Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Trecho do livro 'A Bruxa Solitária' de Rae Beth:
 " "Travessuras ou gostosuras", tenho certeza que vocês já sabem, é um hábito novo que veio da América. Referese às crianças que vão de porta em porta demandando obséquios; do contrário, pregam peças nos ocupantes das casas. Quanto a esse costume, está bem fiel ao Samhain, ou Hallowe'en, a noite em que isso acontece. Samhain é a "noite das travessuras", na qual se espera que os duendes preguem peças nos seres humanos, a serviço do Rei do Desgoverno, aquele aspecto do Cornífero que não permite nos levarmos a sério demais. O Rei do Desgoverno também atenua as coisas com surpresas, anedotas e acontecimentos bizarros, porque as fronteiras se desmancham em Samhain, e os mundos se fundem. As "travessuras ou obséquios" talvez sejam praticados por crianças emissárias do Rei do Desgoverno.

Este festival refere-se à morte do ano e, portanto, é Ano-novo, pois a morte implica em renascimento. Mas durante essa época, a morte parece mais óbvia que o intangível renascimento. Campos ficam em pousio, a seiva penetra nas raízes, e toda a natureza descansa. Há uma atmosfera estranha nas névoas outonais e nas cores enfumaçadas do entardecer. Este é, de fato, o Festival do Retorno dos Mortos, como também o
reconhecimento do fim de um ciclo solar. Por isso tem a reputação de acontecimentos fantasmagóricos com suas associações de asas-de-morcego e capas-negras.
Janet e Stewart Farrar, em Eight Sabbats for Witches, comentam o seguinte: "Samhain é o tempo da estranheza psíquica, pois na mudança do ano — o antigo morrendo, o novo pornascer — o Véu é muito frágil."
O ano velho se dissolve, se fragmenta, no Samhain, e o resultado é o colapso de todas as fronteiras, incluindo aquelas entre a vida e a morte. É portanto mais fácil do que usualmente perceber a presença psíquica dos que já morreram, mas ainda estão conectados conosco, ainda cuidam de nós. Esta é uma das razões para os eventos fantasmagóricos em Hallowe'en. Os vivos, os mortos e os ainda por nascer podem encontrar-se em espírito nesta noite, comunicando-se e trocando informações. Também os espíritos naturais caminham entre nós, tanto os bondosos quanto os travessos.
Por isso, Samhain é a melhor noite do ano para atos clarividentes e vaticínios. Dizem que algumas das visões e mensagens psíquicas são enviadas pelos Amados Mortos, isto é, por amigos queridos ou membros da família com os quais possuímos elos de afeto. Outras (visões e mensagens) talvez sejam um presente direto da Deusa. Tudo o que surge deve ser levado a sério. A experiência tem demonstrado a Cole e a mim que muitas vezes eles fornecem a chave ao tema principal do ano seguinte, de forma simbólica.
Sobre o retorno dos Amados Mortos, não há nenhuma tradição na bruxaria que de algum modo justifique a tentativa de "chamar os mortos de volta". As bruxas acreditam que os mortos se unem livremente a nós nesta noite, se forem capazes ou se quiserem. Chamá-los de volta pode interferir nos estágios de purificação, descanso e preparação de uma nova vida, que todos passamos entre as encarnações. Qualquer tentativa forçada provavelmente falhará, se for praticada inoportunamente. Mas se acaso realizar-se, pode romper um processo natural e prejudicar o espírito que retorna. Então, em Sambam, as bruxas ritualizam a acolhida aos
Amados Mortos e simplesmente esperam. Se algum espírito querido desejar a volta, será reconhecido. Se não, devemos lembrá-lo com amor e aceitar sua ausência.
Por falar nisso, e caso queiram saber, nunca ouvi falar de uma bruxa que fosse perturbada pelo retorno de maus espíritos em Samhain. Penso que a atmosfera psíquica de um círculo mágico bem construído os espantaria. Se maliciosos, não gostariam da comunhão, da harmonia e do respeito pela vida, e, em qualquer caso, não atravessariam os Guardiães dos Espíritos. Não haveria nenhuma possibilidade séria de demonstração negativa, enquanto eles e também a Deusa e o Deus cuidarem de vocês.
Nossos ancestrais talvez fossem supersticiosos sobre essas coisas. Porém, tinham outras razões para sentirem-se tensos em Samhain. Se a colheita era escassa, a mudança do ano indicava um longo período de penúria. O alimento faltaria até o próximo verão. Mesmo quando a colheita era boa, as decisões ainda precisavam ser tomadas a respeito da distribuição, do armazenamento, e também do equilíbrio no consumo de certos alimentos.
Questões de barganhas também seriam consideradas. Que alimentos poderiam, seguramente ser trocados por outras coisas? O que guardariam? Na época de Samhain, o portal para o inverno, tudo isso tinha de ser decidido. As decisões certas haviam sido feitas? Estava tudo em ordem? Nossos ancestrais procurariam as respostas e a confiança por meio dos vaticínios.
Nós ainda buscamos mensagens em Samhain com a mesma urgência pessoal, apesar de nem sempre com os mesmos imperativos econômicos ou físicos. Hoje, como no passado, a Deusa ou Velha Sábia e o Deus ou Rei das Sombras são os guias através do reino da morte e da incerteza da mais misteriosa estação. O Deus é o Rei da Noite, a Velha Sábia traz à Samhain a dádiva da Sapiência, que pode ser doce ou amarga, de acordo com nossas circunstâncias e desejos. Por isso precisamos considerar a morte como um aspecto de nossas vidas. Talvez algum antigo plano ou aspiração deva morrer agora. "


