rumo à porta.
Em outra ocasião, eu estava numa grande reunião em Minnesota_ um piquenique que parecia estar ameaçado por um temporal iminente. Pediram que eu fizesse alguma coisa, então solicitei ao vento que afastasse a tempestade até terminarmos o nosso lanche. Isto é, falei mentalmente e criei uma imagem mental do que eu queria. E o vento cooperou muito educadamente.
Alguns alunos meus conseguiram chamar um veado selvagem a poucos metros deles; outros foram capazes de chamar um golfinho para brincar com eles no mar. Uma disposição pacífica, um pensamento positivo e uma verbalização precisa são os elementos que fazem a ligação. Obviamente, ainda não sabemos o que está acontecendo quando a natureza reage a essa concentração, na mesma medida em que desconhecemos o que ocorre efetivamente quando fazemos a eletricidade correr por um fio. Existem muitas teorias, mas tudo o que sabemos a respeito da eletricidade é que, sob certas condições, ela acontece. No caso da comunicação entre seres humanos e a natureza, tudo o que conhecemos é que, ao estabelecermos determinadas condições na mente, o mundo natural reage.
Eu, minha família e meus alunos nos comunicamos com a natureza satisfatoriamente tantas vezes que aceitamos isso de forma tão natural quanto a respiração. Conversamos com os ventos para tranquilizarmos as turbulências durante uma viagem de avião. Falamos com a chuva para que pare ou venha a um determinado lugar. Conversamos com as baleias, os golfinhos e tartarugas para que apareçam e nos encantem com a sua presença. Podemos falar com as nossas plantas para crescerem mais rápido e com nossos carros para terem um funcionamento melhor. Tudo é parte da natureza e tudo reage. 

A Mudança de Formas Através da Fusão Espiritual


 Até aqui, discutimos apenas a comunicação por telepatia. Mas e a ideia de se mudar de forma que faz parte de grande parte das mitologias do mundo? Será que não passa de mera fantasia ou há um fundo de verdade? E o que isso tem a ver com o trabalho junto à natureza?

De acordo com minha experiência e treinamento, esse fenômeno é real e prático, mas difícil de ser descrito. Por meio da observação, experimentação e prática, os primeiros xamãs descobriram e passaram adiante o conhecimento de que, se você agir como se fosse outra coisa_ um elemento, uma força da natureza, um bicho ou uma planta_ e se for capaz de se entregar de corpo e alma a essa representação, algo muito especial vai acontecer. Em primeiro lugar, você se descobriria "conhecendo" coisas de maneiras diferentes das quais faria por meio da experiência comum. Ao representar o papel de uma águia, por exemplo, de repente você poderia saber muito mais sobre os hábitos e comportamentos dessa ave e como seria a Terra a centenas de metros do chão. Representando um búfalo ou um peixe, você saberia onde se encontram os melhores locais de alimentação e a melhor época e as direções para migrar. Em segundo lugar, você descobriria que, se delicadamente você "seguisse a sua vontade" na direção desejada enquanto representasse uma determinada força, um animal, qualquer que fosse, a própria entidade tenderia a movimentá-lo naquele sentido. Os xamãs que assim fizeram também descobriram que tal influência deveria ser suave e positiva (do ponto de vista da entidade sob influência) para que tudo funcionasse bem. Dessa forma, durante a dança da chuva, as nuvens de tempestade teriam de ser persuadidas a descerem e lançarem suas gotas_ não poderiam ser forçadas; e numa dança de caça, era necessário convencer o veado a entrar no alcance do alvo do caçador_ jamais seria coagido.

No Havaí, essa habilidade é denominada kulike, que numa tradução grosseira significaria "criar modos subconscientes". Tal capacidade era e ainda é usada por aqueles que sabem aproveitá-la na pesca, na agricultura, no clima, nas marés e nas torrentes de lava. E mesmo entre essas pessoas, como sempre foi para os xamãs, o índice de sucesso depende muito da habilidade para fundir-se, da capacidade persuasiva e da disposição que a entidade tenha para sofrer influências. Quando um praticante experiente está profundamente concentrado na representação de um elemento da natureza, esse praticante ficará, aos olhos dos observadores, cada vez mais parecido com aquele elemento [o corpo astral assume a forma da coisa representada e se torna perceptível]. Um homem pode objetivamente se parecer com um homem, mas, efetivamente, ao mesmo tempo, se assemelhará a um bicho. Uma mulher continuará visivelmente a ser mulher, e, com a mesma visibilidade, será uma borboleta. É bastante semelhante à capacidade dos atores de teatro e cinema, só que com outros objetivos. E diz-se que um verdadeiro mestre da técnica consegue se concentrar tão bem que é capaz de realmente mudar de aspecto físico e assumir a forma na qual se centraliza. Contudo, em todas as minhas viagens e aventuras, nunca testemunhei nem vivenciei uma mudança de forma que pudesse ser explicada apenas pela transformação física. Teoricamente, e do ponto de vista do xamã, é possível, mas se acontecer, deve ser raríssimo, pois não existe objetivo útil do trabalho junto à natureza que não possa ser obtido com métodos muito mais simples.
Minha primeira experiência com o kulike aconteceu na África ocidental, sob a orientação de um xamã Hausa. Uma noite, numa cabana no norte do Daomé (atual Benin), ele me levou a um transe muito profundo e me auxiliou na fusão de meu espírito com o de um leopardo. Passei o resto da noite como o leopardo, caçando, comendo, observando e sentindo-me pulsante, consciente, vivo e cheio de energia. Com essa experiência, aprendi muito sobre os leopardos e seu incrível senso de força no momento presente. Com efeito, algumas das características do leopardo devem ter-me tomado, pois após muitos anos de minha viagem à África, muitas pessoas me diziam que eu lembrava um leopardo.

