Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Fonte: Doreen Valiente, “Enciclopédia da Bruxaria”

“The Four Witches”, Dürer, 1497.
O fato de algumas bruxas da atualidade acreditarem na antiga ideia da nudez ritual é uma das coisas que agentes sensacionalistas sentem prazer em divulgar. De vez em quando nós temos a chance de sermos surpreendidos com alguns artigos do jornal de domingo com vívidas descrições de “orgias de nudez para adoração do demônio” e outras coisas parecidas, que supostamente acontecem na Grã-Bretanha dos dias de hoje. No entanto, os covens mais antigos, que evitam publicidade inoportuna, de maneira geral não fazem grande insistência quanto à nudez ritual, embora eles não vejam nada de absurdo em sua prática. Para alguns ritos, em uma noite de verão bastante quente, ou em lugares fechados, próximo ao fogo, é um prazer estar sem as roupas. Para outros ritos, em lugares ao ar livre na escuridão do Halloween, ou à meia-noite da Lua Cheia em alguma floresta solitária, é muito mais razoável estar muito bem agasalhado.
A ideia da nudez como parte de um rito mágico ou religioso é encontrada por todo o mundo antigo. Nas famosas pinturas da Vila dos Mistérios, em Pompéia, a jovem garota que está sendo iniciada aparece vestida e com o rosto coberto por um véu, mas, ao fim da cerimônia de iniciação, ela é mostrada dançando nua, em um estado de êxtase religioso. Ela abandona todas as suas preocupações terrenas, todas as distinções de classe; ela é agora uma pessoa una com a natureza e com a vitalidade do universo. É essa liberdade e beleza que constituem o êxtase religioso para os pagãos.
Temos, no Antigo Testamento, em especial Samuel I, XIX-24, que os profetas antigos ou videntes de Israel profetizavam em um estado de nudez ritual. Nisso, eles eram como os Gimnosofistas, ou os Homens Sábios Nus da Grécia Antiga (do grego gymnos, nu, e sophos, sábio). Talvez, por essa razão, a idéia chegou até os romanos e gregos de que a nudez ritual era favorável para a realização de ritos mágicos. O que tinha começado como um costume religioso acabou tornando-se algo mágico.
Charles Godfrey Leland, em seu “Magia Cigana”, observou as frequentes aparições da nudez ritual nos feitiços das Bruxas e no folclore em geral. Ele ressalta a semelhança entre as danças nuas selvagens dos antigos Sabás, como foram descritas por Pierre de Lancre, e os festivais dos ciganos, e ele nos faz lembrar que os ciganos vêm do Oriente, onde era comum acontecerem danças eróticas de mulheres em homenagem aos Deuses Bruxas e ciganos há muito tempo apresentam esse tipo de semelhança.
Maimônides conta-nos que as jovens mulheres da Pérsia Antiga costumavam dançar na madrugada em homenagem ao Sol, nuas e cantando músicas; nós temos o relato dados por Plínio em sua “História Natural” sobre como as mulheres da antiga Grã-Bretanha também realizavam ritos religiosos sem roupas. Plínio considerava a Pérsia o lar dos Magi, o lar da magia, mas ele diz que os rituais eram tão bem realizados na antiga Grã-Bretanha que nós podemos ter ensinado magia aos persas, em vez do contrário. O costume da nudez ritual era certamente comum em ambos os lugares.
Relíquias da antiga crença no poder mágico da nudez podem às vezes ser encontradas no folclore. Por exemplo, existe uma ideia antiga de que uma mulher pode ser curada de esterilidade se caminhar nua por seu jardim de verduras na Véspera do Midsummer, uma data que, devemos nos lembrar, é a do Sabá das Bruxas.
Thomas Wright, em seu ensaio que acompanha a obra de Payne Knight, “Discourse on the Worship of Priapo”, tem uma interessante passagem com relação a esse assunto.