Sugestão de ritual para grupos, círculos e covens; do livro ' A Dança Cósmica das Feiticeiras ', de Starhawk.




O altar é decorado com folhas de outono. Uma maçã e uma romã são colocadas no altar e, no centro do círculo, encontra-se um cristal ou tigela de contemplação. O Círculo se reúne, faz uma meditação da Árvore da Vida e o facilitador diz:
— Esta é a noite em que o véu que divide os mundos torna-se tênue. Este é o Ano-novo na hora da morte do ano, quando a colheita foi feita e os campos estão vazios. Pois, esta noite, o rei do ano que se encerra navegou para o mar sem sol, que é o ventre da mãe, e aporta na Ilha Resplandecente, o luminoso ovo do universo, tornando-se a semente de seu próprio renascimento. Os portões da vida e da morte são abertos; o Filho do Sol é concebido; os mortos andam e, para os vivos, o mistério é revelado: cada fim é apenas um novo início. Encontramo-nos no tempo fora do tempo, em todos e em nenhum lugar, aqui e lá, para saudarmos o Senhor da Morte que é o Senhor da Vida e a Deusa Tríplice que é o círculo do renascimento. Purifique, disponha o círculo e invoque a Deusa e o Deus. Todos se dão as mãos e começam um cântico antifônico: 

É o grande frio da noite, é a escuridade. (Repita.)
A mulher vive, ela passa, ela morre.
É o grande frio da noite, e é escuridade.
O medo vive, ele passa, ele morre.
É o grande frio da noite, é a escuridade. (Continue com versos improvisados.) 

Enquanto o cântico prossegue, sacerdote e sacerdotisa colocam uma venda sobre os olhos de cada membro. Um por um, eles são conduzidos para fora do círculo, girados e organizados em forma de "navio", alinhados num longo triângulo, com as mãos sobre os ombros dos outros, balançando-se para frente e para trás. O sacerdote enrola um cordão em seus pulsos, unindo-os. Os membros do coven cantam, suavemente: 

Tecendo o fio do navio prateado
 da alvura translúcida
navega nas ondas
do mar escuro
tecendo (Etc. repita.)

