Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Continuação do post anterior, retirado do livro "A Bruxa Solitária", de Rae Beth.

"Como em qualquer outra atividade mágica, você deve estar livre de interrupções. Tire o fone do gancho e coloque um anúncio na porta, se necessário, pedindo aos visitantes que retornem no dia seguinte. Agasalhe-se, pois a temperatura de seu corpo cairá quando estiver em transe. O coração e a respiração tornam-se mais lentos, como no sono. Sente-se confortavelmente, numa posição relaxada. Uma poltrona com o encosto quase reto é ideal para começar. Não cruze braços e pernas. E agora relaxe.

Talvez seja necessário praticar um simples exercício relaxante, como encolher e soltar os músculos. Inicie com os pés, apertando todos os músculos até os tornozelos. Segure firme e depois solte. Suba até os joelhos e a coxas. Retese cada um por sua vez e a seguir relaxe. Depois os músculos do estômago, cadeiras, peito e ombros. Retese e solte, devagar. Depois braços e mãos. Então o pescoço e a mandíbula. Finalmente retese todos os músculos da face. Solte tudo e relaxe, de cima a baixo.
Este é um exercício de relaxamento comum. Se você tiver outra técnica predileta, por favor, utilize-a. Com o tempo, não precisará de nada, vai entrar em transe à vontade.
Mentalmente lance uma esfera de luz azul ao seu redor, a mesma que você lançou ao redor do círculo mágico. Visualize-a. Depois diga:

Agora lanço ao redor de mim uma esfera de luz azul, como a capa que circunda a nossa Mãe Terra. Que isso me proteja. Sou da Terra e do céu, filha da Grande Mãe. Que ela e o Deus Corntfero cuidem de mim. Que eu seja orientada nos Reinos Interiores, onde a infinitude do tempo e do espaço está espelhada pelas mais distantes estrelas.

Se estas palavras parecem demasiadas, ou se, por alguma razão, não lhe agradarem, faça sua própria invocação, mais ou menos nestes termos.
Você talvez estranhe o fato de precisar de seu próprio espaço ou barreira protetora, como se fosse mergulhar em mares profundos repletos de piranhas. Bem, na maioria dos casos essas preocupações não se fazem necessárias. Mas, às vezes, você ficará agradecida por elas. Os reinos internos são criados pela imaginação. Ou, para falar mais claro, são espelhados e percebidos por ela. Mas isto não quer dizer que somente a sua imaginação e o que ela produz vão ser encontrados. Como a imaginação é um meio em que nós contatamos com qualquer força arquetípica, transcende nossas próprias realizações. E a força arquetípica pode ter sido moldada numa "entidade". Enfim, esta é, de fato, a forma de pensamento cuja alma é sua força e natureza ancestral. Terá uma existência independente além de sua imaginação, porque o inconsciente coletivo vai perpetuando-a. Você talvez encontre os produtos imaginativos dos desejos pessoais e o medo de pessoas próximas a você. Como se não bastasse, pode encontrar os aspectos repressivos de si próprio, aquelas áreas do seu ser que você nega ou descarta, e que estão rondando interiormente, furiosas. Claro, o ponto de trabalho do transe é o de reconciliar ou transformar essas situações. Mas não se pode permitir que visitantes não transformados, indesejados, invadam livremente o seu espaço psíquico.

A imaginação real é o reino do Éter, e o que acontece lá determina a realidade psíquica. Esta é, afinal, a base de toda a magia. Porém, inversamente, as condições de nossas vidas afetam a imaginação. Os arquétipos do militarismo, por exemplo, são fortificados pela glorificação de uma guerra. E imagens pornográficas em vídeo alimentam arquétipos de violência contra as mulheres. A criação de uma atmosfera amorosa e de sapiência deve seguir com você e sustentá-la como a roupa que veste na rua. E o pedido de que os Espíritos Guardiães o protejam e lhe ofereçam calma e clareza, é um senso comum. Os reinos internos não são apenas doçura e luz, pois, se fossem, o mundo inteiro seria inocente, e poderíamos todos ir para casa nas Terras de Verão (Summerlands), nossa existência manifesta encerrada (até o próximo ciclo?).

Se o seu transe não for especialmente profundo, mas um simples pedido de orientação sobre o que decidir, de caráter imediato, então a esfera azul é o bastante. Porém, para transes mais sérios, repito, você deve invocar os Espíritos Guardiães do Ar, do Fogo, da Água e da Terra, como se estivesse construindo um círculo completo, mas na imaginação. Faça um pedido em cada "quarto", que o proteja e o oriente. Você também pode visualizar a colocação de suas oferendas em cada "quarto", como se estivesse lançando um encantamento fora do círculo. Visualize incenso, vela, água e pedra. Peça aos Espíritos Guardiães que a
acompanhem, até o fim.

