Além do Físico

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia"

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Além dos oitos Sabbats, os povos celtas celebravam também os Esbats, ou seja, as treze luas cheias ao longo do ano solar. A lua cheia foi venerada durante milênios por grupos de homens e mulheres, reunidos nos bosques, nas montanhas ou na beira da água, como a manifestação visível do princípio cósmico feminino, na forma das deusas lunares. Com o advento das religiões patriarcais, houve uma divisão na vida religiosa familiar. Os homens passaram a reverenciar os deuses – solares e guerreiros -, enquanto que as mulheres continuavam se reunindo para celebrar a lua cheia e honrar a Grande Mãe. A cristianização forçada e, principalmente, as perseguições dos "caçadores de bruxas" durante os oito séculos de Inquisição, procuraram erradicar a "adoração pagã da Lua" e os Esbats foram considerados orgias de bruxas e manifestações do demônio.

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A palavra Esbat deriva do verbo esbattre, em francês arcaico, significando "alegrar-se", pois essas celebrações não eram tão solenes como os Sabbats, proporcionando, além dos trabalhos mágicos, uma atmosfera jovial. Há também uma semelhança com a palavra "estrus" – o ciclo lunar de fertilidade -, reforçando a idéia da repetição mensal dessas comemorações.

Durante os Esbats, reverencia-se a força vital criativa, geradora e sustentadora do universo, manifestada como a Grande Mãe. A noite de lua cheia ou o plenilúnio, é o auge do poder da Deusa, sendo o momento adequado para rituais de cura e trabalhos mágicos. Usam-se altares – simples ou elaborados – com os símbolos da Deusa e acrescentam-se os elementos específicos da lunação. Além dos rituais, há cantos, danças, contam-se histórias e fazem-se meditações. No final, comemora-se repartindo pão ou bolo e bebendo-se vinho, suco ou chá, brindando à Lua e ofertando um pouco à natureza em sinal de gratidão à Mãe Terra. O pão sempre simbolizou o alimento tirado da terra, enquanto que o vinho favorecia a atmosfera de alegria e descontração.

Atualmente, os plenilúnios são comemorados não somente pelos grupos estruturados da Wicca (os covens), neo-pagã ou xamânica, mas também por grupos de mulheres ou pelos "solitários". A Deusa está cada vez mais presente na vida e na alma das mulheres, os raios prateados da Lua realçando suas múltiplas faces.

Na Antiga Tradição, nas reuniões praticadas por covens ou individualmente, o ponto máximo do Esbat é o ritual de "Puxar a Lua", ou seja, imantar uma sacerdotisa ou mulher com a energia da Deusa. O objetivo desse ritual é triplo: primeiro, procura-se a união com a Deusa para compreender melhor seus mistérios; segundo, busca-se imantar o espaço sagrado com a energia mágica da Deusa e, em terceiro lugar, objetiva-se o equilíbrio dos ritmos lunares das mulheres e o aumento da fertilidade, física e mental. Para atrair a energia da Lua, usa-se o punhal ritualístico (átame) ou um bastão consagrado, direcionando-o para um cálice com água. Invoca-se a Deusa e expõe-se seu pedido ou, simplesmente, entra-se em contato com sua essência, deixando-a penetrar em todo seu ser. Fundir-se com a energia da Deusa é um ato de realização espiritual e jamais deve ser usado com fins egoístas, forjando mensagens ou avisos "recebidos" durante o ritual. Quando o propósito é sincero e o coração puro, a experiência é sublime e comovente. Após um tempo de interiorização e contemplação, tornam-se alguns goles da água "lunarizada" e despeja-se o resto sobre a terra, para "fertilizá-la". Como em outros rituais, os Esbats devem ser feitos após invocar-se os Guardiões das direções e os elementos correspondentes, criando-se o círculo mágico.

Fonte: Círculo Sagrado

HOJE É LUA CHEIA, E POR MAIS DOIS DIAS ESSA ENERGIA CONTINUA DISPONÍVEL. ALINHE-SE COM ELA, ACENDA UM INCENSO EM HONRA ÀS DEUSAS LUNARES E FAÇA UM PEDIDO SINCERO. QUEM SABE A SABEDORIA ANTIGA NÃO O ATENDA...