Quando cada pessoa embarca no "navio", recebe urna palavra ou frase para repetir: "Tecendo, tecendo, tecendo" ou "Navega nas ondas, navega nas ondas", por exemplo, de modo que um ritmo complexo e hipnótico se desenvolva. Continue até que os membros do coven entrem em transe. O cântico altera-se para:
Guerreiro pérola-acinzentado, procura fantasmagórica;
Príncipe do crepúsculo, navegando para o oeste! 

Desenvolva o poder, aguarde pelo silêncio. O sacerdote avança e diz: 

Enxergamos o contorno da margem longínqua.
Veja a luz sobre as ondas, um manto,
Um caminho para ser seguido.
Caminhe sobre as ondas, desembarque em terra firma. Retire suas amarras e seja livre!
Os membros do coven rompem suas ataduras.
Pois aqui não há amarras. Livre-se dos véus que impedem sua visão!
Os membros do coven removem as vendas de seus olhos.
Pois aqui todos os olhos se abrem!
Vocês, guerreiros, aqui suas batalhas acabaram.
Vocês, trabalhadores, aqui suas tarefas foram realizadas!
Você, que foi ferido, aqui encontre cura!
Você, que está cansado, aqui encontre repouso.
Você, que está velho, aqui se rejuvenesça!
Pois esta é a terra da juventude,
A terra resplandecente, a ilha das maçãs.
Aqui os bosques jamais se extinguem; aqui há uma árvore, o cerne da luz,
E um poço de silêncio
Entregue-se, entregue-se ao sono, ao lado daquele profundo e verde poço.

Membros do coven deitam-se, mirando o cristal de contemplação. Dão início a uma indução de transe com vozes múltiplas, enquanto o sacerdote prossegue: 

E siga-O — Ele está aqui...
O confortador, o consolador, O descanso do coração, o fim da tristeza.
Ele é o guia: o portão está aberto.
Ele é o guia: o caminho está livre.
Ele é o guia: a morte não é uma barreira...
Pois ele é o senhor da dança das sombras...
Rei no reino dos sonhos. 

Todos contemplam juntos, silenciosamente, ou dizendo o que veem. Permita um longo período: esta é a melhor noite do ano para a contemplação.
Quando todos tiverem retornado, o sacerdote e a sacerdotisa dirigem-se para o altar. Ela toma a romã e eleva-a, dizendo: "Eis a fruta da vida..."
Ele enterra seu athame nela e parte a fruta, dizendo: "...Que é a morte!" Alimentam-se mutuamente, bem como os membros, com as sementes, enquanto dizem: "Provem as sementes da morte." Ele segura a maçã, dizendo: "Eis a fruta da morte..." Ela a corta em forma de uma cruz, dizendo: "Que é a vida?", e a eleva para mostrar o pentagrama formado pelas sementes e diz: "Vejam a estrela quíntupla do renascimento!"
Todos recebem um pedaço de maçã e um gole de bebida, enquanto dizem: "Prove a fruta do renascimento e beba da taça da bebida da vida."
Todos se dão as mãos e as erguem. A sacerdotisa diz:
— Eis o círculo do renascimento. Através de você (ao sacerdote) tudo passa para fora da vida, mas através de mim tudo pode renascer novamente. Tudo passa, tudo se transforma. A semente torna-se fruta; a fruta torna-se semente. Nascendo, morremos; com a morte, nos alimentamos. Conheça-me e liberte-se de todo medo, pois meu ventre é o caldeirão do renascimento. Em mim, o círculo sempre gira.
Todos: - Abençoada seja!
Festeje e abra o círculo.

Se você é praticante solitário, pode encontrar um modelo de ritual no livro "Wicca para Todos" disponível para download neste blog, na coluna lateral. Há também um disponível no Bruxaria.net, no seguinte link:

Ritual para Solitários

Tenham um ótimo Sabbat de Samhain!
Bençãos da Velha Sábia e do Senhor das Sombras!

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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