Nós acreditamos que em uma das primeiras edições da Mãe Brunch, donzelas que desejavam saber se seus amantes eram constantes ou não recebiam instruções para saírem exatamente à meia-noite na Véspera de São João, tirar suas roupas, ficando totalmente nuas e, nessa condição, caminhar em direção em uma planta ou um arbusto, o nome do qual era dado, e ao redor dela elas deveriam formar um círculo e dançar, repetindo ao mesmo tempo algumas palavras que aprendiam com suas instrutoras. Ao terminar a cerimônia, elas deveriam juntar folhas da planta em redor da qual tinham dançado, que deveriam levar pra casa e colocar sob seus travesseiros, e o que desejavam saber seria revelado a elas em seus sonhos. Nós já vimos em alguns estudos medievais sobre instruções para colher as plantas de modo que tivessem virtudes especiais, e se exigia que isso fosse realizado por jovens garotas em um estado semelhante de completa nudez.
Em “Aradia: O Evangelho das Bruxas”, os seguidores de Diana recebiam a ordem de estarem nus em seus ritos, em sinal de que se sentiam totalmente livres.
Por essa razão, muitos covens de Bruxas de hoje insistem em realizar seus ritos nus. Entretanto, existe uma grande diferença entre os climas da Itália ou do Oriente, e o clima das Ilhas Britânicas, como outras Bruxas indicam. Exigir a nudez ritual todas as vezes para as cerimônias das Bruxas na Grã-Bretanha hoje é simplesmente algo não-prático.
Além disso, muitas das Bruxas mais velhas sentem que toda a publicidade sobre danças de Bruxas nuas atrai um tipo de interesse errôneo sobre o que a tradição de fato significa, ou que deve significar como a Arte dos Sábios. As pessoas que estão à procura apenas de um pouco de excitação sexual procuram pela tradição, sem nenhum compromisso ou crença sérios. Muita ênfase, elas acreditam, foi colocada nessa característica da Velha Religião. Elas acham que, junto com a outra velha prática do flagelo ritual, a nudez ritual é algo que pode muito bem ser deixado no passado, sem qualquer detrimento para o culto das Bruxas.
reação do público quanto à ideia das Bruxas dançando nuas é uma crítica das Bruxas ou uma crítica da mentalidade popular, depois de quase 2000 anos de civilização cristã?”
O verdadeiro espírito da Bruxaria não tem nada em comum com as banais fantasias sexuais de escritores de filmes e da imprensa marrom (jornais de fofocas e cenas de escândalo). Tampouco ele é como o ocultismo superintelectualizado tanto do Ociedente como do Oriente, que exige muitas palavras longas para se expressar. 
O verdadeiro segredo não pode ser expresso em palavras. Eles são muito mais questões de sentimento e de intuição, do que do intelecto. A alegria e a hilariedade de dançar nu é uma maneira de aproximar-se desse espírito.
No entanto, atuais “expositores” da Bruxaria não são os primeiros a se sentirem excitados com a idéia de Bruxas nuas. Uma série de artistas do passado teve o prazer de desenhar Bruxas como jovens mulheres voluptuosas, nuas e impudentes. Um importante artista desse gênero foi Hans Baldung Grun, e foi um de seus desenhos que deu a Albrecht Dürer a idéia para a famosa pintura de Dürer, “The Four Witches”.
Esse maravilhoso trabalho de arte, datado de 1497, mostra quatro mulheres de seios fartos tirando suas roupas para um rito de Bruxas. O propósito da figura, nem sempre compreendido, é este: as mulheres tiraram todas as suas roupas com exceção de seus toucados, e esses toucados, todos diferentes, mostram as várias classes da sociedade das quais elas vêm.
Há a senhora mais alta [no sentido de alta sociedade], com uma touca mais elaborada com um material delicado sobre a sua cabeça. Há a cortesã, com seus cabelos soltos e esvoaçantes, presos somente por uma grinalda de folhas. Há a respeitável esposa de um morador da cidade, com um toucado liso e surrado, que cobre todo o seu cabelo de forma modesta. Por último, mostra a mulher camponesa, com apenas a ponta final de seu xale ou véu sobre a cabeça. O artista está dizendo que todas elas são irmãs na Bruxaria, e que as Bruxas vêm de todas as classes da sociedade. Quando elas estão nuas, encontram-se como iguais, e as distinções sociais são esquecidas.