Contemplação é um modo muito natural de se concentrar e inspirar a tela mental. É melhor acessada por meio de uma atividade (algumas vezes repetitiva) que não requer a mesma concentração mental para ler ou aprender (por exemplo, balançar, observar uma fogueira, uma tecelagem simples, jardinagem sem pressa, limpeza sem pressa, caminhada sem pressa e sem objetivo). A contemplação é uma meditação ativa de inércia que também permite parar com a atividade mental de primeiro plano. Dentre todas as atividades acima, recomendo balançar (de preferência numa cadeira de balanço) quando se sabe que nenhuma interferência vai ocorrer assuntos que demandam solução vão aparecer e, no estado de contemplação, poderão ser resolvidos. Restrições de consciência serão organizadas neste estado: dúvidas em relação à integridade de uma pessoa podem ser acossadas aqui: mentiras que perpetuamos ou que são perpetuadas contra nós virão à luz da consciência. Num estado de verdadeira contemplação, também pode ocorrer a revelação e, deste modo, o espaço para promover mudanças de acordo com essas percepções estará disponível.

A Roda do Ano (orientação Sul) gira mais um pouco... dia 21 de junho às 2:46, é a maior noite do ano e marca o Renascimento simbólico do Deus Solar, que havia morrido em Samhaim.

Deusa Invernal grávida do Deus Solar-menino

Yule significa "Roda" em Noruguês, é o festival do Solstício de Inverno, que no Hemisfério Norte é comemorado por volta de 21 de dezembro. Esse é um dos festivais mais universalmente celebrados, e nos países nórdicos, o mais importante, pois comemora o nascimento do deus-Sol menino do útero da Noite. Yule também é conhecido como o Festival das Luzes, por todas as velas acesas nessa noite. Na antiga Roma, era chamado de Natalis Solis Invicti - "Nascimento do Sol Invicto" - e ocorria durante o festival mais longo da Saturnalia, o maior festival do ano, do qual herdamos a nossa imagem do Ano-Novo, o velho Pai do Tempo (Saturno) com a sua foice. Yule é oposto a Litha e, embora a ênfase agora esteja no recém-nascido deus-Sol, a Mãe Terra ainda é honrada como a Madonna (mãe com filho no colo).

Yule foi o primeiro festival pagão a ser cristianizado, em 354 d.C., quando o nascimento de Jesus (originalmente no final de setembro) foi oficialmente transferido para o Solstício de inverno e denominado Natal. Os muitos costumes associados a Yule (velas, árvores decoradas, bolo de Natal, guirlandas, decorações com pinhas, troca de presentes, brindes e canções, máscaras, visco, "enfeitar o salão com maços de azevinho", etc.) são todos pagãos e oferece uma rica coleção de material para nossas celebrações contemporâneas. Não há registro de cristãos que decorassem a casa com sempre-vivas, azevinho, hera e árvores de "Natal" antes de 1605. Para os antigos, isso simbolizava a eterna vida da Natureza, já que essas plantas eram as únicas que permaneciam verdes durante o inverno. Esses costumes pagãos foram proibidos aos cristãos, mas, em 1644, eles haviam se difundido tanto que foram proscritos na Inglaterra por um ato do Parlamento.

(texto retirado do livro Grimório para o Aprendiz de Feiticeiro, de Oberon Zell-Ravenheart)

Para nós do Hemisfério Sul, comemorar Yule nessa época do ano é controverso, uma vez que o ciclo das estações  é invertido e parece que estamos celebrando o Natal seis meses antes. No entanto, os Sabbats da Roda do Ano são um meio de se conectar com as grandes energias sazonais da Natureza ao nosso redor, e seria bem mais estranho comemorar Litha - Solstício de Verão(se seguíssemos a Roda do Norte) em pleno Inverno! O importante é não deixar essa data tão importante passar despercebida, logo, nesta próxima segunda reúna seus amigos e realizem um belo ritual!

Eu e meus companheiros de círculo faremos uma bela comemoração ritualística, com convidados e até cerveja amanteigada (inspirada nos livros de Harry Potter). Se desejarem modelos de rituais, conheço dois, dos sites de meu Blogroll- Círculo Sagrado e Bruxaria.net:

Ritual de Yule (1)


Ritual de Yule (2)

Feliz Yule!