A esfera azul ficará ao seu redor após você ter cessado de imaginá-la. Você não precisa ver tudo através de uma névoa azul. Simplesmente afirme que ela está ali. No reino do Éter, a existência segue o pensamento imediatamente. Porque você pensou, ficará o tempo que disser que permaneça.
Feito isto, visualize que o chão em que você pisa não é mais um tapete ou madeira, ou de tábuas ou pedra. Você está sobre relva verde. Não há paredes ao seu redor; em vez delas, árvores altas. E agora você se encontra dentro de uma clareira num bosque. Há folhas em todas as árvores, e os pássaros cantam. Aqui, você pode encontrar seu espírito familiar; prepare a jornada seguinte ou fique em paz. Há flores silvestres na relva. Caminhe e olhe, aspire a brisa e ouça os pássaros cantarem. Escute o som do vento entre as árvores. Em cima, o céu azul. Tire os sapatos. A grama a seus pés é fresca e a Terra a sustenta. Sinta a energia da
Terra se derramando através das plantas de seus pés, enchendo seu corpo. Está forte, você é você mesma (o), bruxa (o) e sacerdotisa (sacerdote), vestida (o) em seus trajes. Seus cabelos estão soltos e seu athame enfiado no cinto.



Há um altar de madeira ao norte da clareira. Sobre ele, vinho no cálice e pão no prato. Aponte o athame para o vinho e depois fale em nome da Deusa Tripla e do Deus Cornífero, que devem revelar sua natureza verdadeira, e peça que a natureza seja demonstrada. Se o vinho então resplandecer com uma luz brilhante em ouro, prata, branco ou nas cores do arco-íris, você pode levantar o cálice e tomá-lo. Mas se o vinho estiver opaco, com um aspecto de estagnação, peça aos Espíritos Guardiães do Fogo que lhe dêem assistência. Eles imediatamente acenderão o fogo na clareira, como no campo, pequeno e contido, mas
resplandecente. O fogo é o elemento de rápida transformação e purificação. O que você faz aqui é mudar suas emoções religiosas, de sentimentos insatisfeitos e tristes para sentimentos gloriosos. Por emoções religiosas quero dizer principalmente que um senso de comunhão com todo o mundo natural é o impulso pagão espiritual mais importante. O cálice contém o vinho da comunhão, e o pão, claro, é sagrado.
Repita o mesmo procedimento de descoberta da verdadeira natureza deste pão e coloque-o também dentro do fogo, se tiver um aspecto sem luz ou mofado. Mas se resplandecer com alto brilho, coma-o.
Que fazer se o pão, o vinho, ou ambos estão no fogo? Espere um pouco e eles reaparecerão sobre o altar. Verifique cada um de novo. É mais certo que agora estejam bem. Se não, você terá uma base para a meditação a respeito de seus sentimentos de veneração, diante do paganismo, e, se for assim, por quê? Você talvez precise sair do transe ao ficar pensando sobre isso ou ficar no seu espaço interior, enquanto pondera. (Se você sair, deve seguir a mesma rotina para a abertura do círculo e para fechar sua aura, mas descreverei essa técnica em breve.)

Muito provavelmente, o pão e o vinho estarão brilhando. Enquanto você bebe e come, sinta a vida da floresta ao redor de si. Os pássaros nas árvores, toupeiras, ratinhos e todas as pequenas criaturas em suas tocas. Borboletas e aranhas e moscas. Vermes, insetos invisíveis, besouros e, embaixo da terra, rochas, arroios subterrâneos. A sua volta, as flores e árvores e os espíritos da natureza, aqueles que cuidam dos bosques e de você — pois você também é da terra, é filha da Mãe Terra.
Quando estiver pronta, diga uma oração silenciosa de agradecimento à Deusa e ao Deus. Deixe o cálice e o prato no seu altar. (Cada vez que você voltar a eles, estarão cheios outra vez.) Com o olhar, despeça-se do bosque e sinta a terra se transformando em tapete ou madeira de novo. Você está voltando ao círculo que lançou ao seu redor, no seu quarto (ou sala). Agradeça aos Espíritos Guardiães do Ar, do Fogo, da Água e da Terra. Diga-lhes Salve e adeus.
Desenhe o círculo azul ao redor de seu corpo, contornando-o, como uma segunda pele de três polegadas de espessura. Visualize uma pele de luz dourada por cima do azul. Diga:

Esta aura de luz azul com o debrum dourado ficará em mim agora, enquanto saio para o mundo. Que me protejam a Deusa Tripla do Círculo do Renascimento e o Deus Cornífero, como a árvore é protegida por sua casca, a raposa por sua pele, e a Terra por sua atmosfera azul. Assim seja.

Acrescente o que lhe aprouver ou então faça a sua própria oração. Abra os olhos devagar e levante-se.
Isto chega para um primeiro transe do círculo. Como pode ver, é bem mais simples do que aquele que você empreendeu na sua primeira iniciação. A entrada é bastante complicada, porque você não tem a rotina física de lançar o círculo, nem o processo de invocar a Deusa e o Deus, para mergulhar o seu consciente nos Reinos Interiores e afiná-lo às presenças das divindades em tudo. Ao retornar, você não tem o círculo mágico para ultrapassar, somente uma sala de um mundo cotidiano. Portanto, você deve entrar e sair com muito mais cuidado."