Cena do filme "The Wicker Man", 1972.

O tempo da colheita se aproxima, tempo de avaliar tanto os ganhos como as perdas. Simultaneamente, o Sol está para entrar no signo da balança, Libra. Portanto, o equilíbrio é um tema forte, assim como o agradecimento. O dia e a noite serão iguais, como no equinócio da primavera, mas, depois deste festival, a escuridão vence. Os dias ficam mais curtos, atravessando o solstício de inverno.
Este é o equinócio de outono. O Festival da Colheita, tempo de celebrar, de agradecer e de jogar fora coisas desnecessárias, o lixo e a bagatela. Um festival de dois lados, de dois fios.
O símbolo universal da reencarnação, a espiral dupla, é especial para essa época do ano. O significado disso é que a expiração é sempre seguida (equilibrada) pela inspiração, como o sono é seguido pelo despertar, e a morte pelo renascimento. Portanto, uma espiral dupla fornece a mensagem ao nos torcermos em direção ao ponto silencioso, ou à noite mais sombria, o solstício de inverno. Vocês querem saber de onde deriva a espiral dupla? Bem, as espirais têm sido usadas simbolicamente em muitas terras e em todos os tempos, desde a Idade da Pedra. São esculpidas em blocos pétreos e câmaras mortuárias. A espiral dupla mostra a penetração e o retorno, daí o renascimento. Interessante, possui também a forma do ADN, mas isto não se conhecia no passado, exceto talvez intuitivamente. Parece ser o padrão fundamental de toda a vida. Os pesquisadores dedicados à força geodética descobriram associações de espirais com energia elétrica, criadas por fontes ocultas e riachos subterrâneos.
A Deusa é a Dama da Abundância. Seu caldeirão, sua cornucópia, produz todas as coisas boas, uma abundância de bênçãos. O Deus é o Rei da Colheita. Sua união é frutífera e faz tudo sobre a Terra.


Hemisfério Norte (21/09) e Hemisfério Sul (21/03).
Mabon é também chamado de Equinócio de Outono. Esse é o segundo período do ano em que o sol se encontra diretamente sobre o Equador e em que dia e noite têm igual duração. É nessa fase em que a Luz e Escuridão estão equilibradas, mas a escuridão começa a ganhar da Luz e, em breve, a Escuridão suplantará a Luz. Esse Sabbath é encarado como um tempo de equilíbrio, gratidão aos Deuses e reflexão, representa a segunda colheita da Roda e é a maior colheita do ano. Mabon marca o momento de começarmos a compreender que em breve a Morte de nosso Deus mais uma vez se manifestará.
Em Mabon, temos a convicção de que a cada dia nosso Deus, o Sol, enfraquece seus raios e diminui sua luz. Ele está envelhecendo e morrendo lentamente como as plantas colhidas da terra. Ele gastou todo o seu poder fertilizador durante os Sabbaths anteriores, e é esse poder que agora é colhido por nós nas colheitas nessa época. Nossa Deusa, grávida, mantém-se de pé diante do leito de morte do Deus, mas ela tem a
promessa de seu renascimento dentro do útero, por isso não está triste. Ele aos poucos definha em seus braços. As plantas estão começando a morrer e suas folhas caem e tornam-se de um marrom desvitalizado. Animais estão preparando abrigo para o frio que se aproxima.
Considerando que esse é um dos dois dias de equilíbrio do ano (como vimos em Ostara), é tradicional fazer uma limpeza na casa. Deverão ser abençoados os umbrais da casa para proteção dos que nela vivem. Compre roupas novas, renove seu guarda-roupa.
É uma ótima época para feitiços que visam ao seu equilíbrio, seja financeiro, amoroso ou profissional. Abra mão de culpas que não pertencem a você substituindo-as por carinho e aceitação. Aumente sua auto-estima. Leia muito, renove também seus conceitos intelectuais. Andar de pés descalços na natureza é ótimo para equilibrar-se energeticamente.
Devemos também pedir pelos que estão doentes e pelas pessoas mais velhas, que precisam de nossa ajuda e conforto, assim como é a época ideal para prestar homenagens a nossos antepassados femininos, queimando papéis com seus nomes no caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênçãos.

Correspondências de Mabon



Alimentos tradicionais:  produtos do milho e do trigo, pães, nozes, vegetais, maçãs, raízes (cenouras, cebolas, batatas, etc.), cidra e romãs.
Incensos: benjoim, mirra, sálvia, flor do maracujá e papoulas vermelhas.
Cores das velas: marrom, verde, laranja, amarela.
Pedras preciosas sagradas: cornalina, lapis-lazuli, safira, ágata amarela.
Ervas ritualísticas tradicionais: bolota, áster, benjoim, fetos, madressilva, malmequer, plantas de sumo leitoso, mirra, folhas do carvalho, flor do maracujá, pinho, rosas, salva, selo-de-salomão e cardo.