A Idade da Razão (1605-1900 d.C.)

Nos séculos XVI e XVII, a palavra "feiticeiro" era aplicada àqueles que praticavam a Alta Magia e a vários magos populares, que também eram conhecidos por outros nomes: encantadores, abençoadores, conjuradores e bruxos. Mas, na metade do século XVII, a Feitiçaria tanto dos magos populares quanto da Alta Magia começou a declinar em prestígio, saiu dos centros urbanos para o campo. Em 1662, a Academia Real de Ciências foi fundada na Inglaterra. Isso marcou o início da separação entre a Magia e o Mundo Mundano, pois a Academia redefiniu as disciplinas, excluindo tudo o que considerava "não científico" e, portanto, "falso". A Astronomia foi separada da Astrologia; a Física, da Metafísica; e a Química, da Alquimia. Com essa divisão, o hemisfério esquerdo da experiência humana foi separado do direito, e a civilização ocidental ficou cega de um olho.
No mundo da Magia, os séculos XVII e XVIII testemunharam uma popularidade das ordens mágicas secretas, como a Maçonaria e a Rosa-Cruz. Os rituais dessas ordens eram baseados nas escolas Herméticas e de Mistério, no Tarô, nas interpretações da Cabala e na Astrologia. Diversos grimórios, contendo instruções detalhadas para ritos mágicos, circulavam amplamente. O mais importante deles, ainda usado hoje, é a Chave de Salomão, que existe desde o primeiro século da Era Cristã. Durante os séculos XVII e XVIII, a moderna Magia Cerimonial teve seu início. Trata-se de uma arte complexa de lidar com espíritos. Requer uma disciplina rígida e tem apelo intelectual. Os magos cerimoniais derivavam seu poder do Deus judaico-cristão por meio do controle de espíritos, de modo geral demônios. Eles acreditavam que os demônios eram mais fáceis de ser controlados do que os anjos. Em seu sentido mais supremo, a Magia Cerimonial é uma experiência transcendental que leva o mago a reinos místicos e à comunicação com o Eu Supremo.
A Alta Magia teve forte revivificação no inicio do século XIX com a publicação de The Magus, de Francis Barret, em 1801. Esse renascimento recebeu uma influência significativa de Eliphas Levi, cuja explicação sobre como a magia opera, em Dogma e Ritual de Alta Magia ( 1856), teve um impacto duradouro no pensamento dos magos. Levi apresentou três Leis da Magia: Força de Vontade, Luz Astral e "Como acima, também abaixo". Outros tutores que contribuíram para a ascensão da Magia Cerimonial foram o Espiritualismo e a Teosofia, ambos envolvendo a comunicação com espíritos e os mortos. A Feitiçaria popular continuou a ser predominantemente um fenômeno rural. Depois de 1825, a palavra feiticeiro se tornou praticamente um sinônimo de bruxo, mas seu uso declinou durante o século XX.

 
Tempos Modernos (depois de 1900)

Talvez o grande sistema da Magia Cerimonial ocidental tenha sido desenvolvido pela Ordem Hermética da Golden Dawn, fundada na inglaterra por três membros da Rosacruz, no fim do século XIX. A Golden Dawn expandiu os escritos de Levi e acrescentou uma Quarta Lei - Imaginaçao - sem a qual a Vontade era ineficaz. A Golden Dawn teve uma grande influência sobre Aleister Crowley, considerado por alguns um dos maiores magos do século XX. Sua principal contribuição à Magia foi a popularizaçao de Law of Thelema, de Rabelais: "Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei". Outro grupo mágico que influenciou a magia moderna é a Ordo Templi Orientis (O.T.O. – “A Ordem do Templo do Oriente”), fundada no início do século XX pelo alemão Karl Kellner, devotado à magia sexual tântrica. A década de 1950 testemunhou a emergência da Bruxaria (na forma da Wicca), encabeçada por Gerald Gardner (da foto), um inglês que publicou vários livros; desenvolveu diversos rituais e iniciou inúmeros Bruxos.
No fim do século XX, ocorreu um grande renascimento da Magia, da Bruxaria e do Paganismo. Da década de 1960 em diante, muitos grupos novos de magia foram fundados e o número de praticantes aumentou de centenas para milhões. Muitos livros acerca de vários aspectos da Magia foram publicados, apoiando uma indústria totalmente nova de editores e livrarias do "oculto". E, por fim, no despertar do século XXI, a Feiticaria mais uma vez, alcançou o reconhecimento público com o lançamento dos livros e filmes da série Harry Potter e os filmes da série O Senhor dos Anéis.  
Acabamos o nosso tour pela História da Magia Ocidental, eu que particularmente gosto desta disciplina, gostei ainda mais da abordagem mágica, espero que o mesmo tenha ocorrido com vocês! 

