Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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 As sociedades “tribais” (entre elas os Celtas) tinham um conceito de LUGAR muito apurado. Não devemos aqui confundir LUGAR com ESPAÇO. Enquanto o conceito de ESPAÇO será abstrato, sem uma determinância, sem um endereço, o conceitode LUGAR é extremamente reconhecido. Em parte, esse conceito deve-se ao fato de sociedades tribais reconhecerem a importância da terra em suas vidas, devido à sua consciência de sua dependência da mesma (normalmente sociedades agrícolas).
O conceito de Sagrado tem extrema participação nessa apuração de LUGAR. Em seu livro “A Mente Selvagem”, Claude Lévi-Strauss conta-nos a observação de um filósofo tribal que mantém até os dias de hoje alguns costumes neolíticos:

“Todas as coisas sagradas precisam ter seu Lugar.”

“Entendemos então que ESTAR NO SEU LUGAR é o que torna sagrados
objetos, pois se eles fossem tirados de seu LUGAR, mesmo que só em pensamento,
toda ordem do Universo seria destruída.”
Palavras de Claude.

Muitos têm a visão deturpada de que religiosos tribais teriam o costume de “olhar para o passado” e acabam por construir seu culto à ancestralidade fundamentados nesse erro. Seria uma afirmação correta segundo nossa perspectiva atual, em que o tempo é linear (esqueçamos física quântica por um momento). Entretanto, o tempo tribal jamais foi linear. Esse tempo não se aplicava sobre a linha temporal conhecida atualmente, na qual um acontecimento passado, chega ao presente e ruma ao futuro (vejamos o próprio conceito da Roda do Ano). Na verdade, o tempo tribal é ATEMPORAL; poderíamos caracterizar como um AGORA ETERNO.
Para essas sociedades, o passado teria a grande forma de estarem mais próximos ao princípio gerador do TODO (seus Deuses).
Segundo Mircea Eliade (uma das maiores autoridades mundiais no estudo de religiões) sobre as culturas tribais:

“O mundo é renovado atualmente; em outras palavras, a cada ano novo ele
recupera sua santidade original, a santidade que possuía quando saiu das
mãos do ‘criador’.”

(The Sacred and the Profane – 1957)

Mais uma vez o conceito da Roda do Ano, no qual vivemos o exato momento dessa Roda, tentando nos alinhar à energia Natural das estações.
É certo que muito aquém disso, mesmo as religiões historicamente mais conhecidas têm seus ritos de renovação (mais uma característica da herança tribal que receberam). Desses conceitos atemporais é que surgem formas de manifestação religiosa como o culto a animais, ou animais-totem. Esses animais são venerados não só por sua proximidade maior com a Terra, bem como por sua “anterioridade” ao homem,
tornando-os assim fonte de contato mais estreito com as deidades. Esse tipo de pensamento também tem sua relação com a ancestralidade.
Os Novos devem maior respeito aos Anciões. Esse conceito também faz parte dos princípios de Gardner e sua reconstrução da bruxaria ocidental chamada WICCA. Desse princípio surgem os conselhos de Elders (anciões) nos Covens.
Nas culturas tribais, os ancestrais também seriam uma representatividade das deidades. Esses ancestrais são vistos como prolongamentos dos primeiros ancestrais da tribo que eram verdadeiramente divinos. Tornam-se assim a ponte de ligação entre a geração atual e seus ancestrais primordiais, as deidades.
A grande verdade é que, quanto mais envelhecemos, mais nos aproximamos do retorno ao grande mistério conhecido como morte, e, como reencarnacionistas que crêem em Summerland, reconheceremos nessa passagem a grande oportunidade de encontro com nossas deidades. Ao mesmo tempo, envelhecendo, mais nos aproximaremos das novas gerações (daí o respeito aos idosos), pois também as crianças não teriam
vindo há pouco tempo desse mistério? O reconhecimento a nossos ancestrais, mesmo aos que possivelmente já reencarnaram, será o reconhecimento ao que somos atualmente, e ao que serão nossos descendentes que, por sua vez, nos chamarão de ancestrais.
Chegamos à conclusão de que, para essas civilizações tribais, o tempo é O AGORA, o passado é o culto à ancestralidade e o futuro, a renovação desse mesmo presente.
O que consideramos como ancestrais? Em Wicca são considerados ancestrais os familiares diretos, causa precípua de nossa existência, assim como os ancestrais formadores de nossas crenças, sejam eles nossa Linhagem (conjunto de iniciadores e seus iniciadores, que foram por sua vez iniciados por outros iniciadores, até chegarmos a Gardner) e mesmo os Elders de nossos Covens. Essa forma de culto particular, além dos motivos apresentados acima, é de suma importância, à construção de nossa egrégora, uma vez que em se tratando de desencarnados, espíritos etéreos, os mesmos estariam próximos aos Deuses, favorecendo assim a movimentação de forças divinas e telúricas. Cultuar nossa ancestralidade traz ainda um conceito antigo em magia:
O culto aos Mortos e mesmo a crânios (templários) é amplamente presente nas doutrinas Mágicko-Religiosas e sociedades do passado. É o caso dos Eguns das religiões Afro, dos Egípcios com suas estátuas mortuárias, da religião Católica com seu culto aos Santos Mortos. Entendemos que esse tipo de culto não tem a função apenas de nos ligarmos a deidades por intermédio desses ancestrais, mas também o de reconhecimento de nossa condições de mortais enquanto encarnados. Observar um crânio nos trará a forte certeza de que também seremos um crânio um dia. Nada parecido com a cultura gótica de seus passeios noturnos a cemitérios. Wiccanianos amam as cores presentes na natureza. Festejam a fertilidade, e não a morte como uma meta. Os estereótipos de Wiccanianos vestidos de preto, com pentagramas gigantescos em seus pescoços e soturnos é uma manifestação pura de incompreensão das filosofias Wiccanianas e de Gardner. O culto aos mortos é apenas a aceitação e a compreensão da breve passagem pela encarnação e a necessidade de evolução, jamais um desejo por essa passagem, afinal consideramos a vida, sua beleza e suas cores como uma dádiva dos Deuses.



FONTE: Wicca - A Bruxaria saindo das Sombras; Millenium.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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