FONTES: A Bruxa Solitária - Rae beth
A Bruxaria sainda das Sombras - Millenium



Os mistérios de Elêusis (também conhecidos como mistérios eleusinos) eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Demeter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele podem ser notados em práticas iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos iniciados.
Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Proserpina para os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios. Daí seu prestígio. Muitos desses mistérios ainda não foram totalmente desvendados; no entanto, no grande complexo de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter, o Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas em vasos que representam alguns desses ritos.
Busto de Démeter, no Casino di Villa Boncompagni Ludovisi
Os mistérios eleusinos celebravam o regresso de Perséfone, visto que era também o regresso das plantas e da vida à terra, depois do inverno. As sementes que ela trazia significavam o renascimento de toda a vida vegetal na primavera.
Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos deuses cosmogônicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes veio do Egito. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do tempo, revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica, repleta de beleza.

A doutrina da vida universal

O ritual dos Mistérios de Elêusis encontrava expressão na lenda da deusa Deméter e sua filha Perséfone, raptada por Hades (Plutão), rei do Mundo Inferior, quando colhia flores com suas amigas, as Oceânidas, no vale de Nisa. Deméter, ao tomar conhecimento do rapto, ficou tão amargurada que deixou de cuidar das plantações dos homens aos quais havia ensinado a agricultura. Os homens morriam de fome, até que Zeus (Júpiter), que havia permitido a seu irmão Hades raptar Perséfone, resolveu encontrar uma forma de reparar o mal cometido. Decidiu, então, que Perséfone deveria voltar à Terra durante seis meses para visitar sua mãe e outros seis meses passaria com Hades.
O mito simboliza o lançar sementes à terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de morte e ressurreição. No seu sentido íntimo, é a representação simbólica da história da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento e depois sua re-ascensão e volta à vida divina.
O mito de Elêusis ainda se encontra vivo hoje nas diversas escolas Iniciáticas que ainda persistem: É a Doutrina da vida Universal, que se encerra no simbólico grão de trigo de Elêusis, que deve morrer e ser sepultado nas entranhas da terra, para que possa renascer como planta, à luz do dia, depois de abrir caminho através da escuridão em que germina.


O Retorno de Perséfone de Frederic Leighton (1891).

Cenas enigmáticas

Ritual tinha procissão, encenações e até efeitos especiais
1 - O culto era em meados de setembro e a preparação incluía sacrifícios de animais e dias de jejum para os candidatos a iniciados, os mystai. O dia da cerimônia começava com uma procissão que partia de Atenas, ao amanhecer, com destino a Elêusis. Com ramos de murta (um arbusto) nas mãos, os mystai caminhavam como se seguissem os passos da deusa Deméter em busca da filha Perséfone. Sacerdotisas carregavam objetos sagrados dentro de cestas sobre a cabeça.
2 - Ao cruzar o rio Kephisos, os mystai assistiam a encenações em que uma mulher, ou um homem em trajes femininos, representava Baubo, ser que simbolizava o divertimento. Segundo a mitologia grega, Deméter, triste pela perda da filha, só teria conseguido sorrir quando Baubo, na forma de uma velha desbocada, contou-lhe piadas, fez gestos maliciosos e levantou a roupa para mostrar a própria genitália.
3 - Em um trecho mais adiante da procissão, os mystai tomavam uma bebida supostamente alucinógena feita para a cerimônia. Sob o efeito desse misterioso líquido, eles carregavam uma estátua de Dioniso - deus grego da fertilidade, do vinho e da embriaguez - e invocavam o nome dele. Ao passarem por um segundo curso d’água, o riacho Rheitoi, os mystai eram reconhecidos como iniciados após repetirem algumas frases que descreviam todo o ritual dos Mistérios.
4 - Ao anoitecer, a procissão chegava a Elêusis para uma cerimônia num templo chamado Telesterion. Essa era a fase final e mais secreta do ritual. Sabe-se que era comandada por um sacerdote, o Hierofante. Acredita-se que a celebração misturava efeitos especiais rudimentares, como luzes misteriosas, com a exibição de falos - representações do pênis, adorado pelos antigos como símbolo da fecundidade da natureza. É possível que houvesse também a dramatização de cenas do Hino a Deméter.
Vaso que ilustra alguns aspectos do culto, Altes Museum, Berlim

Bebida polêmica

Matéria-prima do LSD pode ter sido usada
Os participantes dos Mistérios de Elêusis tomavam uma bebida, chamada kykeon, cuja fórmula divide os especialistas. Entre os possíveis ingredientes estariam o poejo (erva aromática levemente alucinógena), o ópio ou, ainda, cravagem (uma infestação de fungos que aparece em cereais). Se essa última hipótese valer, entre os componentes solúveis da bebida estaria a ergotina, matéria-prima do LSD.