Europa Medieval (455-1400 d.C.)

Como a Magia ligava as pessoas às suas crenças e tradições pré-cristãs, a igreja cristã trabalhou de forma diligente para separar a magia da religião. O uso da magia pelo povo foi proibido, enquanto a própria igreja adotava o que considerava útil e sistematicamente bania o resto. Na Europa ocidental, a maioria das vilas tinha curandeiros, pessoas que trabalhavam com plantas e parteiras. Esses praticantes, chamados de bruxos, eram em sua maioria mulheres. Suas artes eram denominadas Baixa Magia (humilde, acessível); ao contrário da Alta Magia (exaltada, elite), como a Alquimia. Essas mulheres, que continuaram a seguir as Práticas Antigas, foram alvo de perseguição do Canon Episcopi da igreja, editado por volta do ano 900: "Algumas mulheres maléficas são pervertidas pelo diabo e desviadas por ilusões e fantasias induzidas por demônios, de modo que elas acreditam cavalgar à noite com Diana, a deusa pagã, e com uma horda de mulheres. Elas acreditam que no silêncio da noite elas atravessam grandes distancias... Afirmam que obedecem aos comandos de Diana e em algumas noites são chamadas a servi-la".
Apesar da proibição da Magia pela Igreja, a Alquimia prosperou na Europa entre os séculos VII e XVII. Baseada no Hermetismo, a Alquimia tem suas origens no antigo Egito. Quando os árabes conquistaram o Egito, no século VII, eles adoraram a Alquimia egípcia e a levaram para Marrocos e Espanha. Menos de 200 anos depois, a Espanha era o centro de estudos alquímicos. Logo essa ciência se espalhou pela Europa. Entre os séculos VIII e XVI, várias formas de magia medieval surgiram de uma revivificação das doutrinas neoplatônicas, cabalistas e orientais levadas de volta à Europa pelas Cruzadas. A magia medieval floresceu como um sistema no século XII. Os Cavaleiros Templários, ordem criada em 1118, desenvolveram um sistema mágico que aprenderam com a seita joanita em Jerusalém.
Os magos da Europa eram homens instruídos, eruditos, médicos e alquimistas. A magia deles consistia em procedimentos intrincados que envolviam vestimenta, instrumentos consagrados, símbolos mágicos e nomes sagrados de poder para chamar ou afastar vários espíritos. O nome inefável do Deus hebraico Jeová conhecido como o Tetragrammaton (quatro letras: "YHVH"), se tornou o nome mais poderoso.
Os magos e feiticeiros não tiveram muitos problemas com a igreja até o século XIII, com a criação da inquisição. Nos séculos XIII e XIV, a filosofia aristotélica superou a platônica. Segundo o pensamento aristotélico, não existe nenhuma magia natural no mundo; portanto, a magia é divina ou demoníaca. No século XV, os magos - considerados competidores da Igreja - foram molestados e perseguidos, embora nunca tenham sofrido uma perseguição tão intensa quanto os bruxos: milhares deles foram brutalmente torturados e executados por heresia. Os séculos de perseguição de 1227 a 1736 são lembrados pelos praticantes de magia como "Os Tempos da Fogueira".


A Renascença (1400-1605 d.C.)