De maneira mais prática, uma de minhas alunas me contou que, uma vez, ela colhia rosas e os espinhos a machucavam tanto que ela se fundiu com o espírito dessas flores. Então, pôde colhê-las sem problemas, mesmo que elas tentassem espetá-la. 

Mudando de Formas por Meio da Projeção Astral

Outra maneira de mudança de forma empregada pelos xamãs pode ser utilizada na observação dos fenômenos naturais à distância ou influenciando-se no comportamento dos mamíferos, pássaros, peixes e outros. Em havaiano, isso se chama ho'okakaola ("projetar um corpo astral visível"). É provável que essa maneira de mudança de forma dê conta de muitas das lendas tradicionais. Nesse caso, o xamã produz uma forma palpável de pensamento, isto é, um modo de energia formado pelo pensamento e carregado de emoções e de intenções, segundo a vontade do curandeiro e servindo como os olhos, ouvidos, voz ou até mesmo seu corpo à distância. Essa técnica parecerá familiar a qualquer pessoa que estudou as mitologias xamânicas europeias, dos nativos americanos ou qualquer outra; entretanto, ela soará estranha às pessoas cuja vivência se limita à tradição científica ocidental. E até mesmo para quem consegue admitir a existência da telepatia e do kulike como uma forma telepática, o ho'okakaola ou as "projeções astrais" podem parecer muito distantes. Mas para milhões de pessoas em todo o mundo, isso é algo muito real.

Apesar de que a forma projetada pode ser a do xamã, é mais comum que essa forma seja a de um pássaro ou mamífero, principalmente quando se trabalha com a natureza. Para mais uma vez se aproveitar de minha experiência na África, era sabido por todos no Daomé que um dos presidentes do país visitava a região norte na forma de um antílope para verificar o comportamento das pessoas e o estado da terra. E meu tio havaiano sempre me visitava na forma de um pássaro, geralmente uma coruja, e utilizava essa mesma maneira para se comunicar com os outros bichos. Contudo, é raro colocar tanta energia na forma astral para alterar as coisas no aspecto físico. Em geral, a capacidade se ser visto e/ou ouvido já é o bastante. 

É Simples, Mas Não é Fácil

Todos nós somos parte da vida de Haumea (equivalente a Gaia em havaiano), quer sejamos humanos ou não, e todos nós nos influenciamos por todo o tempo, que rtenhamos consciência disso ou não. E se a perspectiva do xamã é a de que a influência é inevitável, por que não torná-la consciente e positiva? Afinal de contas, enquanto influenciamos a natureza, também sofremos a influência dela.

Porém, a fim de trabalharmos de maneira eficaz com a natureza, precisamos aprender a permanecermos em paz conosco. Uma coisa é falar no uso de técnicas como a telepatia, fusão espiritual e projeção astral para aprender e influenciar a natureza; mas como utilizá-las a fim de conseguirmos resultados é outra história. Como humanos,
aprendemos a ignorar os dados sensoriais de que não gostamos; a natureza, por sua vez, tem uma consciência poderosa. Se nos aproximamos dela com raiva, medo ou desejo de controlá-la, não chegaremos a lugar nenhum. Mas se nos aproximamos dela com tranquilidade na mente e amor no coração, então nem importa a técnica que utilizaremos. E, como diz que provérbio havaiano, ao expressar a universalidade do amor:

He manu ke aloha, 'a' ole lala kau 'ole.
(O amor é como um pássaro;
Não há galho em que não se empoleire.)



Este artigo foi obtido na coletânea "A Vida Oculta de Gaia: A Inteligência Invisível da Terra", compilada por Shiley Nicholson e Brenda Rosen. Editora Gaia. Disponibilizado no orkut pela sempre atenciosa, Nadia.

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