FONTE: Wikipédia e Mundo Estranho.


Selecionei o trecho abaixo do livro "Mistérios Wiccanos", de Raven Grimassi, pois explica o plano astral na concepção wiccana, o que é difícil de encontrar. Na maioria das vezes importamos esses conceitos esotéricos de culturas orientais ou New Age, e não sabemos como conciliá-los com nossa prática wiccana.


Um aspecto integral dos Mistérios Wiccanos é o do Plano Astral. Trata-se de uma dimensão de difícil definição, pois na verdade engloba sete realidades e relacionamentos. O Plano Astral pode ser visto como um contínuo de Tempo-Espaço paralelo. É também um estado de consciência, em alguns casos ligado à imaginação, porém mais no plano da imaginação mental controlada do que na delicada trama dos sonhos e devaneios. Enquanto o plano físico é um plano das formas, o plano astral é um plano de força. Como J. H. Brennan afirma em seu livro "Astral Doorways" (Weiser, 1971): "Pensamentos se tornam imagens. Abstrações se tornam símbolos. Emoções se tornam as forças motrizes por trás delas".

Em muitos aspectos, não é muito diferente do mundo dos sonhos que visitamos a cada noite. A principal diferença é que, no mundo dos sonhos, quando os objetos e situações se alteram, nós simplesmente seguimos essas alterações. Por exemplo, quando um ônibus para e a porta se abre, entramos nele sem nos perguntar para onde ele vai. No plano astral, nós reagimos a objetos e situações com a mesma racionalidade com que o fazemos no mundo físico. Nesse cenário de faz-de-conta, o ônibus para e temos ciência da situação; podemos nos perguntar: afinal, o que é isso?

O mundo dos sonhos é na verdade um dos portões para o plano astral. Os iniciados na Tradição dos Mistérios aprendem como obter controle sobre os seus sonhos. Uma vez que o tema e o desenvolvimento de um sonho possam ser determinados, é possível criar-se um portal, ou passagem, através do qual entramos na dimensão astral como e quando desejamos. Alguns iniciados preferem estabelecer um cenário de templo no mundo dos sonhos, por meio do qual podem transferir as influências ao material Astral sem ingressar pessoalmente na própria dimensão.

O material da dimensão astral é conhecido como luz astral. Pode ser moldado e modelado como argila pelas energias de nossos pensamentos e emoções. É nessa substância etérea que criamos as formas-pensamento que servem de canal para forças mais elevadas. Esse material não só é influenciado pelas emanações da dimensão física como também pelas dos planos mais elevados, inclusive os planos Divino e Espiritual. Dessa forma, situações e eventos originados acima se formam no plano astral, vindo a se manifestar então na dimensão física (a não ser que outra energia altere essa forma de algum modo). É aí que a arte da adivinhação tem base na ciência metafísica. Se uma pessoa pode acessar imagens em formação no plano astral, poderá então compreender o que está prestes a se manifestar no plano físico.

Devemos compreender, no entanto, que a adivinhação é simplesmente a previsão de eventos que se encaminham para a sua manifestação. As imagens astais que animam esses eventos podem ser alteradas pelo fluxo constante de correntes que passam pela dimensão astral. Desse modo, o que realmente vemos na adivinhação é o que virá a ocorrer, se os padrões não forem alterados. Nada, segundo os Ensinamentos Misteriosos, é fixado no tempo, nada irá inevitavelmente acontecer em nossas vidas apesar de nossas tentativas(a não ser, é claro, a morte de nossos corpos físicos). Entretanto, os eventos mais importantes de nossas vidas são parte do padrão IMPRESSO em nossos espíritos quando nossas almas nascem na carne. Essa é a base metafísica da Astrologia, a chamada Impressão Estelar. Nosso mapa natal pode apresentar os principais padrões estabelecidos para nós em nossa existência física, bem como as forças e fraquezas de nosso estados espiritual. Podemos trabalhar a favor ou contra esses padrões, pois possuímos livre-arbítrio.

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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