O termo "feiticeiro" foi usado pela primeira vez em 1440 e era, na época, aplicado tanto para homens quanto para mulheres. Quase todas as vilas ou cidades na Grã-Bretanha e na Europa tinham pelo menos um feiticeiro, que era respeitado e temido pelos moradores locais. O feiticeiro da vila era especializado em Baixa Magia e suas práticas incluíam uma variedade de serviços mágicos, como adivinhações, encontrar pessoas e objetos desaparecidos, encontrar tesouros escondidos, cura de doenças em pessoas e animais, interpretação de sonhos, descoberta de roubos, exorcismo de fantasmas e fadas, lançar feitiços, quebrar feitiços de fadas e bruxos maus, fazer talismãs da sorte e poções do amor. Como adivinho dos culpados de crimes, a palavra do feiticeiro tinha muito peso nas vilas e cidades.
A magia medieval alcançou seu apogeu na Renascença no século XVI com Cornélio Agrippa von Nettesheim e Paracelso na Europa; e John Doeu e Robert Fludd na Inglaterra. Filosofia Oculta, de Agrippa, incluía nomes divinos, magia natural e cosmologia. Paracelso reforçou a doutrina hermética de “Como acima, também abaixo”, que afirma que o microcosmo da Terra repete o macrocosmo do Universo. Fludd, um cabalista, tentou reconciliar as filosofias neoplatônica e aristotélica e relacioná-las à cabala.
Durante a Renascença, o feiticeiro, como mago Supremo, era um intelectual que buscava a Alquimia e a sabedoria hermética. Ele estudava e seguia os ensinamentos de Agrippa, Paracelso, Dee, os filósofos neoplatônicos e de outros. Os feiticeiros liam grimórios e invocavam espíritos em cerimônias rituais. Com freqüência, esses Altos Feiticeiros serviam como conselheiros e mentores especiais (vizires) para a realeza. A rainha Elizabeth I contava com John Dee como "Feiticeiro da Corte" e conselheiro. Com seu sócio, Edward Kelly, Dee desenvolveu o sistema da Magia Enochiana, uma linguagem que compreende chamamentos de espíritos e viagem aos planos astrais.

 John Dee


Os Druidas (600 a.C. - 500 d.C.)

Entre a Gália e as Ilhas Britânicas, os druidas eram a casta sacerdotal instruída dos povos celtas. Dru  significa “Verdade”, como em “Conhecedor da Verdade”. O título também pode ter uma ligação com carvalho e é algumas vezes empregado com o significado "sacerdote do carvalho". Os druidas consideravam o fogo e a água como o material básico original para criação; e as árvore eram sagradas, assim como as pedras, os animais, pássaros, plantas e os espíritos invisíveis do Outro Mundo. Eles honravam os Deuses e Deusas dos povos celtas e celebravam os festivais de - Beltane, Lugnasadh, Samhain e Imbolc. Eram homens e mulheres cujas habilidades incluíam a codificação de leis, a solução de disputas, as artes bardas, curas, relatos de histórias sagradas, genealogia, Matemática, Astronomia, adivinhação, Filosofia, política, ensino, administração da justiça, rituais e trabalhos de magia. Os druidas tornavam legítima presidiam a coroação dos Reis Supremos da Irlanda em Tara.
A cultura celta originalmente se fundiu com a Europa oriental (área do Mar Negro, a bacia do Danúbio), movendo-se sempre para o oeste. Por mais de mil anos, a religião e a cultura celtas se expandiram por quase toda a Europa, das margens ocidentais da França e da Grã-Bretanha ao Mar Negro; e da Alemanha para o norte da Espanha e da Itália. Os druidas e sua religião foram, portanto, os antepassados da Europa, como a conhecemos. Eles sofreram uma forte perseguição do governo romano, mas Roma jamais chegou à Irlanda nem ao norte da muralha de Antonino da Escócia; e os druidas persistiram em muitas áreas. As escolas bardas continuaram a existir até o século XVII.



Roma (735 a.C. 455 d.C.)

Um dos principais deuses romanos da Magia era Mercúrio, o mensageiro dos deuses. Os romanos empregavam feitiçaria e contrafeitiçaria para derrotar inimigos e progredir política e materialmente. Embora a feitiçaria fosse popular entre o povo, a prática privada dela era muito temida pelas autoridades e rígidas leis contra ela foram aprovadas. A Lei Corneliana proclamava: "Adivinhos, encantadores e aqueles que fazem uso da feitiçaria para propósitos maléficos, aqueles que conjuram demônios, que perturbam os elementos, que empregam imagens de cera de modo destrutivo serão punidos com a morte. Essa mesma atitude foi preservada pela igreja cristã medieval.
 


Pérsia (539-331 a.C.)

