Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

Pesquisar





Mais uma vez a Roda gira, e é o segundo artigo de Yule que escrevo... Os tempos modernos são corridos e mal tenho tempo de ir atrás dos preparativos do meu ritual, então venho aqui postar um trecho do livro "A Bruxa Solitária" de Rae Beth, sobre Yule.


"Estamos quase na época do Natal, o solstício de inverno — reconstrução mágica,
tempo recriado, o nascimento da vida e da luz. Entre Samhain e o Natal, o Rei da Noite nos
governou e nos guiou pelos reinos das sombras. E a Deusa, agora a Velha Sábia, nos ofereceu
conhecimentos e sonhos. Nas paisagens nuas, etéreas, ela descortinou o encantamento da
estação. O ano morreu em Samhain e o tempo se retraiu em sombras e neblina de inverno.
Preparemo-nos e ao nosso lar para o Festival natalino, para o renascimento, um novo ciclo.
A metáfora é clara. Enquanto nos recolhemos, na morte ou na hibernação do inverno,
reinos interiores se expandem. A riqueza da imaginação, mundos astrais e estados de sonho,
onde as sementes da próxima fase serão encontradas, nos iluminam, trazendo luz e
restauração. Tudo isto é simbolizado pelo glamour das tradições de Natal e suas decorações,
que antecedem a Era Cristã e vêm sendo preservadas, hoje denotando hábitos mais recentes.
As velas, os ramos de azevinho, a erva-de-passarinho, a lenha natalina e todas as festas se
originam de uma tradição muito mais antiga do que a celebração do nascimento de Jesus, e
mostram tanto a riqueza dos mundos interiores como a passagem de volta à vida; vida
dinâmica, manifesta.
Este dia é o "aniversário" do Sol. A noite mais longa do ano passará e na aurora,
quando o Sol novamente nascer, o ano terá voltado aos dias longos. É isto que celebramos, a
passagem retornando à luz do ponto mais escuro, pois significa um novo ciclo, a continuidade
da vida.
O Natal é ocasião de renascimento do Sol e de toda a natureza, daí o Ano-novo. Há
muitas lendas da flora associadas a essa época. Os ramos de azevinho representam o Velho
Rei do Ano Minguante, o Rei da Escuridão, que, no Natal, se transforma na Luz Infantil. A
acha de lenha, sendo de carvalho, é sagrada ao nascido Rei do Ano Crescente, como é o
pássaro papo-roxo. A erva-de-passarinho, sagrada ao Sol, é usada na decoração de Natal por
pagãos e cristãos, igualmente. Invoca a fertilidade e os poderes da luz solar.
Uma bruxa, portanto, decoraria o lar com azevinho, erva-de-passarinho e outras
belezas vegetais, e teria uma "árvore de Natal", como qualquer pessoa, mas com uma
compreensão diversa do seu significado. (A árvore de Natal, como a conhecemos, é uma
tradição relativamente moderna na Grã-Bretanha, datando do século XIX. Mas árvores
sagradas, nas quais eram penduradas oferendas, são tão antigas como a mitologia.)
Depois há a tradição de oferecer dádivas. É representada pela história cristã dos três
reis magos, os que trouxeram presentes aos Jesus-Menino. Na tradição dos povos do Norte há
Papai Noel, São Nicolau (o Velho Nik?) com sua rena, tão sagrado como o Deus Cornífero.
Todas as crianças começam a vida com uma certa herança, a sua série de presentes. Agora
somos todos recém-nascidos, no início do novo ano. É esta a verdadeira razão pela qual todos
nós damos e recebemos dádivas no Natal. Pela mesma razão, cobrimos a árvore com luzes e
enfeites, colocando presentes ao redor dela, reconhecendo as dádivas que a Mãe e o Pai de
Toda a Vida nos trarão. E honramos a Deusa colocando, no topo da árvore, a tradicional fada
(que representa a própria Deusa) ou então uma estrela de cinco pontas simbolizando a
natureza mágica.
Mas que dizer da celebração do nascimento de uma criança-menina? Por que a Deusa
só dá à luz a criança-menino? Isto não é verdade, claro. Mas no renascimento de nosso
trabalho, a compreensão do desenrolar do ano ainda está em desenvolvimento, ainda vem
sendo descoberta. Uma coisa que ainda não foi reparada é a celebração anual do nascimento
da filha, a Deusa dando à luz a si mesma. Pois a cada início de ano, não só o Deus Sol, mas
também a Natureza Mãe são renascidos. Ela vem mais tarde, em Candlemas, como uma
jovem. Então representa não apenas as flores da primavera sobre a Terra, mas o aspecto
feminino do Sol e o aspecto da jovem como Tripla Deusa da Lua: a Deusa Noiva das
primaveras solar e lunar. As meninas também possuem mães.
A celebração de seu nascimento acabou sendo varrida pelos longos anos patriarcais.
Certamente existem tradições pagãs envolvendo o nascimento da filha, como é exemplo a
história da feitiçaria italiana da concepção e nascimento de Aradia. Porém, há precedentes
para a celebração do nascimento de uma criança-menina em Imbolg, a "Noiva-bebê". Para
mim, isto confunde o tema de sua presença como jovem. No Natal, entretanto, seu nascimento
é às vezes celebrado como gêmea de seu irmão solar. Já ouvi dizer que, segundo uma lenda
cristã herege, a Noiva nasceu como irmã gêmea de Jesus, no solstício de inverno. A Noiva, é
claro, é uma Deusa pagã bastante anterior a Jesus Cristo. No entanto, a lenda me atrai, pois
soa como corda musical. Podemos agora celebrar o aniversário da filha no Natal, sem
obscurecer a claridade do Rito do Retorno do Sol? Sim, penso que sim."