O texto abaixo foi extraído do livro "A Bruxa Solitária", de Rae Beth. Escolhi este trecho em especial, que explica o que é o transe dentro do contexto da bruxaria, de uma forma especialmente direcionada para iniciantes e praticantes solitários. Em outro post eu coloco a técnica básica de transe de Rae Beth, esse texto é só para entender a teoria. Mas eu já postei uma outra técnica para entrar em Alfa (que é o mesmo estado de consciência alterado), confira-o aqui (A Contagem Regressiva de Cristal). 

" Você pergunta sobre o trabalho interior de uma bruxa. Aquela palavra misteriosa "transe", que eu uso às vezes, o que significa na verdade? Possui ligação direta com o poder de lançar feitiços. E também quer dizer um estado no qual o futuro pode ser vaticinado, e poder-se comungar com os espíritos da natureza. Por meio do transe ou estado mediúnico, as mudanças acontecem. Mas é empregado fora do círculo, de maneiras que eu ainda não lhe contei? É, sim. O transe é a magia interna, a comunhão sentida com as fontes de nossas vidas. É também um meio de transformação. Porque as mudanças durante o transe, imaginado ou
"visto" diferentemente, são sempre seguidas de modificações exteriores, se a imagem é acompanhada por suficiente "carga" emocional. Não esqueça isso, pois em transe você pode mexer com seu estado de humor para o bem ou para o mal, e mesmo com sua saúde, como tem sido averiguado no mundo todo por terapeutas e psicoterapeutas.

O Transe é o acesso do Templo Interior do Bruxo, onde a verdadeira magia é feita.
Para uma bruxa, o transe é a verdadeira essência e alma de toda a magia. E acontece muitas vezes onde o ritual ainda não é apropriado — quando a bruxa está despreparada para o ritual, precisando meditar ou buscar mais direcionamento ou tornar-se mais firme em seus objetivos. E se a realização dos ritos é o trabalho externo, o transe, por sua vez, é o trabalho interno que toda bruxa deve realizar. Em transe, ele ou ela sempre deve encontrar a Deusa ou Deus e o Caminho, onde quer que seja, e não apenas em horas predeterminadas e dentro do círculo mágico. O transe é a verdadeira fonte de habilidade da bruxa.
Antes de você ter vivenciado festivais de passagem de ano e celebrado fases da Lua, não terá placas sinalizadoras indicando Domínios Interiores nem mapas já existentes para traçar os próprios mapas e caminhos. E até que você perceba a Deusa como criadora e mantenedora de toda a vida, com o Deus, seu consorte, ambos cocriadores e guias, não terá pontos de referência espirituais. Isso não significa que aquelas que não são bruxas não tenham tal referência. Existem outros caminhos. Há outros modos. Mas aventurar-se nas veredas interiores sem nenhuma estrutura referencial, sem qualquer conhecimento verdadeiro, é um risco que causa instabilidade emocional e psíquica.

Você talvez se assuste quando exagero os perigos. Eu não, pois vejo como a juventude abre centros psíquicos, usando drogas em circunstâncias errôneas, sem orientação ou conhecimento interior algum. Personalidades fragmentadas e vidas destruídas têm sido o resultado, pois a desintegração astral, uma destruição psíquica se manifesta, é vivida no mundo "real", com grande dor e confusão. Uma bruxa (ou bruxo) não precisa correr esse risco, pois ela encontra seres astrais e eventos com sabedoria, respeito e perícia psíquica. O senso do sagrado, a primeira condição de respeito, é inatamente sua. Ninguém pode ser bruxa verdadeira sem esse senso. Mas a sabedoria, que você corretamente menciona, é algo a conquistar. Bem como as perícias psíquicas.

Todas as religiões do mundo usam as técnicas de transe e meditação de alguma forma.O que acalma a mente lógica, tranqüilizando-a, em repouso, para que o transracional possa aparecer e se reintegrar. Mantras, mandalas, orações repetitivas e o rosário, batidas de tambores, drogas e posições especiais da ioga são algumas das muitas técnicas usadas para alcançar estados alterados de consciência. Como bruxas solitárias, praticamos os rituais criando um espaço sagrado e dançando e cantando dentro dele. Mas também podemos entrar no mesmo estado de "lucidez sonhadora" por meio da visualização, uma rotina mental que nos leva para o nosso interior e aprofunda a consciência, trabalhando como simples autoprogramação. Em outras palavras, a visualização inicial instrui a mente para voltar-se ao seu interior. É o que fazemos. A melhor maneira de compreender isso é praticando."

A técnica a seguir usa visualização criativa e as propriedades mágicas da runa Eihwaz. No texto abaixo, quando citado, STADHA se refere à posição corporal relativa à runa (como ilustrado na imagem a seguir), e GALDR é o mantra da respectiva runa, que nada mais é do que entoar o seu nome: "Eihwaz", onde o i deve ser pronunciado num tom grave, firme e estável; sendo possível entoar apenas essa vogal como mantra "iiiiiii".



Stadha (posição) relativa à runa |Eihwaz).

FONTE: Mistérios Nórdicos, Mirella Faur.

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O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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