A palavra magia vem dos sacerdotes zoroastristas da antiga Pérsia; eram chamados de magos. Eles atingiram seu apogeu durante o período do Império Persa (539-331 a.C.). Seguidores de Zoroastro (nascido por volta de 570 a.C.), os magos eram famosos por seus poderes de cura e adivinhação - especialmente a Astrologia. Eles acreditavam que o Cosmos era vivo e divino; e reverenciavam os planetas, as estrelas e outros corpos celestes. Também honravam os quatro Elementos - Terra, Ar, Fogo e Água. Ahura Mazda era o deus zoroástrico da bondade, da sabedoria e da verdade, e seu oposto era o maléfico Ahriman. As crenças zoroastristas causaram um efeito profundo no Judaísmo de modo especial no que diz respeito às questões da vida depois da morte - e essas idéias foram transmitidas ao Cristianismo. O Zoroastrismo continua a existir hoje na fé dos países da Índia e do Irã.

Arquitetura do Império Persa



Grécia (480-323 a.C.)

Os gregos desenvolveram um sistema e uma filosofia de magia que sofreram forte influência dos conceitos importados do Egito, do Oriente Médio e da Ásia. O deus grego da Magia era Hermes, do qual se originou o nome Magia Hermética. Assim como os egípcios, os gregos dividiam a Magia em duas classes: Alta e Baixa. No mundo greco-romano, as forcas mais influentes eram os Oráculos, dedicados a vários deuses. Nesses sítios antigos, sacerdotes especialmente treinados apresentavam respostas ambíguas às perguntas. Também, durante esse período, diferentes formas de adivinhação estavam em uso constante, mais notadamente a que consistia em examinar as entranhas (principalmente o fígado) de animais abatidos para discernir o desejo dos deuses. A Grécia também foi o lar de muitos mistérios iniciáticos significativos, e os mais conhecidos eram os de Elêusis, que apresentavam a história da deusa dos grãos, Deméter; sua filha Kore, a donzela da flor e Hades, Senhor do Submundo, que rapta Kore em cada outono para torná-la Perséfone, sua noiva e rainha.
Hermes, deus grego da Magia

Hebreus (1630-587 a.C.)

Embora a rígida lei judaica proibisse todas as práticas de adivinhação e bruxaria, duas das maiores figuras do Antigo Testamento - Moisés e Salomão - também são listados entre os maiores Feiticeiros de todos os tempos. Acredita-se que Moisés estabeleceu uma escola secreta de Magia chamada Mistérios do Tabernáculo. Os cinco primeiros livros da Bíblia (o Pentateuco) são conhecidos entre os judeus como a Tora ("Lei") e acredita-se que eles foram escritos pelo próprio Moisés. Com suas regras elaboradas e instruções detalhadas, acredita-se que eles traziam alegorias simbólicas e parábolas. A chave para o simbolismo contido neles, segundo a escola Mistérios do Tabernáculo, constitui a Cabala judaico.
Salomão foi o rei de Israel no século X a.C. c o construtor do Grande Templo. Conhecido por sua sabedoria e riqueza, e por seu reinado longo e próspero, Salomão se destacou na lenda como um mestre feiticeiro. As lendas talmúdicas contam como o sábio monarca exercia domínio sobre os animais do campo, os pássaros do céu, e comandava demônios e espíritos sobrenaturais com o poder de seu anel mágico. A lenda conta que ele empregou demônios na construção do Templo, e sua sabedoria derivava desses demônios e de outros habitantes do mundo invisível. A Chave de Salomão e outros textos mágicos foram atribuídos a ele. Segundo os eruditos judeus talmúdicos, Salomão dominava os mistérios da Cabala. Ele também era conhecido como alquimista e necromante.

Rei Salomão

Babilônia (612-538 a.C.)

O nome Babilônia significa "Portão dos Deuses". Os babilônios se especializaram em Astronomia, Astrologia e Matemática. Ainda hoje usamos seu sistema numérico. Eles mantinham registros precisos dos movimentos planetários e eventos cósmicos como eclipses, cometas novas, movimento planetário retrógrado, etc. Os babilônios também criaram incontáveis variedades de sigilos, amuletos, encantamentos e talismãs místicos que continuam a ser usados pelos magos modernos. O sacerdócio babilônio era instruído e secreto. Eles acreditavam que todas as doenças eram causados pela insatisfação dos deuses. Rituais longos e complexos eram realizados apenas para pessoas ricas e de importante posição social, por sacerdotes de alto nível do Templo do estado. Nos templos "Inferiores", ficavam as estátuas para culto, em que a divindade residia e era venerada.