 Aproveitem esta noite de celebração! Bençãos da Criança da Promessa, e da Senhora Invernal!

Doppelganger by Perodog on Deviant Art...
 Doppelgänger, segundo as lendas germânicas de onde provém, é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar (como dando uma ideia de que cada pessoa tem o seu próprio). Ele imita em tudo a pessoa copiada, até mesmo as suas características internas mais profundas. O nome Doppelgänger se originou da fusão das palavras alemãs doppel (significa duplo, réplica ou duplicata) e gänger (andante, ambulante ou aquele que vaga).

Existem muitas controvérsias sobre como esta criatura misteriosa é tratada: uns dizem que ela anuncia maus agouros, enquanto outros ditam que é uma representação acentuada do lado negativo de uma pessoa. No primeiro caso, diz-se que ver o seu próprio doppelgänger é um sinal de morte iminente, pois a lenda reza que a pessoa está vendo a sua própria alma projetando-se para fora do corpo para assim embarcar para o plano astral. Em outras circunstâncias, se o Doppelgänger é visto por amigos ou parentes, isso é um anúncio de má sorte ou de problemas emocionais que se aproximam. No segundo caso, há quem diga que ele assume o negativo da pessoa para tentar sobre a mesma uma influência negra, de modo a converter a pessoa a fazer coisas cruéis ou simplesmente coisas que ela não faria naturalmente. Ainda existem aqueles que especulam que o doppelgänger seja um tipo de "conselheiro" invisível para a pessoa, seja dando avisos ou implantando idéias. Dado este plano, acredita-se que o doppelgänger somente é visível para quem o tem, e mesmo em tal circunstância ele só pode ser visto espiritualmente, pois ele não se reflete em espelhos ou qualquer superfície física. Estima-se também que cães e gatos podem ver os doppelgänger dos seres humanos, embora isso seja ainda não comprovado. Em parte há quem credite o doppelgänger como sendo o polar oposto de seu dono, ou seja, se a pessoa é boa, o doppelgänger é mau, ou o oposto.

O Caso de Emilie Sagée

Um dos mais fascinantes relatos de um doppelganger vem do escritor americano Robert Dale Owen, que ouviu a história de um Doppelganger por Julie von Güldenstubbe, a segunda filha do barão von Güldenstubbe. Em 1845, quando von Güldenstubbe contava 13 anos de idade, ela foi enviada ao Pensionato von Neuwelcke, um colégio exclusivo para meninas; perto de Wolmar no que é agora a Letônia. Um de seus professores era uma francesa de 32 anos chamada Emilie Sagée.

Embora a administração da escola estivesse muito contente com o desempenho de Sagée junto aos alunos, ela logo se tornaria objeto de rumores e especulações estranhas. Sagée, ao que parece, possuía um Doppelganger que a perseguia por todos os lugares. O caso deixou de ser tratado como insanidade quando os próprios alunos de Sagée puderam ver ambas ao mesmo tempo, o que não é o mais comum, já que alguns estudiosos têm a opinião de que somente o próprio dono pode vê-los.