 A Porta de Ishtar, dedicada à deusa da fertilidade.


A Magia é universal. Não existe uma única cultura ou sociedade na Terra que não a pratique e não tenha suas classes especiais de praticantes. Todas as tribos e vilas em todas as terras têm os seus xamãs, Feiticeiros, "curandeiros" e "curandeiras".  
Entre as civilizações clássicas pré-cristãs do Mediterrâneo e do Oriente Médio, os antigos egípcios, hebreus, babilônios, persas, gregos, romanos e druidas tinham sistemas mágicos que muito influenciaram o desenvolvimento posterior da Magia no mundo ocidental.

A partir de hoje, vou começar a postar sobre a origem da magia nos povos da Antiguidade até os dias de hoje, começando pelos Egípcios.

Egito (2700-50 a.C.)

No Egito, os faraós eram considerados reis divinos que possuíam habilidades mágicas inatas. Como em muitos sistemas, havia duas classes de magos. Os mais estimados eram os sacerdotes treinados: magos profissionais que agiam como substitutos dos faraós na realização de todos os serviços mágicos necessários. Entre eles, estavam os vizires, ou magos da corte, como Imhotep e Dedi de Dedsnefru. A segunda classe era composta pelos magos leigos, equivalentes aos magos locais, curandeiros e Feiticeiros. O deus egípcio da Magia era Thoth, representado como um babuíno ou uma ibis. Da magia do Egito, veio o conceito do poder  dos nomes sagrados, que teve grande influência na magia européia durante a Idade Média e na Renascença. 
 Deus Thoth, ilustrando o 5° arcano maior (Alto-Sacerdote) do Tarot Egípcio.


O trabalho com magia exige do praticante que ele domine primariamente a sua própria mente, para que então possa dominar certas forças e energias que operarão mudanças à sua volta. Estamos acostumados a usar somente nossos cinco sentidos, e nem percebemos o quanto de informação são captados por eles. Mas além deles, ainda há o que se chama de centro ou sentidos psíquicos. Eles são a base para a realização da magia bem-sucedida e o primeiro contato com eles só ocorre num profundo estado de relaxamento e concentração. Depois, com a prática e o desenvolvimento satisfatório deles, necessitaremos cada vez menos de esforço mental.
O primeiro plano mental, no qual nos encontramos quando estamos em estado de atividade intensa é denominado beta(mente consciente). É a parte de nossa mente que está alerta, preocupada com a vida cotidiana e o bem-estar físico.
O segundo plano é denominado alfa (mente subconsciente). Nesse estado estamos muito relaxados, em meditação ou sonolência. Essa parte de nossa mente contém impressões sensórias captadas inconscientes, que foram descartadas do primeiro plano por não serem importantes. Aqui já temos um acesso considerável de nossa percepção psíquica.
O terceiro plano é denominado teta (mente superconsciente). Essa parte da nossa mente se preocupa com o nosso bem-estar espiritual e contém a memória de universal, experiências de vidas passadas e lições aprendidas ao longo de toda a  história evolucionária de nossa alma. Nesse estado, encontramo-nos profundamente relaxados, em sono moderado e sonhando. Em transe profundo de meditação também é possível chegar a essa freqüência, na qual entramos em contato com a própria freqüência migratória do campo magnético da Terra. Na verdade, igualamos o nosso campo energético com o de Gaia. Essa ressonância harmônica dá impulso tremendo a nossas energias psíquicas, permitindo-nos transmitir pensamentos por telepatia e cura a longa distância. Também nesta freqüência, através da sugestão hipnótica, podem-se realizar cirurgias num paciente, sem anestesia e sem dor.
E sob todos esses planos, encontra-se delta. Essa parte de nossa mente é compartilhada por todos os seres humanos, é a rede mundial da consciência planetária.  E um tanto além, inacessível para nós neste estágio de evolução, há as consciência cósmica e universal...
Na tabela abaixo, verifica-se a freqüência vibratória das ondas de nosso cérebro em ciclos por segundo:
Fazendo uma analogia com os cômodos de uma casa, Beta seria os quartos em que passamos a maior parte do tempo. Alfa seria como o porão ou o sótão, onde guardamos coisas das quais não precisamos e já até esquecemo-nos delas e raramente vamos até lá. Teta é o alicerce de toda a casa e Delta é o solo na qual ela foi construída, solo que é compartilhado por todos.

Sabe todo aquele papo sobre magia negra e magia branca? Besteira... É uma das coisas que mais confunde iniciantes na magia e bruxaria. Acontece que não existem estes  dois tipos de magia! Existe simplesmente a Magia.
Um bruxo/magista que diz praticar somente magia branca, está equivocado. E o mesmo se diz àquele que só pratica magia negra. Isso porque as leis da magia e de seu funcionamento são as mesmas para qualquer sistema mágico. Um bruxo/mago de boa índole, certamente só fará magia positiva, mas seus conhecimentos também são capazes de realizar magia negativa. A maioria das técnicas é a mesma. Por exemplo:
Uma pessoa vingativa pega um pedaço de argila e modela na forma de seu inimigo. Coloca sangue dele no boneco, fios de cabelo e até mesmo partes da roupa. Então ele vai começar a direcionar energias destrutivas a este boneco, que pelas Leis da Semelhança e do Contágio, irão afetar diretamente o fulano, o qual, se não tiver muita proteção psíquica e receber uma emanação forte demais, pode vir a adoecer e até mesmo morrer.

No entanto, esta mesma técnica (bastante conhecida no Voodoo), será utilizada por um bruxo/mago de boa índole para curar uma pessoa. Fazendo o boneco, colocando "partes" da pessoa e posteriormente emanando energias de cura, equilibrando seus chacras e sua aura.

Percebe? A Magia utilizada foi a mesma, o que diferencia os dois praticantes é oseu caráter, a Ética da Magia.
O termo mais correto a se utilizar para diferenciar duas pessoas como estas, conhecido no campo do Ocultismo, é que a primeira segue o Caminho da Esquerda e a segunda, o Caminho da Direita. É claro que existem certas técnicas que são diretamente relacionadas com o Mal. Um bom bruxo nunca sacrificaria um animal para conseguir sua força vital, enquanto um maligno não pensaria duas vezes. Há também a Necromancia, a invocação de espíritos dos mortos para fornecerem informações e realizarem serviços. Dependendo do grau de evolução espiritual do magista, o espírito convocado lhe será semelhante, ou seja, é uma técnica ambígua, podendo ser usada também para propósitos benignos.

E todos que seguem o Caminho da Esquerda, são corretamente chamados de tolos!
Porque qualquer um, no campo da Magia, conhece as leis básicas do Carma, ou Ação e Reação. Eles estão aumentando suas penas para próximas encarnações e são conscientes disso!! Mas devo dizer que já vi outros destes mais tolos ainda, que dizem haver um ritual de "Neutralização", que impede que as energias emanadas retornem ao dono. Pura bobagem! Não há como apagar os registros cármicos até que eles sejam resolvidos pela reencarnação.
E quanto àqueles que dizem que a "Magia Negra" é mais poderosa do que a "Branca". Outro equívoco! O poder vem do praticante, primeiramente, e depois de sua capacidade de invocar certas forças. A diferença é que o Mago da Esquerda não hesitará em cometer crimes, sejam da realidade física ou não, enquanto o Mago da Direita tomará certas precauções e deixará que as Leis Universais façam o resto.

Finalizando, lembrem-se sempre do conselho wiccano (mesmo que não seja da Wicca, é um preceito presente em muitas vertentes, com palavras diferentes):

"Se a ninguém prejudicas, faze como tu quiseres".


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Advertência

O uso das técnicas, rituais e conhecimentos adquiridos no Além do Físico é de responsabilidade única e exclusivamente sua, caro leitor. Não me responsabilizo, em nenhum nível, pela má utilização de tais ferramentas mágicas e espirituais.

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Faço Psicologia na USP, tenho 22 anos, sou bruxo, magista e médium, sempre em busca das verdades espirituais. Encontro prazer imenso na leitura, que nos possibilita viajar através de dimensões, espaço e tempo num folhear de páginas.

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