Um dia, no meio da turma na sala de aula, enquanto Sagée estava escrevendo no quadro negro, seu Doppelganger apareceu precisamente ao lado dela; copiando cada movimento da professora tal como ela escrevia, com a exceção de que não detinha qualquer pedaço de giz entre os dedos. O evento foi testemunhado por 13 alunos na sala de aula. Um incidente semelhante foi relatado em um jantar na qual seu Doppelganger foi visto em pé atrás dela, mimetizando os movimentos de sua alimentação, embora não utiliza-se nenhum dos utensílios como garfos ou facas.

No entanto, o Doppelganger nem sempre retrata o eco dos seus movimentos. Em várias ocasiões, Sagée seria vista em uma parte da escola, quando era conhecido de que ela estava em outro lugar, no exato mesmo horário. O mais espantoso exemplo do caso Sagée teve lugar em plena vista de todo o corpo estudantil de 42 alunos em um dia no verão 1846. As meninas estavam todas acomodadas no hall da escola para suas aulas de costura e bordado. A medida que sentaram-se ao longo das mesas de trabalho, elas podiam ver claramente Sagée no jardim da escola colhendo flores.

Um outro professor foi supervisionar as crianças. Quando este professor deixou a sala para falar com a diretora, o Doppelganger de Sagée apareceu em sua cadeira - enquanto a verdadeira Sagée ainda podia ser vista no jardim. As alunas observaram que os movimentos de Sagée no jardim pareciam muito cansados enquanto o doppelganger continuava sentado e imóvel na mesa da professora. Duas meninas munidas de uma coragem incomum para suas idades abordaram o "fantasma" na tentativa de tocá-lo, mas sentiram uma estranha resistência do ar em torno dela; quando finalmente consegui "tocá-la", o Doppelganger então desapareceu lentamente.

Sagée alegou nunca ter visto seu próprio Doppelganger, mas que sempre era tomada por um extremo cansaço, como se suas forças estivessem sendo drenadas para fora de seu corpo; ela empalidecia e sentia fome, apesar de jamais conseguir comer após essas aparições.

Outros casos:

John Donne, poeta Inglês do século XVI, cujo trabalho muitas vezes aflorou assuntos voltados para metafísica, foi visitado por um Doppelganger enquanto ele estava em Paris - e não o seu, mas o de sua mulher. Ela apareceu-lhe para mostrar um bebê recém-nascido. Sua esposa estava grávida na época, mas a aparição foi um sinal de grande tristeza. Ao mesmo momento que o Doppelganger apareceu, sua esposa havia dado à luz um filho nati-morto.

Percy Bysshe Shelley, ainda considerado um dos maiores poetas da língua Inglesa, encontrou seu doppelganger na Itália. O fantasma silenciosamente apontou em direção ao Mar Mediterrâneo. Pouco tempo depois, e pouco antes de seu trigésimo aniversário, em 1822, Shelley morreu em um acidente na pequena vela em que navegava - morrendo afogado no mesmo mar Mediterrâneo.

Rainha Elizabeth I da Inglaterra ficou chocada ao ver seu Doppelganger repousando em seu leito. A rainha morreu pouco tempo depois. A ocasião foi assunto dos jornais da época.

PARA OS CÉTICOS...

Visão científica
O fenômeno Doppelgänger, segundo os meios científicos, é provocado pelo mau funcionamento da junção temporo-parietal, uma região do cérebro responsável pela integração de várias sensações (táteis, visuais e de posicionamento do corpo) que constantemente chegam ao cérebro, "montando" a forma pela qual se entende o mundo e o posicionamento do corpo em relação ao que está ao redor. O mau funcionamento dessa região pode, portanto, acarretar o desacoplamento da percepção inconsciente do corpo e da sua representação no espaço. Quando as sensações táteis, de equilíbrio e visuais não coincidem entre si, a compreensão da localização do corpo e do que é pessoal ou extrapessoal perde-se, e tem-se a origem da intrigante sensação autoscópica ou extracorpórea, o que poderia explicar a visão do Doppelgänger.


FONTES: Wikipédia e fórum Otakus Brasil

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Advertência

O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

Quem sou eu

Minha foto
Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

Postagens populares

Seguidores

Visitas

Qual a sua relação com o Mundo Não-Físico?

Google Analytics Alternative